A cinderela taiwanesa… A história de Jeremy Lin traz à tona um velho mal da humanidade, o preconceito.
Com a força de um terremoto, Jeremy Lin abalou as estruturas e o mundo da NBA.
Depois de vagar por Houston e por Oakland, sem nenhum sucesso, o filho de formosinos desembarcou em Nova Iorque com olhares de desconfiança e sem chamar a atenção, escondido entre fulgorosos nomes como Carmelo Anthony, Amar’e Stoudemire e Baron Davis.
Viveu perrengues, teve que dormir no sofá do irmão, comeu muito banco, passou pela Liga de Desenvolvimento e foi preterido pelo glorioso Toney Douglas. Mas seguiu treinando e esperando sua chance, mesmo que o mundo dissesse que ela nunca chegaria.
Mas um dia chegou. Depois da derrota pro Celtics e de um primeiro quarto terrível contra o Nets, Mike D’Antoni, sem muitas opções em função de diversas lesões no elenco, mandou o nerd de Harvard pro jogo.
Com 25 pontos e 7 assistências, Jeremy Lin revolucionou o cotejo e fez mais que fez mais que Iman Shumpert, Toney Douglas e Landry Fields que, juntos, somaram 13 pontos e 6 assistências. E assim começava a era da LINsanidade.

Foi desta forma que o desacreditado armador assumiu o também desacreditado New York Knicks, fazendo com que a franquia mais popular do basquete estadounidense passasse de 11 derrotas em 13 jogos para 7 vitórias consecutivas.
Nerd, estudante de Harvard e com olhos puxados, Lin teve que se impor em um ambiente completamente diferente do seu, um universo dominado por atletas celebridades que, em sua maioria, reforçam os estereótipos do estilo de vida
descolado e descompromissado, cool para usarmos uma expressão consagrada na Terra do Tio Sam.
Mas a LINsanidade expõe muito mais que apenas o choque de estilos de vida de atletas milionários e jogadores sem pouca ou nenhuma expressão. Traz à tona um velho assunto, em pauta desde que o homem deu os primeiros passos em direção ao que hoje chamamos de sociedade, o preconceito, esta velha mazela que assola a humanidade.
A discriminação está presente em todos os cantos, em todos os meios. Travestida nas mais diversas formas e intensidades. Pode versar sobre credo, nacionalidade, condição social, cor da pele, sexo e sexualidade, entre tantos outros temas. Mas independente de como se apresentam, os preconceitos, sejam eles quais forem, estão aí para segregar e dividir a humanidade, gerando ódio, tristeza e violência por todas as partes.
A condição técnica de Jeremy Lin é, hoje, indiscutível. O cara não só assumiu a titularidade do time mais popular do Estados Unidos, como revolucionou não só sua equipe, mas a NBA.
E aí a pergunta que fica é: Por que Jeremy Lin nunca havia sido aproveitado?
No Golden State Warriors chegou a jogar 29 partidas, mas nunca teve uma chance real. No time de Oakland não foi titular em nenhuma oportunidade e em suas 29 aparições somou apenas 284 minutos, o que dá uma média inferior a 10 minutos por partida. Com a camisa do Rockets jogou apenas 7 minutos em dois jogos de pré temporada e a equipe de Houston optou por ficar com Kyle Lowry, Goran Dragic e Jonny Flinn, dispensando Lin.
Nas duas últimas semanas, quando o mundo do basquete foi tomado pelo tsunami Lin-Sanity, dirigentes e corpo técnico das duas franquias deram declarações, quase se desculpando com torcedores e acionistas, sobre a dispensa do armador.
Outra questão que emerge: Se Lin – com sua velocidade, visão de jogo, habilidade e clareza na tomada de decisões - não fosse um nerd, tivesse estudado em Duke ou Syracuse e não fosse descendente de asiáticos, será que ele teria o caminho tão pedregoso na NBA?
Deixo a resposta pra vocês, leitores do blog.
Mas independente das opiniões, a mais nova cinderela do esporte estadounidense deixa algumas lições não só para o mundo do basquete, mas para todos. A primeira é que você, mais que ninguém, deve acreditar em si mesmo, por mais que tudo que está a sua volta diga que não vale a pena. E a outra é de não esmorecer nunca, que você deve estar sempre preparado para que, quando a oportunidade apareça, você possa agarrá-la de uma forma tão vigorosa que ninguém possa dizer que aquilo não lhe pertence, mesmo que você pareça um ser de outro mundo em comparação ao meio em que está inserido.
Não sabemos até quando durará, se por mais um jogo, por esta temporada ou por toda a carreira de Jeremy Lin. O que nos cabe é desfrutar a onda da LINsanidade dentro dos preceitos do poeta, que seja eterna enquanto dure!










