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NBB CAIXA

Voaramalto

27-04-2018 | 06:21
Por Liga Nacional de Basquete

Com classificação inédita nos playoffs e recorde de público, Carcará fez grande temporada no NBB CAIXA 17/18

Suor até o último segundo, foi assim que o Solar Cearense se despediu do NBB CAIXA 17/18. Em uma campanha histórica, o time nordestino pela primeira vez venceu uma série de playoffs e ainda teve os dois maiores públicos presentes nesta temporada, no grande Ginásio Paulo Sarasate.

Em uma fase de classificação cheia de altos e baixos, o time comandado por Alberto Bial encontrou seu melhor basquete na reta final da competição, com vitórias importantes, como contra o Sendi/Bauru Basket (81 a 80), na jogada espetacular de Paulinho Boracini, e diante do Sesi/Franca Basquete (75 a 73).

“Principalmente para nossa equipe, que não tem campeonato estadual, o planejamento é feito para jogarmos nosso melhor basquete em fevereiro e março. Eu acho que isso a gente conseguiu fazer. Nosso melhor basquete foi jogado em fevereiro, em março foi o auge da nossa confiança para depois vencer uma série inédita de playoffs. É óbvio que vai ter altos e baixos em um campeonato longo, mas o saldo é excelente. É necessário avaliar o que teve de bom e o que teve de ruim. Quando você quer construir uma casa sólida, você vai colocando tijolo por tijolo e acho que nesta temporada a gente colocou mais um destes tijolos, para que o Basquete Cearense como projeto seja cada vez mais sólido e não uma coisa esporádica, que acontece em um ano e no outro ano não. Precisa ser algo contínuo, de evolução e acho que foi mais um passo nesta direção”, analisou Davi Rossetto, armador e capitão do Basquete Cearense.

Nos playoffs, o Basquete Cearense começou tropeçando dentro de casa para o EC Pinheiros, com derrota por 82 a 73. Porém, o Carcará não se abateu e deu o troco na capital paulista, com duas vitórias expressivas, por 64 a 60 e 75 a 62. Novamente em casa, o torcedor cearense fez um espetáculo bonito, para que a equipe fechasse a série no Jogo 4, por 3 a 1, alcançando sua primeira vitória em uma série de playoffs na história do NBB CAIXA.

“Eu vejo de uma forma muito positiva esta temporada, realmente. Nós começamos a temporada com muitos questionamentos, nós não conseguíamos jogar bem, não conseguíamos encaixar o time, os dois americanos que vieram não se encaixaram com a gente no estilo de jogo. Aí o (Alberto) Bial resolveu enxugar o time e quando a gente conseguiu achar uma forma de jogar, o (Bruno) Fiorotto se machucou, perdemos ele para a temporada, e a gente teve que aprender a jogar com quatro caras totalmente abertos e só o Léo (Waszkiewicz) de grande. Quando conseguimos achar uma forma de jogar bem legal, ganhamos a série contra o Pinheiros, jogando de uma forma muito consistente, a gente teve o baque de perder o Paulinho (Boracini), no Jogo 1 da série contra o Paulistano”, analisou Betinho.

Diante do Pinheiros, o Basquete Cearense venceu sua primeira série de playoffs na história do NBB CAIXA (Stephan Eilert/Solar Cearense)

Com a vaga nas quartas de final, o Basquete Cearense foi encarar justamente o arquirrival de sua ‘vítima’ anterior, o Paulistano/Corpore, equipe com a segunda melhor campanha da fase de classificação.

Logo na primeira partida da série, a torcida cearense deu show e registrou o maior público do NBB CAIXA 17/18 até então, com 7.220 espectadores presentes. Em uma grande atuação defensiva, o Basquete Cearense conseguiu segurar o forte ataque do Paulistano e venceu, por 72 a 67.

Na viagem a São Paulo, o Carcará fez duas partidas muito equilibradas. No Jogo 2, depois de chegar a estar perdendo por 00 pontos, a equipe nordestina fez um grande trabalho de recuperação e quase reverteu o placar, mas acabou derrotada por 93 a 89. Já no terceiro duelo, o Basquete Cearense não encontrou seu melhor basquete no segundo tempo e acabou vendo o Paulistano abrir vantagem nos minutos finais, terminando derrotado por 79 a 68.

