#JOGAJUNTO

NBB

Danilo Fuzaro:Uma históriade superação

20-06-2020 | 01:19
Por Liga Nacional de Basquete

Jogador foi o convidado da vez na Live #BasqueteEmCasa e contou um pouco de sua trajetória, desde o início em LDB's até a ida para Europa e o retorno ao Brasil

O povo brasileiro é conhecido mundo à fora por sua persistência e o poder de resiliência, quando nos levantamos após todos pensarem que não teríamos mais força. Essa lógica facilmente se aplica na vida de Danilo Fuzaro, nascido no interior do Estado de Minas Gerais, na cidade de Uberaba, e que encontrou no basquete uma forma de vida.

Reforço do Mogi das Cruzes na última temporada do NBB, após dois anos atuando na Espanha (passagens por Breogán e Tau Castello), Fuzaro foi um dos grandes nomes da reestruturação do time mogiana que sofreu com perdas de peso, como JP Batista (MVP do NBB 2018/2019) e Shamell. Para se ter ideia, antes do cancelamento da temporada, o jogador estava com médias de 17,9 pontos, 4,3 rebotes e 2,3 assistências em 24 jogos.

Danilo Fuzaro foi um dos grandes nomes do Mogi na temporada 2019/2020 do NBB (Fotojump/LNB)

O jogador foi o último convidado da Live #BasqueteEmCasa, no Instagram do NBB (assista a entrevista completa neste link), onde contou a sua história no basquete e na vida, que nem sempre foi fácil. Rolou um papo sobre a ida para a Europa, perda da mãe, Draft e retorno no Brasil. Vale a pena conferir algumas dessas histórias. Se liga!

Da base ao profissional

“O jogador quando está em formação deve ter desafios, coisas que o incomodam, para ele não se estagnar. Assim que se cresce. Nesta fase, tive dois amigos muito próximos, o Coelho e o Léo Demetrio. Sempre nos apoiávamos, e quando jogávamos no Minas morávamos juntos. Já chegamos a acordar às seis da manhã para ir treinar e, em 2012/2013, começamos a aparecer no adulto. A LDB foi fundamental para isso (transição base/adulto), apesar de não termos vencido nenhuma edição”, disse o jogador, que completou:

“Cara, passa um filme na cabeça lembrando de todas as coisas, ainda mais por ter ficado por tanto tempo lá (Minas). Quase todo ano foi um técnico diferente, e por isso tive que me adaptar sempre. Foi um período difícil. Se tornar jogador profissional e se consolidar é muito difícil. Envolve esforço, consolidar imagem. A época do Minas foi muito boa, de muitos desafios e sem sombra de dúvidas fez eu ser esse jogador que sou hoje, assim como a pessoa que me tornei”.

Draft e o sonho com a NBA

No Minas em 2015, Fuzaro colocou e depois retirou seu nome no Draft da NBA (Divulgação/LNB)

“Em 2015, coloquei o nome do Draft e tirei. Inclusive foi uma jogada de marketing para tentar algo na Europa. Nessa época eu explodi, terminei os playoffs com quase 20 pontos de média contra o Macaé. Coloquei e acabou que a notícia foi boa, estavam me classificando como 31º. Na época, lembro que eu junto com o agente que eu trabalhava na época decidiu tirar o nome para tentar o 1º round no ano seguinte. Mas carreira de atleta é uma montanha russa e não dá para prever como serão as coisas”

“Acabou que não consegui jogar tão bem no ano seguinte, a expectativa em cima era alta pelo playoff que eu tinha feito, mas foi uma experiência bacana. Fiz alguns treinos, joguei o Adidas Nation, fiz alguns treinos. Foi muito bacana, cheguei a treinar com o Porzings, Myles Turner. No outro ano joguei com o Jaylen Brown, que tá no Boston. É uma experiência que fica marcada, porque poder estar treinando com essas caras, por mais que não deu certo ser draftado, foi algo bacana”.

Um mês aqui, é uma semana lá

“A rotina de ir para os EUA treinar é sensacional. Poder ir para lá e inclusive estar treinando com o pessoal da NBA. Os treinos lá, assim, é outro nível físico. Os caras lá querem te matar de tanto correr, arremessar. A forma física lá evolui muito. Um mês treinando aqui é a mesma coisa que uma semana lá. Para mim é essencial, dessa vez não vai dar para ir, mas é bem bacana. Fica a sugestão para quem quiser ir. É muito bom”.

