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Trajetória gloriosa

26-08-2014 | 03:31
Por Liga Nacional de Basquete

Domínio em SP, dois Sul-Americanos representando a Seleção, campeão nacional e berço de craques: conheça a história do basquete no agora centenário Palmeiras

Basquete palmeirense nasceu nove anos após a fundação do clube (Palmeiras/Divulgação)

Basquete palmeirense nasceu em 1923, nove anos após a fundação do clube(Palmeiras/Divulgação)

26 de agosto de 1914, no extinto Salão Alhambra, na Praça da Sé, em São Paulo. Estes foram data e local do nascimento de uma das mais tradicionais instituições esportivas de todo o país. Fundada por imigrantes italianos e inicialmente nomeada de Palestra Itália, a Sociedade Esportiva Palmeiras completou nesta terça-feira 100 anos de existência.

Agora centenário, o Palmeiras se consolidou como um dos maiores clubes do futebol brasileiro. Oito vezes campeão nacional (1960, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993 e 1994), duas vezes campeão da Copa do Brasil (1998 e 2012), campeão da Taça Libertadores da América (1999), campeão da Taça Rio (1951), o time alviverde tem muitas conquistas em sua história e não é à toa que mais sua torcida (mais de 15 milhões de pessoas) é a quarta maior do país.

Mas não é só no futebol que o Palmeiras tem glórias e êxitos e o basquete também tem seu espaço dentro do centenário palmeirense. Atualmente participante do NBB, o esquadrão da capital paulista possui um imenso histórico glorioso de conquistas no esporte da bola laranja.

Mão Santa Oscar Schimdt estreou como profissional atuando pelo Palmeiras (Palmeiras/Divulgação)

Mão Santa Oscar Schimdt estreou como profissional atuando pelo Palmeiras (Palmeiras/Divulgação)

A equipe alviverde conquistou incríveis sete títulos paulistas em oito anos, entre o final da década de 20 e o início da década de 30, já representou a Seleção Brasileira em dois Campeonatos Sul-Americanos e ainda foi o berço de grandes nomes da modalidade no país, como Oscar Schimidt, Leandrinho Barbosa e Cláudio Mortari, que atuou como jogador no clube e ainda iniciou sua gloriosa carreira de técnico por lá também.

A modalidade da bola laranja nasceu no então Palestra Itália menos de uma década depois de sua fundação. Na época, a instituição esportiva começou a expandir suas atividades e o basquete, graças ao trabalho de Oscar Américo Paolillo, foi um dos primeiros esportes a surgir no clube. Em 1923, a modalidade foi introduzida na agremiação, que inclusive ajudou na formação da Federação Paulista, e os títulos não demoraram a aparecer.

No ano de 1928, o clube de origem italiana conquistou seu primeiro troféu no basquete. Maior artilheiro da história do futebol do Palmeiras, Heitor mostrou que não era talentoso apenas com os pés e liderou o time ao título do Campeonato Paulistano da bola laranja. A equipe repetiu a dose na temporada seguinte (1929) e também em 1931.

Já em 1932, o Campeonato Paulistano se tornou Campeonato Paulista e passou a contar com equipes de todos os cantos do Estado. A expansão não foi possível de parar o Palestra Itália e a equipe faturou quatro títulos seguidos da competição (1932 a 1935). Dominante no cenário estadual, o Palestra somou sete títulos em oito anos e, com o sucesso também no futebol – que se sagrou tricampeão paulista, entre 1932 e 1934 –, o grito que passou a embalar os fãs palmeirenses na época era: “com o pé e com a mão, o Palestra é campeão”.

Esta geração do basquete palestrino ficou eternizada e ganhou um sugestivo apelido de “Os Invencíveis”, devido a uma incrível série de 50 partidas invictas, entre 1934 a 1936. Tal domínio em São Paulo fez com que a equipe principal de basquete do Palestra representasse a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano de 1934, disputado em Buenos Aires, na Argentina, e ficasse com a terceira colocação. Em 1935, o clube tornou a representar o país no Sul-americano, desta vez realizado no Rio de Janeiro, e ficou com a segunda colocação.

Por dois anos seguidos o Palmeiras representou a Seleção Brasileira em Campeonatos Sul-Americanos (Palmeiras/Divulgação)

Por dois anos seguidos o Palmeiras representou a Seleção Brasileira em Campeonatos Sul-Americanos (Palmeiras/Divulgação)

Em 1942, o Palestra Itália virou Sociedade Esportiva Palmeiras. Por conta de um decreto do então presidente Getúlio Vargas que proibia qualquer entidade de usar nomes relacionados aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), a entidade precisou trocar sua nomenclatura.

Junto da mudança de nome, o clube precisou passar por algumas reestruturações duraante o período da Segunda Guerra Mundial e muitos esportes, inclusive o basquete, ficaram um certo tempo esquecidos. O primeiro título do clube no basquete já com seu novo nome foi apenas em 1958, mas em grande estilo, ao vencer o Campeonato Paulista de maneira invicta.

