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Léo Meindl é uma das joias da base francana. E na 2ª edição da LDB, além de todo talento, ele vem mostrando muita maturidade

Do talento de Léo Meindl ninguém duvida. ele é uma daqueles atletas que faz tudo bem. Com uma envergadura impressionante e uma condição física privilegiada, ele tem ótimo arremesso de média e longa distância, velocidade e um jogo de corte e infiltração fortíssimo, marca muito, tem boa visão e leitura e, acima de tudo, como um bom francano, entende perfeitamente o jogo.

Realmente um jogador completo que tem tudo pra dar muitas alegrias não só à torcida francana, mas a todos que gostam de um bom basquete.

Na 1ª edição da LDB Léo Meindl sofreu algumas críticas, não por seu jogo, mas pela atitude dentro de quadra.

Passado um ano, muita coisa mudou e é ótimo que estejamos vendo um outro Léo Meindl em quadra na 2ª edição da Liga de Desenvolvimento. Com o mesmo talento de antes, de sempre, mas com uma outra postura diante de seus companheiros e adversários.

Léo amadureceu muito neste último ano. Mais sereno, mais centrado, parece um veterano dentro de quadra. E além de toda sua qualidade técnica, vem mostrando muita liderança, o que o eleva a um patamar ainda mais alto como atleta.

Léo Meindl falou com o Território sobre LDB, NBB, a nova cara do time de Franca e seu amadurecimento como jogador. Pra conferir é só clicar no play!

Imagem: LNB
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Apesar da desclassificação na LDB, Cristiano Grama celebra a nova cara do Minas, um time de muita fibra e que não se rende nunca

Neste domingo, 10 de fevereiro, o Minas perdeu para o Bauru e deu adeus à chance de classificação na 2ª edição da LDB.

Apesar do resultado, o time mineiro deixou uma impressão muito boa a quem foi ao Pedrocão e isto não se resume ao bola e quadra.

Além do bom basquete apresentado e de contar com jogadores diferentes do ponto de vista técnico, essa equipe minastenista mostrou muita fibra, um time de alma que não se rende até o último minuto de jogo.

E este é um ponto que agradou particularmente ao técnico Cristiano Grama.

Por ter uma base societária de classe alta e média alta e oferecer a seus atletas uma estrutura bem além da realidade do esporte olímpico brasileiro, o Minas sempre foi apontado como uma equipe muito soft, formada por jogadores sem fome, meio pecho frio como dizem nossos hermanos argentinos.

Mas este time Sub 22 mostrou algo totalmente diferente disto, uma equipe de muchos huevos, para usarmos outra clássica expressão do esporte argentino.

Cristiano Grama falou sobre isto ao Território, mas não sem antes comentar a doída derrota para o Bauru, confira abaixo!

Imagem: LNB
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Danilo Fuzaro, do Minas, é um dos melhores defensores desta LDB. Com uma intensidade de jogo que impressiona, o cara quer chegar longe!

Danilo Fuzaro é um dos destaques do Minas na Liga de Desenvolvimento 2012/2013.

Com potencial pra se transformar em um dos melhores defensores do basquete brasileiro, Fuzaro impressiona pela intensidade com que joga dos dois lados da quadra e, como diz a molecada da LDB, o cara é zica!

Depois de sua passagem pelo basquete italiano, ele disputa sua primeira temporada no Brasil, estreando não só na LDB, mas também no NBB.

Fuzaro falou com o Território a respeito destes e outros temas, pra conferir é só clicar no play!

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Rolando Ferreira, 1º brasileiro a atuar na NBA, conta suas histórias basqueteiras no programa No Fusca Show

No Fusca Show é um programa de entrevistas independente, fruto de uma parceria entre a Caixote Filmes e a Plano 9 Audiovisual.

Nele, esportistas, artistas e celebridades são entrevistadas enquanto dão um rolê de fusca por Curitiba!

E no 19º episódio do programa o convidado foi o Rolando Ferreira, 1º atleta brasileiro a jogar na NBA!

Muitas histórias da terra do Tio Sam e da Seleção Brasileira, imperdível!

