Entrevista exclusiva com Rinaldo Rodrigues, técnico da Liga Sorocabana.
A sabedoria popular diz que de médico e louco todo mundo tem um pouco, certo? E Rinaldo Rodrigues, técnico e presidente da Liga Sorocabana, não foge da raia, pelo menos no que tange à segunda parte do ditado. Em entrevista exclusiva ao Território LNB, Rinaldo diz não se importar com o rótulo, mas mostra muito mais que a tal insanidade. Na longa conversa com o blog, intermediada pela assessoria de comunicação do time, o técnico da Liga Sorocabana mostra que, acima de tudo, é um apaixonado pelo basquete, um dedicado lutador que batalha incansavelmente a favor da bola laranja.
Rinaldo também falou sobre a relação com o pivô Mineiro, as dificuldades e as lições do último campeonato paulista, do investimento na base sorocabana, da relação da equipe com a cidade, dos projetos sociais desenvolvidos ao longo destes 14 anos, dos seus ídolos e guias, Tom Zé e Marco Antônio Aga, e muito mais!
Sem mais delongas, segue abaixo a entrevista com Rinaldo Rodrigues, técnico da Liga Sorocabana.
Território LNB – Conta um pouco a história da Liga Sorocabana. Verdade que até rifas foram organizadas pro time nascer?
Rinaldo Rodrigues – Tudo começou há 14 anos. Eu estava no final da carreira de jogador e precisava fazer alguma coisa pra me manter vivendo de basquete. Aí com a ajuda de alguns alunos das escolinhas de base daqui bolamos algumas rifas, algumas camisas do São Bento que é o time mais famoso daqui, e assim começou a arrecadação de verbas pra criação do time, sempre visando fazer o melhor basquete possível pra cidade.
Território LNB - Você foi jogador, agora é técnico e presidente da Liga Sorocabana. Quais as diferenças e dificuldades de cada função.
Rinaldo Rodrigues – O técnico tem que lidar com muitas pessoas e o presidente lida com dinheiro, tem que saber administrar. Às vezes acontece das coisas não darem certo na quadra e a gente não consegue separar. Mas agora graças a Deus consegui montar uma equipe fora de quadra muito boa que está me ajudando muito, ajudando inclusive a filtrar fazendo com que não chegue tudo no Rinaldo.
Território LNB – O acúmulo de funções atrapalha o Rinaldo treinador?
Rinaldo Rodrigues - Não, eu exerço a função de treinador como qualquer outro técnico do NBB, estudo os adversários, táticas, vejo vídeos, tudo. O Eduardo (de Souza Correa), meu assistente, é uma pessoa muito competente e me auxilia muito nesse trabalho. Eu aprendi uma coisa com o meu pai, quando você se propõe a fazer algo, você tem que fazer. Então eu me propus a ser técnico e presidente, então eu tenho que dar conta. A Liga Sorocabana cresceu muito nos últimos anos, chegou a nossa hora e vai chegar o momento em que teremos que fazer essa separação mais ainda, e aí vou fazer a escolha de deixar a quadra ou não.
Território LNB – Fala um pouco das ações sociais desenvolvidas pelo time, o Arremesso para o amanhã, as escolinhas, clínicas e o trabalho de base.
Rinaldo Rodrigues – As ações sociais que desenvolvemos, seja o Arremesso para o Amanhã ou as clínicas que levamos às escolas da cidade, são os fatores mais preponderantes pro sucesso do nosso projeto. São essas ações que propiciaram massificar o basquete na cidade, que fizeram o nosso time ser tão conhecido em Sorocaba. As escolinhas são a base da formação dos nossos atletas. Vários jogadores saíram daqui das nossas quadras, hoje tem o Thiago no Paulistano, o Gustavo Scaglia jogando a NCAA na Arizona Western, o próprio Heitor que voltou agora pro nosso time, esses são todos frutos das nossas escolinhas. Agora começamos a investir no juvenil, algo que nunca fizemos. Estamos fortalecendo nossa base e nosso sonho é que, em pouco tempo, possamos ter todas as categorias de base em Sorocaba, desde as escolinhas até a última categoria antes do adulto.
Território LNB - Como você vê a relação da Liga Sorocabana com a cidade?
Rinaldo Rodrigues – É sensacional! Sem dúvida nenhuma, hoje o basquete é o esporte que puxa a cidade. Mas a gente não que puxar só pro nosso lado, nosso objetivo é levantar o esporte em Sorocaba de maneira geral, a gente não pensa só no basquete. Nossa idéia é que o basquete abra as portas pros outros esportes, mostrando que Sorocaba tem valor esportivo e, através do basquete, as outras modalidades cresçam na cidade, vôlei, futsal, tudo. Nosso objetivo é transformar Sorocaba em uma cidade poliesportiva, uma cidade do esporte de competição.
