Porto Feliz é uma cidade do interior de São Paulo que, segundo o Censo do IBGE de 2010, conta com 48914 habitantes. E o que coloca este pequeno município a 112 quilômetros da capital paulista no mapa do basquete brasileiro? O abnegado trabalho de um amante da bola laranja que acredita na força do esporte como ferramenta de formação pessoal e inclusão social.

Em 1990 o professor Luiz Antônio Batista dos Santos, o Luizito, foi convidado para auxiliar o diretor Abel Cardoso e os técnicos José da Silva e Ricardo Gallo no projeto que desenvolviam na Escola Municipal Coronel Esmédio, em Porto Feliz.
Um ano depois, só Luizito continuava na escola e aí começa realmente a nossa história.
Nesta época, a quadra da escola Coronel Esmédio contava com duas tabelas e o então diretor, Vitor Previtali, conseguiu mais 4 tabelas de cimento para a parte externa. A partir daí foi como se realizasse o milagre da multiplicação.
Em 1994, a Secretaria de Esportes e Turismo de Porto Feliz, através do diretor Guido Chatel Stetner, doou mais 4 tabelas para a escola. Medida que foi seguida pelos senhores Eduardo Borin e José Maria Torres, responsáveis pela doação de mais duas tabelas móveis feitas de cano e pela instalação dos novos equipamentos do colégio.
Em 2006, um novo boom! 16 novas tabelas foram colocadas na quadra da Escola Municipal Coronel Esmédio. 10 vieram da Prefeitura de Porto Feliz, 4 da Joeval Indústria e Comércio de Artefatos de Cimento e outras duas de pais e amigos de jovens atendidos pela equipe do colégio.
Nesta época, a quadra da Escola Coronel Esmédio já contava com 22 tabelas internas, o que lhe valeu o recorde do Rank Brasil, e mais 6 externas.
No ano passado, a Metaltru trocou as 22 tabelas internas da escola. Do total de 28 tabelas, 26 possuem redinhas feitas com restos de coleira de cachorro, todas confeccionadas pelo professor Luizito.
Questionado sobre tantas tabelas para uma única quadra, Luizito responde com segurança:
É uma questão de lógica. Imagina se você tem um grupo de 10 pessoas para usar um computador, cada pessoa ficará 6 minutos no computador. Mas se você tem 10 computadores, cada uma das 10 pessoas poderá usar o computador por 60 minutos, o que tornará o aprendizado bem mais rápido! Utilizamos as tabelas para treinar os fundamentos. Antes, um grupo de jogadoras demorava cerca de 2 anos pra chegar em um estágio bom de fundamentos do jogo. Já com a nossa quadra com 28 tabelas, conseguimos reduzir este tempo para um ano.

Nestes 21 anos trabalhando voluntariamente na Escola Coronel Esmédio, de Porto Feliz, Luizito já atendeu 694 meninas registradas, mas o próprio técnico admite que, possivelmente, mais de 1000 garotas já tenham passado pela quadra do colégio. Atualmente, pela falta de apoio, principalmente em relação ao transporte das jogadoras, apenas 16 meninas, de 8 a 15 anos, participam do projeto.
Luizito também faz questão de mencionar a contribuição de Everton de Lima Silva, Sandro Ricardo Gonçalves da Silva, Eduardo Lima de Oliveira, Kayque Fernandes Valtre, Ricardo dos Santos e Humberto Francisco da Silva, pais, parentes e amigos de jogadoras do time da Coronel Esmédio que, nestes 21 anos de projeto, ajudaram com a instalação e pintura das tabelas, além do apoio incontestável à equipe.
Além do social, a equipe da Escola Coronel Esmédio também pode se gabar dos feitos esportivos. 3 atletas saíram da pequena Porto Feliz para defender a seleções brasileiras de base. Mariana, hoje com 16 anos e jogando na base do Americana defendeu a Seleção Brasileira Sub 15. Érika, de 18 anos, está na Seleção Brasileira Sub 19 e Monique, de 14, que defende a Seleção Brasileira Sub 16. Além das selecionáveis, outras meninas integram a base de alguns dos principais times do basquete feminino brasileiro, como nos casos de Júlia, de 16 anos, que está no Jundiaí; e Luciana, de 15, no Americana.
Embora tão exitoso, o projeto da Escola Coronel Esmédio passa por dificuldades. Os treinos acontecem de segunda a sexta, das 5 da tarde às 8 e meia da noite, e aos sábados, de 9 ao meio dia. Luizito conta que o maior problema para o desenvolvimento dos trabalhos hoje é em relação ao transporte das jogadoras:
Os treinos acabam tarde durante a semana e sem o transporte diário para as meninas fica muito difícil desenvolvermos o trabalho. Nosso projeto vive sua pior fase de 1990 em virtude da falta de transporte que leva as meninas às suas residências após o treinamento. Esse é o fator preponderante para que hoje contemos apenas com 16 meninas no time.
Pra quem estiver em São Paulo ou na microrregião de Sorocaba e quiser conferir de perto o projeto do professor Luizito, a Escola Municipal Coronel Esmédio fica na rua Ademar de Barros, número 120, centro de Porto Feliz.