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Nome ideal

31-08-2017 | 04:05
Por Liga Nacional de Basquete

Sempre envolvido com questões sociais, Alberto Bial é escolhido para ser Diretor do Departamento Socioambiental da LNB; confira entrevista exclusiva

Alberto Bial está sempre ligado a projetos e ações sociais (Divulgação)

Quem conhece Alberto Bial sabe que as questões sociais fazem parte de seu cotidiano. E não à toa o técnico do Solar Cearense foi apontado pela Liga Nacional de Basquete para ser o Diretor do recém-criado Departamento Socioambiental.

Aos 65 anos, Bial atuará no planejamento do cronograma a ser executado pelo novo departamento, que não só reforçará o programa de ações sociais e ambientais da LNB, como também trabalhará para aperfeiçoar todo o trabalho já realizado pelas equipes que disputam o NBB CAIXA. O treinador, inclusive, esteve na sede da LNB no início desta semana para iniciar os trabalhos na nova função.

“A LNB como sempre vanguardista e o basquetebol como sempre à frente de seu tempo. A preocupação socioambientalista chega em um momento bacana, em que a Liga completa uma década e o Brasil precisa usar esta ferramenta que é o basquete para se humanizar mais, para cuidar destes muitos erros, destas muitas falhas, destas injustiças sociais que nós temos, com milhões de pessoas na miséria e crianças sem oportunidades”, exaltou Bial.

“A gente tendo uma Liga tão forte e tão importante precisamos usar isto para de alguma forma sensibilizar as pessoas com uma questão tão importante como as crianças do nosso país. O Pelé falou isso quando fez o milésimo gol e meio século depois nós ainda estamos discutindo essa questão. Na questão ambiental a gente também anda para trás, eu não vejo a gente caminhando para frente”, completou.

A função de Bial será orientar e aprovar todas as ações propostas pela coordenadora do departamento, Talita Guandalini, que atuará no dia-a-dia da LNB, dentro do escritório. Mesmo que à distância, o treinador do Solar Cearense terá papel fundamental para propagar todo o trabalho socioambiental a ser feito.

“Nós temos uma guerreira, que é a Talita, organizando e levando esta proposta aos clubes, e que os clubes realmente vão se mobilizar da melhor forma para que a gente possa dar essa contribuição ao país”, disse Bial.

“Eu como técnico, como diretor da questão socioambiental, sou só uma parte. Cada um de nós, técnicos, dirigentes, jogadores, temos uma parcela nisso, e precisamos ser menos violentos, buscar a paz e a elevação do nosso planeta, para que a gente possa cuidar da nossa casa, o planeta Terra. Então, é despertar essa consciência nas pessoas, de que você pode fazer do mundo um lugar melhor”, completou.

Técnico do Basquete Cearense, Alberto Bial fará trabalho de voluntário na função de Diretor Socioambiental da LNB (João Pires/LNB)

Confira a entrevista completa com Alberto Bial:

LNB: A parte sócioambiental é uma grande preocupação sua e que queria que você comentasse sobre a importância da LNB ter algo próprio e estar sempre enxergando isso como uma forma de disseminar o basquete.

Alberto Bial: “A LNB como sempre vanguardista e basquetebol como sempre à frente de seu tempo. A preocupação socioambientalista chega em um momento bacana, em que a Liga completa uma década e o Brasil precisa usar esta ferramenta que é o basquete para se humanizar mais, para cuidar destes muitos erros, destas muitas falhas, destas injustiças sociais que nós temos, com milhões de pessoas na miséria e crianças sem oportunidades. A gente tendo uma Liga tão forte e tão importante precisamos usar isto para de alguma forma sensibilizar as pessoas com uma questão tão importante como as crianças do nosso país. O Pelé falou isso quando fez o milésimo gol e meio século depois nós ainda estamos discutindo essa questão. Na questão ambiental a gente também anda para trás, eu não vejo a gente caminhando para frente. Podemos ver na troca de presidentes nos Estados Unidos, quando a gente havia dado um passo com o Obama e agora retrocedemos com o Trump. Mas isso não é nosso problema, nosso problema são os clubes que vão se unir mais ainda por uma questão ecológica e a gente, como organização, temos que fazer um pouco, e este pouco que a gente vai fazer já me faz muito contente em fazer minha contribuição, que é pequena. Nós temos uma guerreira, que é a Talita, organizando e levando esta proposta aos clubes, e que os clubes realmente vão se mobilizar da melhor forma para que a gente possa dar essa contribuição ao país”.

LNB: Quais os principais ganhos não só para LNB, mas para o basquete e para comunidade brasileira, em começar a pensar mais nesse lado, em organizar ações próprias?