Território LNB - A questão dos recursos é quase sempre um problema nos esportes olímpicos brasileiros. Hoje, como é a situação da Liga Sorocabana em relação aos recursos?
Rinaldo Rodrigues – A gente vem trabalhando pra encontrar mais um parceiro, a gente precisa fechar mais uma cota e a sociedade sorocabana vem nos ajudando muito, cobrando do empresariado local. Nós estamos trabalhando pra cada dia ter mais e melhorar nosso projeto. Já temos os patrocinadores que honram seus compromissos, temos apoiadores aqui que estão conosco há 14 anos e isto é algo raríssimo no esporte, um patrocinador que fique 14 anos com uma equipe, e nós já temos isso aqui em Sorocaba. Temos a esperança de um dia termos uma estrutura maior. A equipe vai ser sempre assim, pensando grande e buscando, mas precisamos crescer pra fortalecer a nossa base e termos no adulto um espelho pra esses jovens que sonham em jogar na elite do basquete brasileiro e, futuramente, até no plano internacional.

Território LNB – Vocês tiveram um campeonato paulista difícil nesta temporada. Quais as lições que ficaram?
Rinaldo Rodrigues – Foi a maior lição da minha vida, eu aprendi muito com as situações que vivemos no Paulista. Alguns atletas que vieram aqui não souberam entender nosso projeto. Foi uma decepção, mas acima de tudo uma grande lição. A gente montou uma equipe forte, mas com espírito fraco. E este espírito fraco preponderou no Paulista. Mas isto é passado, aprendemos muito com tudo que aconteceu no Paulista e hoje temos uma equipe comprometida com o projeto, forte tecnicamente, forte de cabeça e de espírito, seja nas vitórias ou nas derrotas.
Território LNB - Como você analisa a campanha da Liga Sorocabana até aqui no NBB?
Rinaldo Rodrigues - Uma campanha regular. A gente vem surpreendendo, tanto por algumas vitórias como por algumas derrotas. Nós sabemos que chegar aos playoffs é muito difícil, mas estamos trabalhando. O que eu não quero neste primeiro ano de NBB é perder de muito, acho que a gente tem que estar sempre incomodando os adversários, como fizemos na maioria dos jogos. A classificação aos playoffs neste primeiro ano é muito difícil e se a gente incomodar no campeonato eu já estarei satisfeito. No segundo ano aí já é diferente, em nossa 2ª temporada no NBB a gente vai em busca de coisas maiores.
Território LNB – Muitas pessoas que executam suas funções de forma apaixonada e com extrema dedicação são taxadas de loucas. O rótulo de louco te incomoda?
Rinaldo Rodrigues - Não, de forma alguma! Eu adoro ser louco porque eu amo o que eu faço! Minha família adora o basquete e sabe da importância que esse esporte tem pra minha vida. Eu acho que quando você gosta de uma coisa, não pode exagerar muito, mas eu me entrego de corpo e alma a esse projeto! Nunca visei benefício próprio, sempre o que quis foi devolver à sociedade o que o basquete me deu, trazer de volta o esporte de competição a Sorocaba, o esporte do sonho porque eu sou um sonhador. Hoje estou muito feliz e acredito que a Liga Sorocabana ainda vai crescer muito mais! Acho que todo mundo tem um pouco de louco, eu não fujo disso, não me importo de ser taxado de louco e até uso isso em meu favor como uma forma de marketing pessoal.
Território LNB – Sua postura dentro de quadra no NBB tem sido muito elogiada. Isto é fruto de um trabalho fora de quadra?
Rinaldo Rodrigues - Então, a gente está tentando respeitar. A LNB respeita muito o trabalho e a história de cada profissional e reconhece o esforço de todos nós aqui em Sorocaba. A arbitragem também está de parabéns no NBB, entendendo bem a nossa luta e respeitando o meu jeito de ser e trabalhar. Todos nós queremos o melhor para o basquete brasileiro, então cada um faz sua parte e respeita o outro, as cobranças existem, mas em forma de diálogo. A única coisa que sei fazer na minha vida é fazer basquete, então tenho que buscar melhorar não só no trabalho, mas também na postura. Eu acho que ainda tenho uma grande contribuição a dar para o basquete brasileiro, faço isto com muito amor e tenho muitas pessoas ao meu lado, me ajudando, me aconselhando. E o que estou tentando é seguir um caminho de evolução pra poder fazer um basquete cada vez melhor.