Vídeo: No Fusca Show
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Ives Costa fala do crescimento do basquete nordestino, da criação da Liga Nordeste Sub 22 e da tentativa de acesso do Vitória ao NBB6

A canção A Bahia Tem, do Trio Nordestino, que em sua formação original contava com ninguém menos que Dominguinhos, começa com o verso

Na Bahia tem, tem, tem
Na Bahia tem, tem capoeira e candomblé também

E com o crescimento da bola laranja no Nordeste, quem sabe daqui uns anos outro trio cantará que na bahia tem basquete também!

Ives Costa é conhecido no meio basqueteiro por ser um dos fundadores e presidente da Liga Nordeste.

Mas depois de 5 anos ele voltou a ocupar a função de treinador, à frente do Vitória/Faculdade 2 de Julho na 2ª edição da LDB.

Ives falou ao Território sobre a participação da equipe baiana na LDB.

Para nós do Vitória/Faculdade 2 de Julho participar da 2ª edição da LDB está sendo uma experiência muito gratificante, é uma competição de nível técnico excelente e um grande aprendizado para esses garotos.

Ele avaliou que tecnicamente seu time estava em um nível parecido aos demais do campeonato e o que pesou pros resultados não acontecerem foi a falta de intercâmbio.

Técnica e taticamente não vejo muita diferença da nossa equipe para as demais. O que pesa mesmo é o número de jogos. Nosso time fez 12 partidas pra chegar nesta competição enquanto temos equipes aqui que jogaram 50, 40 vezes no ano. Este é um problema do basquete nordestino como um todo, não só do baiano. Esta falta de intercâmbio fica muito clara com a evolução do próprio time dentro da LDB, a diferença entre a nossa 1ª e a última partida é nítida.

Ives também contou que, inspirada na LDB, este ano acontecerá a 1ª edição da Liga Nordeste Sub 22, que vai trabalhar esta questão de dar mais rodagem aos jovens atletas das equipes nordestinas.

Fechamos agora uma parceria com o Ministério do Esporte e no 2º semestre de 2013 lançaremos a Liga Nordeste Sub 22. Estamos seguindo os passos da Liga Nacional e criando mais uma competição pro momento de transição da base para o adulto, mas voltada apenas para o Nordeste. Esta competição será muito importante pra dar mais rodagem aos garotos, permitindo que eles atuem ao longo do ano e promovendo o intercâmbio no basquete nordestino.

Para fechar, Ives Costa falou sobre o desejo do Vitória/Faculdade 2 de Julho ingressar no NBB6.

Nós fomos campeões baianos invictos no adulto, o que nos credenciou a representar a Bahia na Copa Nordeste. Nesta competição brigaremos provavelmente com o Sport de Recife, que tem uma bela estrutura, mas conta com um material humano inferior ao nosso. Conseguindo a classificação para a Supercopa Brasil nossa ideia é conquistar uma das duas vagas para o NBB6.

Imagens: LNB e Liga Nordeste
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Dario Falco nasceu na Argentina e aos 8 anos mudou-se para o Brasil, onde começou a jogar basquete. Mas traz no DNA o jogo dos hermanos

O Londrina saiu da LDB sem nenhuma vitória, mas um jogador da equipe paranaense chamou a atenção daqueles que acompanharam os jogos em Brasília.

Dario Ivan Falco, armador rápido, com bom corte, possuidor de uma grande visão e entendimento de jogo. Forte na defesa, ele ainda mescla virtudes do basquete brasileiro e argentino.

Dario, de 20 anos, é argentino de Córdoba, a meca do basquete platense. Mas seu primeiro contato com a bola laranja aconteceu só no Brasil. Aos 8 anos seu pai foi transferido para São José dos Pinhais, no Paraná, e foi aí que ele começou a jogar, tudo porque sua mãe achava que eles estava um tanto às pachorras, como dizem os argentinos.

Ele conta um pouco deste início de vida no Brasil e no basquete.

Apesar de sua formação brasileira no basquete, Dario Falco teve a oportunidade de defender o clube mais vencedor do basquete argentino, o Atenas de Córdoba. Em 2008, aos 16 anos, ele fez alguns treinamentos no time cordobês e depois, já em 2011, chegou a ser testado pra valer no elenco verde, mas optou por voltar ao Brasil.