A década de 60 não foi tão gloriosa para o basquete palmeirense. Mesmo assim, a equipe faturou o troféu de campeão do Torneio Rio São Paulo, em 1962, e.conquistou seu primeiro título internacional, o Torneio Internacional Argentina-Uruguai, quatro anos mais tarde.

A virada para os anos 70 fez muito bem ao basquete do Palmeiras e as conquistas voltaram a aparecer com mais frequência. No início da década, a esquadra alviverde voltou a dominar o cenário estadual e ficou com os títulos paulistas de 1972, 1974, este invicto, 1975 e 1976, além de voltar a levantar um caneco internacional: Copa Interamericana de Basquete, em 1974.

Mas a glória máxima do basquete alviverde ainda estava por vir. Com Carioquinha e o então garoto Oscar, na época com apenas 19 anos, como seus principais destaques, a equipe se sagrou campeã da Taça Brasil (antigo Campeonato Nacional), após vencer o Flamengo na decisão, pelo placar de 66 a 62, e garantiu seu primeiro título nacional.

Com Oscar, Palmeiras foi campeão brasileiro em 1977 (Palmeiras/Divulgação)

Com Oscar, Palmeiras foi campeão brasileiro em 1977 (Palmeiras/Divulgação)

Nos anos seguintes, o basquete do Palmeiras passou por uma transformação e as atenções passaram a ser voltadas mais para o trabalho de base do que para um time profissional de alto nível. Tal mudança influenciou diretamente nos resultados e os times menores do clube passaram a dominar as competições do Estado de São Paulo. Ao todo, o clube possui mais de 100 títulos nas categorias de base (desde o Sub-12 até o Sub-19).

Durante este novo processo, o clube alviverde foi responsável por revelar grandes talentos para o basquete brasileiro. Carioquinha e Oscar, protagonistas do título brasileiro em 77, passaram boa parte do início de suas carreiras atuando nas categorias de base do Palmeiras. Mais para frente, no final da década de 90, foi a vez de o time da capital paulista lançar Leandrinho Barbosa. Depois de ser uma das revelações do Campeonato Paulista de 1999, o jogador se transferiu para Bauru e logo em seguida chegou à NBA.

Hoje na Seleção e na NBA, Leandrinho foi outro a debutar como profissional pelo Palmeiras (Gaspar Nobrega/Inovafoto)

Hoje na Seleção e na NBA, Leandrinho foi outro a debutar como profissional pelo Palmeiras (Gaspar Nobrega/Inovafoto)

A retomada do basquete palmeirense profissional aconteceu recentemente. Primeiro, o clube fez uma parceria com Araraquara e disputou o NBB2 (2009/2010). A parceira durou apenas uma temporada, e em 2010, sob o comando de José Neto, atualmente técnico do Flamengo, o Palmeiras, com suas próprias pernas, disputou o Campeonato Paulista depois de alguns anos afastado da competição. No ano seguinte, o time disputou a Série A-2 do Estadual e conquistou seu primeiro título no século XXI, já com João “Padola” como técnico.

Em 2012, a equipe voltou à elite do Estado e ficou com o troféu da Série Prata (torneio que não envolveu os times que chegaram às semifinais do Campeonato Paulista). No mesmo ano, a equipe conquistou a Copa Brasil Sudeste e chegou à Super Copa Brasil, que na época levava seu campeão e vice para o NBB. Então, mesmo com a medalha de prata, o clube ganhou o direito de disputar o NBB e ingressou no maior campeonato de basquete do país para a temporada 2012/2013.

Pela primeira vez no NBB, o Palmeiras não começou bem sua caminhada e figurou nas últimas posições da tabela de classificação durante todo o primeiro turno. Mas, na segunda metade da competição, tudo mudou. Com incríveis nove vitórias seguidas como mandante, com direito a triunfos sobre Unitri/Uberlândia, Vivo/Franca e Paschoalotto/Bauru, a equipe reanimou seus torcedores e chegou a brigar por uma vaga nos playoffs. O lugar na fase final não veio, mas a equipe terminou sua estreia no maior campeonato de basquete do país em alta, na 13ª colocação.

Na temporada seguinte, o clube alviverde manteve suas principais peças e foi mais longe. Mais regular desde o início do campeonato, o time palmeirense terminou a fase de classificação na 10ª colocação e avançou às oitavas de final para enfrentar o São José/Unimed. A decisão da vaga nas quartas de final aconteceu somente no quinto e decisivo jogo da série e os joseenses levaram a melhor. Porém, a volta aos playoffs de uma competição nacional – algo que não acontecia desde 1998 – foi muito comemorada internamente.

Confirmado para a sétima edição do NBB, o Palmeiras/Meltex chega com um elenco qualificado em relação aos anos anteriores, com as chegadas de Douglas Nunes, Steven Toyloy, do argentino Nicolás Gianella, além das manutenções de Neto, Átila dos Santos e do também “hermano” Maxi Stanic, e tem tudo para melhorar ainda mais seu desempenho na competição nacional.

O alviverde imponente surgiu com novidades para a disputa do Paulista 2014 (Fábio Menotti/Ag.Palmeiras)

Com elenco renovado, Palmeiras disputará o NBB pela terceira temporada seguida (Fábio Menotti/Ag.Palmeiras)