Território LNB – Quando o Mineiro foi anunciado como reforço da Liga Sorocabana, muita gente disse “ou eles se matam ou eles se casam”, em alusão ao temperamento, pra muitos, parecido ao seu. Você vê no Mineiro um novo Rinaldo?
Rinaldo Rodrigues – Logicamente que não, o Mineiro não é o Rinaldo mais novo. O Mineiro foi campeão brasileiro, sulamericano, paulista, já defendeu a Seleção Brasileira, o Rinaldo não chegou a tanto. No temperamento aí sim, ele se parece comigo. Inclusive é um trabalho que tenho feito com ele, explicar que nem sempre as coisas são como a gente acha que são e a gente tem que ter equilíbrio pra conseguir as coisas na vida. Ele é um cara novo que se identifica muito comigo e eu sempre falo pra ele, tem hora que a gente tem que contar até dez. O Mineiro é muito talentoso e eu acho que ele tem tudo pra se tornar o grande pivô brasileiro, eu acredito muito nisso. Ele tem basquete pra isso, tem talento, só falta agora se firmar e querer, porque não adianta que os outros queiram ou falem, tem que partir dele.
Território LNB – Queria que você falasse de duas pessoas que sei que foram muito especiais pra que você pudesse estar aqui hoje, o Tom Zé e o Marco Antônio Aga.
Rinaldo Rodrigues – Ah, esses dois são os grandes exemplos de luta da minha vida. O Aga me deu uma grande chance de aprender em Casa Branca. Ele na verdade foi o cara que deu o leite da minha filha, eu estava desempregado e ele me deu uma chance em Casa Branca. É uma situação parecida com a do Mineiro aqui em Sorocaba, como o Aga também é turrão, todo mundo achou que a gente ia brigar, mas o que aconteceu foi uma grande amizade. Aprendi muita coisa com o Aga, tanto no banco de Casa Branca como dentro de quadra, ele é um cara que faz parte muito forte da história da minha vida. Agora o Tom Zé é meu grande guia! Eu tento representá-lo da forma que ele sempre pensou o basquete, honestidade, seriedade, muito trabalho. Acho que vai ser muito difícil termos outra pessoa igual, uma pessoa que amava o basquete como ele. O Tom Zé também me ajudou muito, veio a Sorocaba, deu clínicas aqui, me ensinou demais. Cuidou do meu temperamento, me deu inúmeros conselhos, abriu muitas portas pra mim, hoje eu me lembro de muitas coisas que ele falava. Hoje ele ta lá em cima, mas sabe que faz parte de tudo isso que está acontecendo. Uma vez, quando dirigia o Araraquara e ia jogar contra Franca, ele falou que eu ainda ia ter o gostinho de ver o ginásio aqui de Sorocaba lotado e em diversos jogos aqui eu senti a presença dele comigo. Nosso sistema de jogo é baseado no dele, com pouquíssimas mudanças, é um grande guia pra mim. Quando você está lá embaixo, pouca gente estende a mão pra você e esses dois (Aga e Tom Zé) não me estenderam a mão, eles quase me carregaram no colo. Um dia o Aga me falou “Rinaldo, o pior é que você está chegando mesmo hein”, sou muito grato a esses dois, devo muito a eles. Meu sonho de consumo era ter esses dois como meus assistentes!
Território LNB – Pra finalizar, deixa uma mensagem pra torcida sorocabana.
Rinaldo Rodrigues – Não parem de torcer, nem mesmo nas derrotas. As dificuldades dentro de quadra são imensas, nossa torcida está aprendendo a levantar o time e hoje eles já são o nosso sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo jogadores! A gente conta demais com nossos torcedores e estamos muito satisfeitos com o que eles estão fazendo nesse NBB. Torcida é o fator fundamental no esporte, ninguém gosta de jogar em ginásio vazio e nós estamos trazendo um dos maiores públicos já na nossa 1ª temporada no NBB. Então eu e todos envolvidos no projeto estamos muito satisfeitos e só temos que agradecer à torcida sorocabana!
Imagens: LNB





Nesta quarta, 25 de janeiro, a equipe do Território LNB encontrou com o técnico 






































































