No Atenas o garoto teve a oportunidade de treinar e conviver, mesmo que rapidamente, com Facundo Sucatzky, ídolo do Minas e um dos principais armadores da história do NBB.

E embora a maior parte de sua vida basqueteira tenha sido vivida pelos lados de cá, ele não deixa de ver em si mesmo características do basquete e do povo argentino.

Depois de retornar do Atenas, Dario pensou em abandonar o basquete. Mas a LDB deu novo ânimo ao garoto.

Imagem: LNB
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Raul Togni Filho, técnico do time adulto do Minas, acompanhou atentamente os jogos da primeira fase da LDB em Belo Horizonte.

Raul Togni Filho, técnico da equipe adulta do Minas, acompanhou atentamente as partidas dos grupos C e D da LDB.

O treinador aproveitou os intervalos entre um treinamento e outro do time principal pra ver de perto o futuro do basquete brasileiro.

E se engana quem pensa que Raul só comparecia às arquibancadas da Arena Vivo pra ver apenas a garotada do Minas que compõe o elenco adulto do time de Belo Horizonte. Nada disto, Raul foi figurinha carimbada nos jogos da LDB em BH e viu tudo que pôde.

O treinador da equipe adulta do Minas falou ao Território da importância da competição sub 22.

Acho que a LDB é importantíssima em vários aspectos, principalmente por possibilitar a esses jovens jogadores que eles vivenciem situações de jogo no papel de protagonistas. Isto é essencial pro desenvolvimento do atleta, quando eles estiverem no adulto já terão passado pelo estresse de um fim de partida pegado, já terão a experiência de definir jogos e não sentirão tanto o peso de uma última bola.

Atento a todas as equipes que jogaram em BH nesta primeira fase, Raul Togni fala do Bauru como o time que mais impressionou.

A equipe do Bauru destoa das demais. São atletas muito fortes do ponto de vista físico e muitos deles com uma experiência já bastante razoável no adulto. Além disto tem bons valores individuais e um sistema bem definido, embasado em uma defesa muito forte e muito agressiva.

Raul também falou sobre a equipe do Minas nesta primeira fase da LDB.

Também gostei muito do time do Minas nesta primeira fase da LDB. A equipe mostrou muita intensidade defensiva, marcando por muitas vezes uma pressão sufocante na quadra inteira, além de muita qualidade ofensiva com alguns jogadores diferenciados do ponto de vista técnico.

Mas Bauru e Minas não resumem tudo que se viu de bom em BH na primeira fase da LDB.

Também gostei muito do Suzano, um time com dois jogadores diferenciados e muito bem dirigido. Achei uma equipe muito consciente do seu jogo, de suas virtudes e limitações. Paulistano e São José também são equipes de qualidade, com bons jogadores capazes de decidir jogos. E todos os times possuíam um ou outro bom valor individual, achei a competição de ótimo nível e, certamente, trará bons frutos ao basquete brasileiro.

Pra finalizar, Raul falou da importância do Minas receber a primeira fase da Liga de Desenvolvimento.

Pro clube foi sensacional receber a LDB! A base é o nosso norte, o Minas trabalha sempre apoiado nas ideias de formar e revelar atletas, então receber uma competição de desenvolvimento como esta tem tudo a ver com a essência do trabalho que é desenvolvido aqui. Nós temos por exemplo a Copa Minas, que já é uma competição tradicional do calendário de base brasileiro e sulamericano, então acho que a LDB também é um reconhecimento ao trabalho que desenvolvemos aqui no Minas.

Imagem: Território LNB
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Hermílio Nina, técnico do São Luís, fala da importância do intercâmbio propiciado pela LDB e conta os planos para o futuro do time

Uma das equipes que não disputam o NBB e que foram convidadas para a 2ª edição da LDB é o São Luís Basquetebol Clube, do Maranhão. Um projeto que nasceu em 2007  e que, no futuro, quer fazer parte não apenas da Liga de Desenvolvimento, mas também do principal campeonato de basquete do país.

Até aqui a equipe maranhense não conseguiu nenhuma vitória na LDB. Foram duas partidas e duas derrotas, mas o resultado é o que menos interessa como nos conta Hermílio Nina, técnico da equipe.