Primeiros passos na Europa

“Meus dois primeiros anos na Espanha foram muito complicados. Fui para lá depois de três messes do falecimento da minha mãe. Cheguei empolgado, estava jogando bem, mas me machuquei logo nos primeiros jogos. Fiquei dois messes para voltar, mas não estava no meu melhor, não conseguia correr direito e tudo isso dificultou a adaptação. Mas um pouco do meio para frente comecei a jogar bem. Não tinha tantos minutos, porque o basquete europeu é diferente, não é o mesmo do brasileiro, o americano e até do italiano, que tem jogadores com média de 30 minutos por jogo. Lá, se joga 20, 25 no máximo. Essa adaptação de saber produzir mais em menos foi bem difícil também e lá o jogo é muito coletivo e tático. Não estando bem fisicamente foi um ano difícil, mas aprendi demais e consegui ser campeão. É bem difícil sair do seu país e conseguir se manter e, apesar de toda minha situação pessoal e profissional, foi um ano para mim sensacional”.

Dificuldades na Europa: um testemunho de fé

“Faltou Deus na minha vida, faltou Cristo. Foi uma época bem conturbada na minha vida (ida para Europa), especialmente por ter perdido a minha mãe. Coloquei o basquete em um lugar essencial para mim, que era tudo para mim, e acabou que nessa pressa de querer melhorar, ter resultados, meus planos foram sendo frustrados e acabei ficando triste. Faltou o essencial, que era Deus, que era Jesus na minha vida. Desde que cheguei em Mogi minha vida mudou completamente”.

“O basquete é importante para mim ainda, mas comparado com Deus ele não é nada. Isso é muito forte de escutar. Muitas vezes vamos levando a vida e colocamos nosso trabalho, bons contratos, nossos sonhos acima de Deus. Acho isso errado, pois ele é o centro de tudo. Foi isso que faltou para mim. Eu tinha planos, objetivos, queria mostrar coisas, e acabou que isso tomou um lugar na minha vida em que fui perdendo a felicidade, por estar frustrado, pelos planos não darem certo. Faltou isso”.

Uma nova história em Mogi

“Essa parte foi fácil (adaptação). Ninguém esperava essa adaptação tão fácil. Eu, particularmente, nunca joguei em um time que o ambiente fosse tão saudável quanto aqui. Isso facilitou demais nosso trabalho na quadra. A gente sempre se falava, tentava atacar os pontos fracos do adversário, e tudo que fazíamos era para tentar ganhar o jogo. Não existia o ‘vou jogar bem porque tenho que me mostrar’. Isso foi essencial porque fez as coisas fluírem. O que nos fez jogar tão bem era querer ganhar o jogo, lógico que também jogar bem, mas o bem do time estava antes do bem da pessoa, do jogador, o ego nunca tomou o lugar do time e isso foi sensacional. Nunca tive uma experiência tão boa assim”.

Mote da temporada: superação

“A temporada inteira foi uma temporada de superação. Começou e eu já perdi os dois primeiros jogos, com lesão também. Depois voltei, fui indo e aí o Alexey machucou, Fúlvio machucou, Gruber machucou. Assim, eles eram peças muito importante para gente. Tivemos que nos adaptar e, cara, não tenho nem o que dizer sobre a temporada, como cada um se entregou pelo grupo. Nossa equipe estava há pouco tempo junto e a forma como encaixou bem foi excepcional. O nosso relacionamento fora da quadra também foi bom, e isso nos ajudou bastante em pontos como a comunicação e na perseverança. Tivemos vários jogos que eram tidos como impossíveis de ganhar, inclusive aquele contra a Unifacisa, mas conseguimos chegar lá. Acho que isso é tudo fruto dessa comunicação e do relacionamento saudável que todos tínhamos”

“A pausa do Campeonato foi meio que uma rasteira. Estávamos bem, mesmo sem uma peça importante que tínhamos perdido, que é o Gruber (fora da temporada por lesão no LCA), mas estávamos bem. Mesmo com dificuldade, nós fazíamos bom jogos. É triste, mas temos consciência que foi algo necessário. Esse momento de pandemia ninguém da nossa geração viveu. É tudo novo, as pessoas estão se adaptando e agora é bola para frente, se adaptar e esperar para vermos como serão as coisas”.

O que você falaria para o seu eu do passado?

“Seja paciente e leia melhor o jogo. Treine mais. Cara, a evolução conta com tanta coisinha melhorada de pouco em pouco que eu poderia falar em cada ano para melhorar alguma coisa. Mas acho que é principalmente isso, de conseguir mostrar mais o meu jogo ofensivo. Sempre fui um bom defensor, mas também fui um pouco travado nessa parte ofensiva, talvez por medo de errar ou fazer alguma coisa. Falaria para jogar sem pressão. Quando jogamos uma partida sabendo que é um jogo que adoramos e que amamos, tudo muda. Falaria: se divirta porque passa rápido. Isso foi há seis, sete anos atrás, e tudo passa em um piscar de olhos”.