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NBB CAIXA

Muito prazer

14-11-2017 | 05:24
Por Marcel Pedroza

Sangue verde-amarelo e Dono da Bola da 1ª semana: conheça Kevin Crescenzi, o brasileiro-americano destaque da Liga Sorocabana nos dois primeiros jogos no NBB CAIXA

Estreia brilhante: Kevin Crescenzi teve duas grandes atuações e roubou a cena na primeira semana do NBB CAIXA (Marina Gouvea/LSB)

Quem acompanhou os dois primeiros jogos da Liga Sorocabana/Uniso no NBB CAIXA se deparou com um nome diferente como destaque das vitórias sobre Solar Cearense e Universo/Vitória. Em suas duas primeiras partidas no maior campeonato de basquete do país, o brasileiro-americano Kevin Crescenzi tratou de mostrar um belo cartão de visitas.

Última contratação da equipe para o NBB CAIXA, Kevin, de 24 anos e 1,90m de altura, chegou a Sorocaba na última semana de outubro e isso não foi problema para o ala/armador comandar os dois primeiros triunfos da equipe na competição nacional.

Na estreia, diante do Cearense, Crescenzi converteu seis bolas de três pontos em apenas sete tentativas (86% de aproveitamento) e totalizou expressivos 24 pontos, oito rebotes e três assistências e foi fundamental para a vitória dos paulistas. No duelo seguinte, apesar de ter que ficar um bom tempo no banco com três faltas, marcou 22 pontos em apenas 24 minutos em quadra e foi decisivo novamente.

“Honestamente, não pensei que me sairia tão bem no começo. Fico grato pelo nosso desempenho até aqui, principalmente sabendo que o time não teve tanto sucesso no passado. É ótimo ver esse começo e mesmo sendo cedo, a equipe já desenvolveu muita química”, disse Crescenzi.

Maior cestinha do NBB CAIXA até o momento, com média de 23 pontos por jogo, Kevin Crescenzi tem incríveis aproveitamentos de 64,3% (9/14) nos arremessos de três pontos, 70% nas bolas de dois pontos (7/10) e 100% nos lances livres (5/5) e tal desempenho lhe rendeu o prêmio de Dono da Bola da 1ª Semana, eleição feita pelo site da LNB para apontar os destaques da competição nacional.

Sangue brasileiro

Nascido e criado em New Jersey (EUA), Kevin Freitas Crescenzi possui uma relação extremamente próxima com o Brasil. Sua mãe, nascida em São Paulo (SP), se mudou para os Estados Unidos por motivos profissionais na década de 80. Lá se casou com um norte-americano e construiu uma família.

Por conta da nacionalidade de sua mãe, Kevin possui passaporte brasileiro. Desta maneira, ele foi inscrito como atleta nacional no NBB CAIXA e não ocupa uma vaga de estrangeiro na Liga Sorocabana. Inclusive, o ala/armador pode ser convocado para a Seleção Brasileira no futuro.

“Eu adoraria jogar aqui no Brasil o máximo de tempo que eu conseguir. Não sei em quais times eu jogaria se ficasse aqui mais tempo, só estou fazendo o meu melhor e tentando acumular vitórias. Se jogar pela Seleção for uma possibilidade, eu adoraria. Quero ir até o máximo que o basquete brasileiro pode me levar”, afirmou o camisa 14 da Liga Sorocabana.

“Sabia algumas coisas sobre o basquete brasileiro antes, mas estou bastante impressionado com o nível das equipes que estou vendo por aqui. Se trata de uma grande liga, com grandes jogadores, e espero chegar ao maior nível que eu conseguir”, completou.

Com sangue brasileiro, Crescenzi se adaptou rapidamente à cultura do país e fala português ‘quase fluente’ (Marian Gouvea/LSB)

Antes de chegar ao NBB CAIXA, Kevin visitou algumas vezes a família de sua mãe, na cidade de São Paulo. Não à toa, o jogador mostrou um ótimo português logo nos seus primeiros dias na Liga Sorocabana e já está bastante acostumado com o povo brasileiro.

“Estou amando a oportunidade de jogar no Brasil. É muito divertido, eu adoro os fãs, eles são fenomenais. Não me orgulho em dizer isso, mas os fãs aqui são melhores que os amantes de basquete nos Estados Unidos e muito mais passionais. Todo mundo tem sido muito solidário com a minha adaptação aqui, desde os colegas de equipe até a comissão técnica. Estou amando a experiência”, completou.

Formação em psicologia

Outro ponto que chama atenção na trajetória de Crescenzi é sua formação, pouco comum para atletas profissionais. Nos quatro anos que passou no Dartmouth College, uma das mais tradicionais universidades dos Estados Unidos, Kevin aliou as atividades na quadra de basquete com o curso de psicologia.

“O fato de eu ter feito psicologia me ajuda muito na minha relação com meus companheiros e com meu técnico também. Consigo me relacionar muito bem com as pessoas e isso me ajuda muito a ter uma boa química com meus companheiros. Claro que isso ‘não entra em quadra’, mas é algo que me ajuda muito fora da quadra”, disse o psicólogo Kevin.

Formado em psicologia, Crescenzi está em sua primeira temporada como profissional (Marina Gouvea/LSB)

Depois de ficar de 2012 a 2016 na universidade, jogando e estudando simultaneamente, Kevin tentou uma chance em alguma equipe do NBB CAIXA na última temporada, mas os contatos não evoluíram e o jogador passou uma temporada jogando em uma equipe que disputa uma liga semi-profissional nos Estados Unidos antes de chegar definitivamente ao Brasil.

“Eu não sabia se queria seguir carreira profissional até os meus 20 anos. Há mais ou menos um ano atrás eu tomei essa decisão e vir para o Brasil foi uma das primeiras opções que veio a minha cabeça. Não consegui vir ano passado, mas estou aqui agora e muito animado com essa oportunidade”, disse Kevin, que teve discretas médias de 4,5 pontos e 18,9 minutos em sua última temporada no basquete universitário.

“Obviamente, exige muito mais ser um profissional do que jogar em um time de faculdade. Até na parte de Cuidar de você mesmo, desde a nutrição até o alongamento. A gente precisa ter acesso as terapias necessárias para cuidar muito bem do corpo. As demandas de jogar profissionalmente são muito maiores, especialmente aqui no Brasil os jogos são muito mais ‘físicos’. Eu acabo ficando com mais machucados então cuidar da parte física fica ainda mais importante. Dormir bem é crucial, eu tiro muito mais sonecas agora. Não é difícil me adaptar a isso porque sou disciplinado, então tudo sob controle até agora”, completou.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), em parceria com a NBA, e conta com o patrocínio master da CAIXA, os patrocínios da SKY, INFRAERO, Avianca, Nike e Penalty e o apoio do Ministério do Esporte.