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Mães superpoderosas

12-05-2024 | 12:53
Por Gustavo Marinheiro

Nesta data tão especial conheça histórias de personagens que engrandecem o basquete brasileiro e possuem conquistas além das quadras

Por trás dos grandes personagens do basquete brasileiro sempre existe uma base de confiança e segurança. Parte da formação dos atletas passa pelas suas relações familiares. Todo esse apoio é essencial para construir os feitos que conhecemos, mas hoje contaremos essas histórias de uma outra perspectiva, do ângulo de grandes (ou superpoderosas) mães, que contam com vitórias em suas vidas pessoais e continuam como protagonistas em suas áreas. Neste domingo (12/05), Dia das Mães, a Liga Nacional de Basquete traz o relato de Shirley Basílio, Dandara Almeida e Nicole Pappon, grandes mães que fazem parte do nosso esporte.

Shirley Basílio

Formada em economia, Shirley passou mais de 40 anos na mesma empresa, atuou como contadora e se destacou na área. Graças a sua liderança e evolução no cargo, ela recebeu diversas oportunidades de estudo em pós-graduações e MBAs, se tornando referência também na luta contra o machismo e o racismo nas grandes corporações. Mãe de Gu Basílio, jogador do R10 Score Vasco da Gama, a ex-contadora reforçou o seu apoio aos estudos dos filhos, ao mesmo tempo em que eles seguiam o sonho do esporte.

“Sempre deixei claro a importância dos estudos, eu mesmo foquei nisso antes de pensar em ter filhos. Queria dar uma vida justa e confortável para eles, então é claro que sempre cobrei os três. Hoje eu tenho orgulho de dizer que todos os meus filhos são formados”, afirmou Shirley.

Família Basílio nas festas de final de ano (Arquivo Pessoal Shirley)

Hoje, já aposentada, Shirley continua com um trabalho de consultoria, mas prefere focar no cuidado dos netos e na constante presença de sua família, mas graças as suas conquistas na antiga empresa, se tornou uma referência no cargo. Logo depois que se aposentou, ingressou no Conselho Regional de Economia, além de ter sido convidada para escrever um artigo falando sobre sua trajetória profissional enquanto mulher preta.

“Escrevi a respeito da dificuldade que enfrentei durante essa minha caminhada. Se hoje é difícil, imagina lá atrás? Além disso, dei uma palestra também falando sobre essa questão da diversidade. O apoio da minha família foi necessário para chegar nesse ponto. Eu lembro que o momento do Gu que eu mais comemorei foi na final do Paulista, quando ele foi campeão com o São José. Quando recebi essas honrarias, foi a vez dele comemorar e me apoiar. Foi quando eu vi os papéis se invertendo e ele quem estava na torcida”, relembrou.

“Minha mãe é forte e guerreira. Sempre colocou a família em primeiro lugar, sempre batalhou para que conseguíssemos chegar longe, então fico orgulhoso com cada conquista. Ela é uma inspiração para todos nós”, disse Gu Basílio.

Dandara Almeida

Natural de Minas Gerais, Dandara chegou na maior metrópole do Brasil aos 12 anos. Sempre ligada ao mundo da arte, se tornou Produtora Cultural em São Paulo, onde foca na gestão da Casa Cultural de São Matheus, um bairro da Zona Leste. Hoje, também faz parte da produção e curadoria de diversos eventos na cidade, como a Virada Cultural e o Mês do Hip-Hop.

Aos 18 anos, se tornou mãe do seu primeiro filho, o Lucas Cauê, hoje pivô do Corinthians. Para eles, desde sempre, passou os seus gostos e ensinou sobre o mundo da música e da arte. O próprio jogador comentou sobre a influência da sua mãe em seus gostos pessoais. “Acredito que mais de 90% do que sou, puxei da minha mãe. Dividimos nossa personalidade em tudo, desde o estilo, o que gostamos de comer, o que gostamos de vestir e principalmente o que gostamos de ouvir. Tudo foi ela quem me ensinou”, afirmou Lucas Cauê.

