O Mogi das Cruzes/Helbor conquistou um feito histórico na noite desta sexta-feira. Mesmo diante de um Ginásio “Vô” Lucato inteiro jogando contra, a equipe do técnico Paco García fez a alegria de sua apaixonada torcida, que mesmo em menor número, apoiou o time mogiano incessantemente e teve grande parcela de contribuição na vitória sobre o Winner/Kabum/Limeira no Jogo 5 das quartas de final, pelo placar de 75 a 70.

Ao conseguir a classificação, o Mogi das Cruzes se tornou o primeiro 12º colocado na fase de classificação a chegar a uma semifinal de NBB. De quebra, por já estar garantido entre os quatro primeiros do campeonato, o time mogiano conquistou a inédita vaga na Liga Sul-Americana nessa nova fase do clube.

Os destaques do heróico triunfo mogiano ficaram por conta do armador Gustavinho, responsável por 20 pontos e cinco assistências, seguido pelo ala Filipin, com 13 pontos, e pelo armador norte-americano Jason Smith, que saiu do banco e anotou 12 pontos. O cestinha e principal nome do jogo, no entanto, veio do lado limeirense: o ala David Jackson, que deixou a quadra com largos 30 pontos.

“Esse é um presente para esse grupo, que acreditou desde o começo. A gente treinou muito, a gente se dedicou muito. E ainda, incentivado por uma cidade que adora o basquete, essa vitória, a conquista da vaga para a sul-americana, tudo isso é um prêmio para gente”, comentou Gustavinho.

Agora, na inédita semifinal, o Mogi das Cruzes terá ninguém menos que o atual campeão do NBB e da Liga das Américas, Flamengo. O primeiro jogo da série será nesta segunda-feira (12/05), no Ginásio Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro (SP), às 19 horas, com transmissão ao vivo através dos canais SporTV.

“Pensamos em um jogo de cada vez. Teremos só um dia de descanso, é muito pouco tempo. Conquistamos esse e garantimos a vaga na Liga Sul-Americana. Agora vamos voltar pra casa, relaxar, analisar os nossos erros para enfrentarmos a equipe do Flamengo”, analisou o pivô Daniel Alemão.

 

O primeiro quarto foi bastante agitado, muito por causa da atmosfera criada no Ginásio “Vô” Lucato, que estava de encher os olhos. Mesmo com ampla superioridade das defesas sobre os ataques, quem saiu na frente foi Limeira, que mostrou mão quente nos arremessos longos para vencer o primeiro quarto, por 19 a 16.

O time da casa voltou melhor para o segundo quarto. Liderados pela boa pontaria do norte-americano David Jackson, autor de nove pontos, a equipe comandada pelo técnico Demétrius Ferracciú chegou a abrir nove pontos de frente (33 a 24). Porém, nos minutos finais, Mogi fechou as portas na defesa e emplacou uma sequência de 9 a 2, e foi para os vestiários perdendo por apenas dois pontos, placar de 35 a 33.

A ida para os vestiários não freou a reação mogiana na partida. Com sete pontos consecutivos do armador Gustavinho, a equipe visitante retomou a liderança do placar e no jogo (40 a 37). A partir daí, a partida ficou extremamente movimentada e cada bola era comemorada como se fosse a última. E justamente na última bola, o jovem armador limeirense Deryk acertou uma bola do meio quadra no estouro do cronômetro e colocou o Limeira em vantagem antes da ida para o último quarto, o que incendiou de vez o Ginásio Vô Lucato (52 a 51).

A tensão tomou conta do período final da partida. Mesmo influenciadas pelo nervosismo e pela pilha da torcida, as duas equipes fizeram um último quarto de tirar o fôlego, digna de uma decisão. O Limeira chegou a abrir cinco pontos de frente (62 a 57), porém, essa diferença foi rapidamente tirada pelos mogianos (62 a 60). Os donos da casa se distanciaram e abriram seis pontos logo depois (68 a 62), mas a vantagem foi tirada em dois ataques e as equipes entraram no minuto final empatadas em 68 a 68.

Quando teve a bola em mãos, Limeira desperdiçou a posse e deu a chance dos adversários passarem à frente. Dito e feito. Mesmo com os 24 segundos estourando, o armador norte-americano Jason Smith acertou uma milagrosa bola de 3 pontos e deixou os mogianos em vantagem, com 29 segundos para o fim.

No ataque seguinte, os limeirenses novamente não aproveitaram seu ataque e a bola ficou novamente com o esquadrão do Alto Tietê (71 a 68). Após rápida falta sofrida, o pivô Daniel Alemão mostrou frieza nos lances livres e ampliou a diferença mogiana para cinco tentos (73 a 68), o que praticamente definiu o triunfo do Mogi. Depois de algumas trocas de faltas e lances livres entre os times, a torcida do Mogi das Cruzes fez a contagem regressiva e foi ao delírio com a histórica façanha alcançada pelo time.

“Fica um gosto bem amargo. Porque esse time é muito forte e nós tínhamos um sonho de chegar até a final. A nossa equipe acabou pecando nesses últimos três jogos”, lamentou o ala/pivô limeirense Teichmann. “Temos também que parabenizar o trabalho de Mogi, que tem muito mérito por ter vencido essa série”, completou.