Durante 16 anos procuramos justificativas. Derrota após derrota, apontávamos o dedo em busca de vilões. Os mais otimistas colocavam tudo na conta da sorte, ou do azar. Pensamos que 2000 era apenas um acidente de percurso. E acordamos todas as madrugadas com aquele sentimento de que poderíamos estar lá, que Sydney era logo ali. Em [...]
Durante 16 anos procuramos justificativas.
Derrota após derrota, apontávamos o dedo em busca de vilões.
Os mais otimistas colocavam tudo na conta da sorte, ou do azar.
Pensamos que 2000 era apenas um acidente de percurso. E acordamos todas as madrugadas com aquele sentimento de que poderíamos estar lá, que Sydney era logo ali.
Em 2004 já foi mais duro. Os jogos voltavam ao seu berço histórico e, mais uma vez, estávamos ausentes. Vimos nosso vizinho brilhar em Atenas pensando, se ele podem, por que a gente não? Uma inveja doída que hoje, só de pensar, constrange. E começamos a nos perguntar, por que?
Em 2008 o clima já era de depressão. Já não havia esperança ou, pelo menos se havia, era bem pouca, muito mais coisa de querença do que propriamente crível. Pequim era longe demais, grande demais para o tamanho que tínhamos atingido, um passo maior que nossas diminutas e atrofiadas pernas poderiam dar.
Ainda em 2008 desistimos da falácia da revolução e apostamos na evolução. E começamos a arrumar a casa.
Primeiro surgiu a ideia de que juntos somos mais fortes e com ela os clubes se levantaram. Os gigantes adormecidos deram as mãos e começaram a caminhar, todos juntos, na mesma direção. Eles determinaram que, daquele momento em diante, pensariam no todo, não mais em si próprios. Os campeonatos seriam decididos no solo sagrado da quadra, somente ali, por aqueles que calçam tênis e usam bermudões. Nunca mais no piso frio dos tribunais onde, o arremesso da vitória, é feito por engravatados que sequer parecem transpirar. O EU deu lugar ao NÓS.
Em 2009, a mudança aconteceu nos andares superiores. Depois de mais uma década, o poder mudou de mãos. Novas idéias, novas pessoas, novos desafios e um mesmo ideal, fazer renascer o amado esporte no Brasil. Revitalizar e reestruturar deixaram de ser apenas palavras no dicionário e tornaram-se norte.
2010 começou com a contratação do comandante rival, aquele mesmo que, em 2004, nos deixou com inveja do brilho dourado pendurado no peito dos hermanos. Muita gente chiou, outros tantos não se conformaram, mas o tempo mostrou que a opção havia sido correta, mesmo que em terras turcas o resultado não tenha sido aquele esperado. No mesmo ano os nossos comandantes se juntaram, se organizaram em busca de um sonho antigo, o aperfeiçoamento e a melhor formação.
Em 2011 foi a vez de fortalecer os alicerces da casa. Juntamos nossos meninos, nossas crias, nossas promessas. Passaram-se dias, semanas, meses, e eles lá, treinando. Vivenciando a formação de um grupo no sentido mais amplo que a palavra pode carregar. Em quadras letãs também não obtivemos os resultados que esperávamos, mas a bola que quicou por lá nos encheu de esperança.
E então veio Mar del Plata com seu vento incessante, a fúria atlântica carregada de memórias de um tempo em que os anéis olímpicos eram muito mais que sonho, que desejo, eram realidade.
Foi nesta terra, quase mágica, que começamos a reescrever a nossa história.
2012 ainda está por vir. E o futuro, como só ele, é carregado de incertezas.
Mas neste mundo cheio de dúvidas, de perguntas sobre os dias que ainda chegarão, uma coisa é líquida e certa, estaremos em Londres!
Jogadores, comissão técnica, diretores e, principalmente, todos os corações basqueteiros que tanto sofreram nesta década e meia, todos nós estaremos na capital inglesa em 2012!
E viva o basquete brasileiro!





























