
Há menos de uma semana, o basquete masculino brasileiro conseguiu assegurar seu retorno aos Jogos Olímpicos, competição que nossa Seleção não disputa desde 1996, em Atlanta.
E a conquista fez voltar à tona um nome que andava meio esquecido, COC.
É que 25% do grupo de jogadores que Rubén Magnano levou a Mar del Plata e garantiram a vaga olímpica foi formado no extinto projeto ribeirão pretano, uma das equipes mais vitoriosas da história do basquete brasileiro e que deixou sua marca.
Alex Garcia, Nezinho e Rafael Hettsheimeir começaram a vida de basqueteiro profissional no COC, assim como o ala Arthur e o pivô Paulão Prestes, que não foram ao Pré Olímpico, mas participaram da maior parte do período de preparação da Seleção Brasileira neste ano. Sem falar em Guilherme Giovannoni, que não foi formado lá, mas também passou pelas fileiras do Meteoro Azul, apelido pelo qual ficou conhecido o time de Ribeirão Preto.
A influência do projeto COC no atual basquete brasileiro é inquestionável, tanto que a base do Brasília, bicampeão do NBB, vem de lá. Como já dissemos, Alex, Nezinho e Arthur tiveram sua iniciação profissional em Ribeirão Preto e, além deles, Giovannoni e Cipriano também já defenderam a camisa azul e branca.
Outro time que também bebe bastante na fonte do COC é a Winner/Limeira que hoje possui 4 jogadores formados na base do time de Ribeirão Preto, Neto, Eric Tatu, André Bambu e Biro, sem falar no pivô Rafael Mineiro - aquele campeão do 2º NBB pelo Brasília – e que jogou na equipe limeirense na temporada passada.
Tiagão, do Joinville, Chico, do São José, Ricardo de Bem, que disputou o último NBB pelo Vitória, e Soriani, que estava na Liga Sorocabana, também foram formados nas divisões inferiores do COC.
Outros nomes importantes passaram pela base do time ribeirão pretano ou iniciaram suas carreiras profissionais ali, exemplos de Renato Lamas e Rafael Mineiro,
recentemente contratados pelo Pinheiros. Murilo Becker, do São José, é outro que já defendeu as cores do COC.
Um pouco de história
O COC surgiu em 1997, através de uma parceria com a Polti Vaporetto. E no mesmo ano de sua criação já conseguiu resultados expressivos, um honroso 5º lugar no Campeonato Nacional e o vice campeonato paulista, perdendo na final para o vizinho e arqui rival, Franca.
Em 1998, já sob o comando do Guerrinha, hoje técnico do Bauru, a Polti abandonou a parceria e nasceu, efetivamente, o COC/Ribeirão Preto. Neste ano a equipe ribeirão pretana alcançou a decisão do Campeonato Nacional. A série final contra o Franca foi alucinante, o COC chegou a abrir 2 X 0, mas acabou tomando a virada e amargando o vice campeonato, perdendo os dois últimos jogos em seu mando, mas não em casa, já que as partidas aconteceram em Araras, a 153 km de Ribeirão.
Em 2000, Lula Ferreira assumiu a equipe e implementou um novo sistema de trabalho, privilegiando não só a equipe adulta, mas principalmente o trabalho de formação de atletas. Começava aí uma nova era para o time de Ribeirão Preto. E os resultados não demoraram a aparecer.
Já em 2001 o time chegou a sua segunda final de Campeonato Nacional em 4 anos, mas foi derrotado pelo timaço do Vasco, 3 X 0 na série decisiva. Ainda em 2001, a equipe de Ribeirão Preto conquistou seu primeiro título paulista, batendo o Uniara na final. O time de Araraquara também seria o adversário na histórica decisão do Paulista de 2002 quando, mais uma vez, deu COC. O bicampeonato paulista teve um sabor pra lá de especial já que a conquista de 2002 aconteceu de forma invicta, incríveis 39 vitórias em 39 partidas.

2003 foi o ano do tricampeonato paulista e da consagração nacional. Na final do regional, o COC bateu o Corinthians/Mogi. E na decisão do Brasileiro a equipe de Ribeirão Preto bateu, por 3 X 1, aquele belíssimo time do Uberlândia que viria a ser campeão nacional no ano seguinte e sulamericano no posterior.
Em 2004 a dinastia regional foi confirmada pela conquista do tetra campeonato paulista, igualando o feito do Palmeiras – então Palestra Itália – entre os anos de 1931 e 1934. Neste Campeonato Paulista de 2004, o adversário do COC nas finais foi a Winner/Limeira.

No ano seguinte, o pentacampeonato regional foi alcançado ao bater o Paulistano na decisão. Foi a primeira vez na história do Campeonato Paulista que um time foi campeão de forma consecutiva em 5 anos seguidos. Entre 1947 e 1956, o Corinthians venceu 6 paulistas sucessivamente, mas não em 5 anos ininterruptos jé que, entre 1948 e 1950, e também em 1953, não houve disputa do regional mais tradicional do país.
Em 2006 o COC voltou às cabeças do Campeonato Nacional, chegando pela quarta vez em sua história à final da competição, mais uma vez contra o arqui rival Franca, a exemplo do que havia acontecido em 1998. Só que desta vez o Brasileiro não teve campeão, um dos momentos mais tristes da história do nosso basquete. Um imbróglio judicial interrompeu o campeonato durante sua série final e também acabou por sepultar o projeto COC, um dos mais vitoriosos da história do basquete brasileiro.

O retorno?
Nas últimas semanas, surgiram boatos de que o COC poderia voltar ao basquete.
A equipe de comunicação da LNB conversou com Chaim Zaher, proprietário do Sistema COC de Educação e Comunicação, que se mostrou realmente interessado no retorno.
Vejo hoje o verdadeiro basquete acontecendo no Brasil, um trabalho consistente e sério. Lamento não ter dado continuidade naquela época, mas fomos muitos agredidos e sacrificados pela antiga diretoria da CBB. Chegamos numa decisão de Campeonato Brasileiro – com todos investimentos pessoais, financeiros e esportivos – e não conseguimos disputar a final. O campeonato ficou sem um campeão e aí entendi que não tinha seriedade nem responsabilidade dos dirigentes daquela época; por isto optei por sair, lamentavelmente, do basquete. Mas fico feliz ao ver que os atletas revelados em nosso time estão se destacando na Seleção Brasileira e no exterior. Com essa estrutura e seriedade que vejo atualmente, penso seriamente em retornar ao basquete na próxima temporada.
Imagens: COC