Sabíamos que seriam jogos difíceis e já esperávamos por estes resultados. Nosso principal objetivo aqui é o intercâmbio, é propiciar troca para que estes meninos possam evoluir. Este ano viemos com uma equipe bem jovem, a base é sub 19 e temos alguns garotos até do Sub 17. No Maranhão não temos a oportunidade de enfrentar equipes do eixo Rio-São Paulo, então estar aqui na LDB é um grande privilégio pra gente. A gente espera poder voltar e que no ano que vem possamos nos preparar melhor e trazer um time mais forte.

Ele conta como seu time chegou à LDB.

O convite foi feito pelo Lula Ferreira quando ele ainda era o Gerente Técnico da LNB, era uma ideia da Liga de, através da LDB, promover este intercâmbio com equipes de fora do NBB. O Paulo Bassul que o substituiu no cargo também nos deu todo o apoio e foi assim que entramos na LDB.

Hermílio credita à esta falta de intercâmbio o maior problema do basquete nordestino.

Com certeza a falta de intercâmbio é o maior entrave ao crescimento do basquete maranhense e nordestino. Na região já temos muita coisa acontecendo, Copa Nordeste, tem competições. Mas falta um intercâmbio maior com outras regiões do país e, principalmente na base. Esta troca tem que começar na base e bem cedo.

Ele também elogia os Brasileiros de Base da CBB e conta que o Maranhão estará na 1ª divisão em 3 categorias na próxima temporada.

Esse formato dos brasileiros de base ficou muito bom! Antes ele era regionalizado e acabava que as equipes que não avançavam jogavam apenas contra times de sua própria região. Hoje com a criação das divisões ficou bem melhor porque cada divisão tem seleções do país inteiro. Em 2013 o Maranhão terá 3 categorias na 1ª divisão. O Sub 17 e o Sub 15 que conseguiram o rankeamento neste ano e o Sub 14. Ainda não há um ranking do Sub 14, então como temos o Sub 15 e 17 na primeira, nosso sub 14 também começa na 1ª divisão.

Hermílio usa o time feminino do Maranhão que disputou a LBF como exemplo pra falar de como o Estado é apaixonado pela bola laranja.

Acho que o amor do maranhense pelo basquete é indiscutível. Maior exemplo disto é o time feminino que disputou a LBF, eu era delegado dos jogos em São Luís e toda partida era ginásio lotado, o menor público na temporada foi de 2500 pessoas.

O técnico também conta um pouco da história do São Luís Basquetebol Clube.

Em 2006 tivemos uma equipe do Piauí na Nossa Liga de Basquete, o Teresinense. Eu conhecia o Chiaretto Costa, que dirigia o time que tinha alguns jogadores maranhenses. Em 2007 montamos o São Luís para disputar a Copa NLB, que foi realizada no Guarujá, em São Paulo. Em 2010 começamos o trabalho de base e agora, a partir de 2013, teremos todas as categorias na base, desde o mini até o sub 19.

E pra finalizar, ele fala dos objetivos do time para o futuro cercano.

Nosso objetivo principal continuar fomentando o basquete maranhense, tanto na base como no adulto. Na base como te disse anteriormente, teremos todas as categorias a partir de 2013. No adulto queremos participar da Liga do Nordeste, da Copa Nordeste, conseguir uma classificação para Supercopa Brasil e, posteriormente, para a 2ª divisão do NBB que será criada na próxima temporada.

Imagens: LNB e Território LNB
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Arthur é um dos espectadores dos grupos de Brasília da LDB. O ala fala da competição e lamenta que em sua época não era assim

Quem está acompanhando os jogos da LDB na capital federal pôde notar um espectador ilustre na ASCEB.

Arthur, tricampeão do NBB pelo Brasília, é figurinha carimbada nas partidas da competição.

Como bom basqueteiro, fanático pela modalidade, ele não perderia uma competição deste nível em sua cidade.

Eu gosto demais, sempre que eu posso estou vendo jogo de basquete. E um campeonato deste nível, na minha cidade, eu tinha que vir prestigiar!

O jogador lamenta que em sua época não era assim.

