Dessa árvore genealógica da família Machado, veio o segundo filho de René, sobrinho de Macarrão, o Marcelinho, outro gênio do basquetebol.
Quando escrevi sobre meu guru, “Seu Gleck”, na última coluna, veio-me logo à memória o grande incentivador de minha carreira como atleta, que acabou por influenciar minha visão sobre o basquetebol. Nos anos 70 e 80, o lendário Sérgio Macarrão foi meu grande companheiro de quadras e de vida.
Em 1969, conheci meu maior ídolo no basquete, jogador que mais me encantava e por quem tinha imensa admiração. Ia sempre ao Tijuca para vê-lo jogar com a camisa do Vasco, e jamais imaginara que um dia jogaríamos no mesmo time, o Fluminense, onde se iniciou uma amizade sólida, que dura até hoje, e uma relação de companheirismo de equipe, fortalecida ao longo do tempo no Flamengo e no Municipal, perdurando até 1980, no Mackenzie.
Confesso que ficava extasiado diante daquele astro com medalha olímpica e um basquetebol bonito demais, um dos maiores jogadores já revelados no Rio de Janeiro, senão o maior. Jogar com Sérgio Macarrão, na mesma equipe, foi uma experiência única e apaixonante para os jogadores mais jovens como eu. Tínhamos ao nosso lado um supercraque e, logo depois, descobrimos que se tratava, também, de um ser humano extraordinário.
Para fazer um arremesso, Macarrão saía quase um metro do chão. Seu basquetebol era um balé inebriante, marcado por um jogo insuperável de paradas e pivoteadas – conhecidas hoje por habilidades motrizes de equilíbrio. Era impossível marcar seus giros, quando jogava num falso pivô, o que me deixava de queixo caído. Era o jump de meia e longa distâncias, sempre um movimento de coreografia cênica, com precisão cirúrgica.
Todos os dias, antes de começar os treinamentos, ele treinava seu ponto fraco, o drible. Executava por toda a extensão da quadra os deslocamentos com mudança de direção, troca de mãos, reversões e outros recursos, como alternância de ritmo. Muita atenção para a postura do tronco, quadris próximo ao chão e olhar periférico, observando todo o terreno de jogo.
Esta humildade de reconhecer e exercitar sua maior dificuldade revelava a simplicidade daquele jogador, titular de seleção brasileira e um dos maiores de todos os tempos, o que conquistou todos os demais jogadores, especialmente a mim, que me tornaria um de seus grandes amigos.
Para quem não o conheceu, ficam estas dicas de um grande atleta/homem, que ama e contribui com o basquetebol até hoje, na função de técnico. E não poderia deixar de mencionar seu irmão René, que também se tornou meu grande amigo. Recordo-me daquela casa aconchegante, onde seus pais, Dona Jane e Seu Washington, recebiam-nos como filhos. Dessa árvore genealógica da família Machado, veio o segundo filho de René, sobrinho de Macarrão, o Marcelinho, outro gênio do basquetebol.
Sérgio colérico; Marcelinho um pouco menos. Sérgio uma explosão no salto, tal qual um canguru; Marcelinho astuto como uma águia. Sérgio e seu basquete intuitivo; Marcelinho, a melhor leitura de jogo do nosso basquetebol. Sim, Marcelinho consegue ultrapassar seu tio em alguns números, por sua visão extraordinária do jogo, fundamental após o domínio da técnica. É imprescindível que o jogador tenha aguçada percepção acima dos ombros, aspecto diferencial entre os atletas, que é a tão importante leitura global do jogo.
De Macarrão a Marcelinho, a oportunidade de reviver, de lembrar, com amor, os tempos incríveis juntos. Tempos em que tínhamos a parede do quarto coberta de fotos e recortes de jornais, tempo de jogar e aprender com este extraordinário jogador e amigo, Sergio Macarrão, que, espero, neste 2012, seja alcançado por seu sucessor consanguíneo, Marcelinho, na conquista de uma medalha olímpica. Mais do que consagrar esta família e a carreira belíssima de Marcelo, trará para o basquetebol brasileiro a certeza da importância de uma modalidade que está enraizada em nossa cultura esportiva. O basquetebol não se limita aos aspectos do esporte, mas encerra o sentimento de união nacional, de sintonia espiritual aqui no nosso pais e no mundo, como uma das grandes potências do melhor dos esportes.