Alberto Bial: “Eu acho que o basquete, a LNB e a comunidade brasileira têm que pensar em ser menos violentos. A violência ainda está presente em algumas ações, em alguns espetáculos, em alguns jogos e os jogos são espetáculos que influenciam a ação da sociedade em geral. A sociedade é violenta. Existem regiões do país que são tomadas pelo mal. A gente que fazendo jogos bonitos, fazendo grandes espetáculos a gente pode diminuir isto e cumprir com seu dever. Eu como técnico, como diretor da questão sociombiental, sou só uma parte. Cada um de nós, técnicos, dirigentes, jogadores, temos uma parcela nisso, e precisamos ser menos violentos, buscar a paz e a elevação do nosso planeta, para que a gente possa cuidar da nossa casa, o planeta Terra. Então, é despertar essa consciência nas pessoas, de que você pode fazer do mundo um lugar melhor. Eu demorei para expandir a minha consciência, e a partir do momento que eu fiz isso eu também mudei as pessoas do meu lado e isso é um processo para influenciar positivamente à todos”.

LNB: Desde que você chegou no Basquete Cearense tem sido uma preocupação muito grande do time estar sempre realizando este tipo de trabalho. Como você o envolvimento da população do Ceará e o quanto isso fez com que a comunidade se aproximasse ainda mais do time?

Alberto Bial: “A gente tem proximidade com alguns projetos sociais, como o Hospital Peter Pan, de crianças com câncer, é uma tristeza. A gente dá um apoio e isso mexe com os nossos jogadores, faz com que eles se mobilizem a ir uma vez por mês visitar as crianças, eu sempre faço palestras lá. Eu acho que isso sensibiliza os nossos atletas e expande a consciência deles, mudando a conotação de cidadão daquela cidade em que eles vivem. Os nossos projetos de escolinhas são bacanas porque ensinam as crianças a jogar basquete e eles vão aos jogos e vêem nos atletas os seus ídolos, os exemplos deles. Isso é muito bom porque aquelas crianças que moram nas comunidades próximas à Praia do Futuro, elas têm nossos atletas como referências e isso é exemplar. O Davi (Rossetto) é uma referência hoje tanto em Fortaleza quanto no Ceará, e a gente quer levar um sorriso ao povo cearense. A nossa missão dentro do Solar Cearense é levar sorriso ao povo cearense. A gente só alcança isso lutando, fazendo boas ações, dando bons exemplos, jogando bem o basquetebol, jogando com garra, e essa responsabilidade é social, é ambiental, é da forma como nós nos conduzimos. Com isso precisamos abdicar de algumas ações que tínhamos anteriormente, nos educando e ajudando a educar estas crianças e este povo que a gente aprendeu a amar. O povo cearense. Um povo guerreiro, que a gente cuida como cuida dos nossos filhos”.

LNB: Como você que é técnico, e está preocupado com a quadra, consegue lidar com estas questões extra-quadra, executando tanto o cargo de treinador, como o de Diretor Socioambiental?

Alberto Bial: “A questão de ser técnico é sempre maior. Quando eu era mais jovem, eu fui assistir a uma palestra motivacional e alguém falou para ele que não tinha tempo para fazer estas coisas. Ele respondeu disse que essa desculpa é muito esfarrapada, porque ele era hemofílico, soropositivo e tinha tempo para tudo. Naquele dia eu fui tocado por aquelas palavras e nunca me faltou tempo para nada. Eu tenho tempo para dirigir meu time e cumprir com o resto. Eu não fico vendo Sessão da Tarde, hoje até tiro meu cochilo depois do almoço, aqueles 15 minutos são básicos para mim, mas eu estou como 65 anos, não sou mais uma criança, mas a gente tem tempo para tudo. Eu preparo meus treinos, vejo os cursos que preciso ver, vejo o Synergy, dou meus treinos e vou validar a questão sócio-ambiental. Eu não sou diretamente quem vai atuar. A Talita é quem é a operária, que vai colocar a mão na obra, quem é a principal articuladora disso. Eu posso ser a pessoal que vai criar as idéias, quem vai correr atrás de captação. O meu tempo para questões humanitárias e para questões ambientais nunca vai faltar. Eu tenho 24 horas no dia, 365 dias por ano para cuidar de gente, para cuidar do meu planeta e não vai faltar tempo para nada”.

LNB: Como você vê toda a comunidade do NBB CAIXA, jogadores, técnicos, dirigentes, o quanto eles vão estar inseridos nesse projeto?

Alberto Bial: “Isso é muito importante. Dirigentes, árbitros, técnicos, jogadores, vocês têm que multiplicar isso. Vocês têm uma responsabilidade de fazer um momento de mudança de mentalidade com o basquetebol, para que possamos ser um pouco melhor a cada dia. A gente tem uma sina que é evoluir. Nós precisamos evoluir se não nós retrocedemos e pioramos. Nós não podemos mais andar para trás. Precisamos cuidar daqueles que precisam, cuidar das injustiças sociais e prevenir que faltem coisas básicas para nossa vida, como água, o nosso oxigênio, combatendo a poluição. Pequenas coisas fazem diferença, como aquele copo de plástico que se usa no treino. Usando um copo só durante todo treino, um coisa básica e simples que podemos fazer, já faz uma enorme diferença. Um técnico que explica isso para os seus jogadores, vai levar os jogadores a multiplicar isso com seus fãs e assim por diante. A questão é massificar, multiplicar e ser bom, plantar o bem. É isso que a gente quer”.