Infelizmente na minha época não tinha este tipo de competição. Estou achando bem legal de assistir e te falo que dá até um pouco de inveja. Seria muito bacana se na minha época tivéssemos um campeonato assim no período de transição pro adulto. É um período complicado pro atleta, muitas vezes ele já tem condições de jogar, mas ainda não conquistou seu espaço no profissional.

Arthur ressalta que embora seja uma competição sub 22, não se pode usar o termo molecada com estes atletas.

Nem pode chamar esses caras de moleques. Já são companheiros de time ou rivais né. A maioria do time do UniCEUB treina e joga com a gente. E vi um monte de jogador que já enfrentei no NBB, alguns eu nem sabia que tinham 22 anos, muito legal.

O tricampeão do NBB acha que a LDB pode ajudar o basquete brasileiro criando rivalidades que extrapolam as fronteiras estaduais.

Uma das coisas mais positivas que vejo na LDB é este intercâmbio nacional. Na minha época de base era muito mais restrito, a gente praticamente jogava só Estadual, então não tinha essa rivalidade nacional nem o intercâmbio com outros Estados. Acho que a médio prazo essas rivalidades mais nacionalizadas podem ser muito positivas pro basquete brasileiro.

E outro ponto lembrado por Arthur é estender o período de base criando competições pro momento de transição.

Acho que aumentar o período de base pra 22 anos é muito importante. Na minha época muita gente parava de jogar com 19, 20 anos porque não arrumava time adulto. Com a LDB a gente consegue aumentar um pouco esta janela, propiciar mais lugares pra jogadores jovens que estão fazendo a transição pro profissional.

Pra fechar, Arthur fala de sua torcida pelo Brasília e da importância da capital federal sediar a competição.

Eu acompanho sempre o treino do nosso Sub 22 e estou torcendo muito pra eles! O time vem fazendo uma bela primeira fase e esperamos que possam dar prosseguimento à esta boa campanha. Também fico muito feliz por Brasília sediar uma competição tão importante, acho que dá ainda mais crédito para a cidade no cenário do basquete nacional.

Imagem: LNB
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Dusan Radivojevic fala sobre o início da carreira de treinador, os desafios no comando do Vitória e da admiração pelo vizinho Obradovic

Há 7 meses Dusan Radivojevic pendurou os tênis e resolveu iniciar a carreira de treinador.

Na 2ª edição da LDB o sérvio dirige o Vitória. É sua primeira competição oficial no comando da equipe e ele diz que, assim como seus atletas, está na Liga de Desenvolvimento para aprender.

Este é meu 1º campeonato como técnico. Preciso aprender muito ainda, mais até que meus próprios jogadores. Meu trabalho no Vitória está apenas começando, assim como a minha carreira. Neste começo criamos um programa de trabalho a médio e longo prazo, nosso objetivo é que em 3 anos figuremos entre os 8 principais times do país.

Dusan enfatiza que o objetivo do seu time na 2ª edição da LDB é aprender e evoluir.

Viemos pro campeonato com o time praticamente todo juvenil. São garotos bem abaixo da idade limite, a questão física pesa muito. Outra coisa que pesa demais é que no Espírito Santo não temos competições, nosso último jogo foi há mais de um mês, chegamos aqui sem ritmo nenhum de competição. Não estamos preocupados com resultado, nosso interesse é no intercâmbio, no aprendizado. Estamos muito felizes por estar aqui!

Ele também fala das dificuldades estruturais para desenvolver seu trabalho no Vitória.

É complicado, não temos por exemplo uma quadra pra treinar. Nos últimos meses venho implorando a diversas pessoas por um local de treinamento e até agora nada. Mas não sou de lamentar, mesmo com as dificuldades sigo animado, correndo atrás de condições melhores.

E Dusan também cita um aspecto pouco discutido no Brasil, a baixa formação educacional dos nossos atletas.

Outra dificuldade que tenho encontrado é em relação ao entendimento do jogo por parte dos atletas. E não só do jogo, mas a questão de entendimento e percepção de forma geral. Este é um ponto que abrange questões muito maiores que o basquete, mas nestes meses tenho percebido uma grande deficiência no sistema educacional, jovens que estudam pouco e, mais, que têm acesso a uma educação de baixa qualidade. E isto influencia de forma direta a formação do atleta. Uma pessoa que não desenvolveu amplamente suas capacidades cognitivas será um atleta que não entenderá o jogo em todas as suas nuances, que terá dificuldade para tomar decisões  e fazer boas escolhas dentro de uma partida. Uma educação melhor é fundamental para a evolução do basquete brasileiro.