Perdendo a série por 2 a 1, o torcedor Carcará mais uma vez deu um show no Ginásio Paulo Sarasate. Com 9.057 presentes, a equipe nordestina superou seu próprio recorde e restabeleceu a maior marca da temporada no quesito.

Porém, dentro de quadra a noite não foi nem um pouco mágica. Após um primeiro tempo de domínio absoluto do CAP, com vitória por 47 a 17, o Basquete Cearense até tentou reagir na segunda metade, mas viu o time da capital paulista ampliar ainda mais a diferença e fechar a série com maior vitória da história dos playoffs do NBB CAIXA, por 98 a 57 (41 pontos de diferença).

“Bem ou mal a gente não conseguiu uma resposta para a falta do Paulinho. Ele é um cara totalmente diferente dos outros, até de todo campeonato. Ele é um cara totalmente imprevisível, e quando o time sabe jogar com um cara desta forma, é muito difícil de ser marcado. Nós sentimos muita falta dos dois, pois são caras inteligentíssimos, experientes, que fariam muita diferença para nós nos playoffs. Com tudo isso, a gente chegou no Jogo 4 contra o Paulistano, fizemos dois jogos muito bons em São Paulo, com chances de vitória no primeiro. Nós temos que sair de cabeça erguida, é muito orgulho passar por tudo que a gente passou de coisas ruins e o time acabar tomando 40 pontos de diferença no último jogo, mas saindo unido de quadra como saímos”, completou o ala do Carcará.

Ginásio Paulo Sarasate

Apesar do resultado negativo amargo e expressivo, o saldo é positivo para a equipe nordestina. Em sua quinta participação nos playoffs, o Basquete Cearense conquistou sua primeira vitória em uma série e a expectativa e de dar saltos maiores nas próximas temporadas.

“A trajetória inteira, desde o início, ela foi um percurso com muitos percalços. Nós apostamos em dois norte-americanos pelo que tínhamos como recursos, dois jovens de 22 anos, e eles não se adaptaram a situação. Eles nunca haviam saído dos Estados Unidos e sofreram muito com a nova casa, não se adaptaram e saíram, deixando um buraco na equipe. Mesmo assim nós conseguimos nos adaptar. O Bruno (Fiorotto) vinha fazendo uma temporada muito boa e teve esta lesão. Mesmo assim a equipe conseguiu seguir em frente, através de um trabalho coletivo, com cada um sabendo a sua tarefa e obrigação. Evoluímos e nas últimas partidas da fase de classificação e playoffs jogamos um grande basquete. Hoje, no último jogo, a gente não jogou bem. Mas fica um trabalho de grande envolvimento, jogando limpo, atraímos um grande público, atraímos as crianças para as escolinhas de basquete, e o que o Basquete Cearense preza não é só pelo time adulto. Nós prezamos pela formação de atletas, pelo trabalho social, então tivemos muitas vitórias e muitas conquistas durante esta temporada”, disse Alberto Bial, técnico da equipe nordestina.

“A avaliação agora vai ser feita com muito cuidado. A busca por recursos. O trabalho para próxima temporada já começa amanhã. É muito duro, tira um chão de baixo, porque eu não sou só um técnico. Eu vou para Las Vegas, eu vou para Europa buscar novamente uma reciclagem, mas tem que correr atrás da gestão, da capitação, sempre precisa reformular alguma coisa na área técnica. Mas fica um reconhecimento do povo cearense, das pessoas  que trabalharam com a gente e bons ensinamentos, boas lições. Apesar de não termos conseguido chegar aonde almejávamos, que era na fase semifinal, a gente saí orgulhoso e com o peito estufado, de que cumprimos a nossa missão”, finalizou Bial.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), em parceria com a NBA, e conta com o patrocínio master da CAIXA, os patrocínios da SKY, INFRAERO, Avianca, Nike, Penalty e Wewi e os apoios do Açúcar Guarani e do Ministério do Esporte.