Dusan está só começando. Mas ele vem de Cacak, terra que deu ao mundo do basquete uma de suas maiores lendas, Zeljko Obradovic, mítico treinador sérvio, 8 vezes campeão da Euroliga. Para se ter uma ideia, entre os times apenas o Real Madrid levantou 8 vezes o troféu da maior competição europeia. E Dusan realmente venera seu conterrâneo.

Eu fico até emocionado em falar do Zeljko. Não existem adjetivos que possam classificá-lo, é uma verdadeira entidade do basquete sérvio e mundial, um dos melhores de todos os tempos no basquete FIBA. Tenho uma grande admiração por ele e por tudo que fez, com certeza é meu grande ídolo e espelho no basquete. Tive a oportunidade de acompanhar muitos treinos dele na Sérvia, ele organizava excursões com seus times pelo país e fazia treinos abertos, era sensacional! Ele é um treinador e uma pessoa espetacular. Sempre fiquei admirado com o respeito que ele inspirava em seus atletas, sua palavra é lei para os jogadores que seguem sua disciplina quase militar, Obradovic é um mito!

O técnico do Vitória nos contou que não só vem da mesma cidade que Obradovic, mas que eram quase vizinhos.

Não somos só conterrâneos, éramos praticamente vizinhos. A casa dele ficava a mais ou menos duas quadras da minha. Infelizmente nunca pude ser treinado por ele porque ele estava em outro nível, mas nos conhecemos e isto já é um grande orgulho pra mim.

Mas Obradovic não é o único ídolo do treinador do Vitória na LDB.

Pra mim é impossível falar de basquete sem falar também de Dusan Ivkovic. Outro que faltam palavras pra descrever quão grande e brilhante. Na minha casa em Cacak tenho vídeos em vhs dos treinamentos dele na seleção pra Olimpíada de Seul, nossa, isso é um tesouro. É outro que é um grande norte pra mim.

Dusan Radivojevic também falou da possível parceria entre Vitória e Jundiaí.

Aguardo com muita expectativa o fechamento desta parceria com Jundiaí. Será um passo importante pra promover o intercâmbio que tanto falta pros nossos atletas. Ela está muito bem encaminhada, mas ainda não está fechada. Caso se confirme,colocaremos atletas  capixabas pra jogar o sub 19 e o sub 17 em São Paulo, isto vai ser muito importante pra evolução não só do Vitória, mas do basquete do Espírito Santo como um todo.

Dusan é um inconformado, no melhor sentido da palavra. Não satisfeito com o que tem visto em Vitória, o sérvio tem viajado pelo interior do Espírito Santo em busca de novos talentos para o basquete capixaba.

Na Sérvia onde você anda você vê alguém jogando basquete. Aqui já não é assim, mas o Brasil tem um potencial humano enorme. É um país muito grande, com muita gente e diversidade de biotipos. Como a dimensão não permite viajar por todo o país,tenho rodado o Espírito Santo. Outro dia conheci um garoto de 13 anos e 2m03 de altura. O pai dele tinha 2m10 e a mãe 1m80 e ele tava lá escondido no interior do Estado, provavelmente passaria sem que ninguém o conhecesse.

Pra finalizar, Dusan reforça que o objetivo do Vitória é, em 3 anos, estar entre as 8 equipes mais fortes do Brasil.

Queremos crescer, mas ainda precisamos de tempo. Criei um programa para que em 3 anos possamos estar entre os melhores do país. Hoje ainda não temos nem quadra pra treinar, nossos jogadores não possuem competições pra disputar, nossa realidade é esta, mas podemos mudá-la. O que não podemos é nos abraçar aos problemas e ficarmos somente lamentando. Se a situação é difícil então temos que ter criatividade e trabalhar ainda mais. O caminho é longo mas estou seguro que podemos alcançar nossos objetivos.

Imagem: Território LNB
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