Dandara Almeida ao lado de pôsteres que trazem a imagem de Lucas Cauê (Arquivo Pessoal Dandara)

A relação entre mãe e filho sempre foi muito próxima e se expandiu para além do lado educacional. Ainda novo, quando ingressou no basquete, Dandara era a principal parceira do Lucas nos rachões do bairro.

“Ele era muito novo quando começou a jogar basquete. Chegávamos no parque e os meninos mais velhos não queriam deixar ele jogar, então eu falava pra eles ‘tá bom, vai ser nós dois contra vocês'”, disse a produtora cultural. “Arranhava todo mundo, nem sabia jogar direito, mas estava lá apoiando meu filho. Hoje, nós dois levamos muitas dessas amizades para as nossas vidas. Tenho certeza que fez parte da construção dessa ótima relação que temos.”

Nicole Pappon

Nicole em seu ensaio para a Forbes Under 30 – Categoria Marketing & Publicidade (Forbes Brasil)

O pai foi jogador de polo aquático, a tia foi jogadora de vôlei, o tio-avô, Amaury Pasos, foi um dos maiores jogadores de basquetes da história, mas, mesmo nascida em uma família povoada por atletas, Nicole decidiu buscar o seu lugar ao sol em outra área. Formada em publicidade e propaganda, em 2022, criou a Grapa Digital, uma agência de marketing e influência que conta com um núcleo de funcionários pautado na diversidade, sendo 90% mulheres e 25% pessoas LGBTQIAPN+.

 

“A agência cresceu 400% no ano, consegui crescer bastante no meu nicho e, no último ano, fui premiada com a seleção para o Under 30 da Forbes. É um tipo de reconhecimento que eu nunca esperava conseguir atingir. Quero seguir nessa pegada, quero crescer e quero cada vez mais me aproximar do esporte. Já tivemos diversas ações com jogadores e influenciadores de basquete, mas quero que isso seja cada vez mais comum”, afirmou Nicole.

Mesmo se distanciando da carreira esportiva, Nicole seguiu com uma presença muito constante no cenário do basquete brasileiro profissional, afinal, conheceu seu marido, o Alex Doria, ala/pivô do Paulistano/CORPe, quando ainda tinha 15 anos. Desde então, mesmo lidando com suas questões pessoais e profissionais, continuou apoiando e se fazendo presente na torcida. Porém, foi no Jogo das Estrelas de 2024, no Ginásio do Ibirapuera, que essa relação mais chamou a atenção do público.

Alex Dória comemorando a enterrada com seu filho, o Jack Johnson (João Pires/LNB)

Alex é presença constante no Torneio de Enterradas, mas, na edição deste ano, ele resolveu inovar. Em sua primeira enterrada, o ala/pivô decidiu saltar o irmão Lucas Dória, de 2.03, que segurava o seu filho recém-nascido, o Jack. No final das contas, deu tudo certo, o jogador conseguiu concluir a sua enterrada e ainda por cima passou para a próxima fase, protagonizando uma das cenas mais marcantes do evento. Mas é claro que, apesar da festa, o pensamento de muitos presentes era com relação ao o que a mãe da criança estava achando de toda essa situação.

“Eu sabia de tudo, é claro. Ele é muito criativo, sempre pensa em uma maneira de sair fora da caixinha para chamar a atenção do público. Claro, muitas pessoas ficaram preocupadas, falaram o famoso ‘cadê a mãe dessa criança?’, mas a realidade é que eu tenho uma confiança muito grande nele, sabia que daria tudo certo. Na hora deu um frio na barriga? É claro, mas eu estava confiante”, afirmou Nicole.

Outra história bacana que a publicitária relembrou foi a da final do Campeonato Paulista de 2023, quando o Paulistano se sagrou bicampeão estadual, derrotando o Corinthians na decisão. Na ocasião, ela estava em trabalho de parto e Alex estava junto dela, mas, apesar da distancia, o casal acompanhou a partida e comemorou o título de longe. Jack já nasceu campeão.

Sobre o NBB

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete com patrocínio máster da Caixa Econômica Federal e Loterias Caixas, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e patrocínios oficiais Sportsbet.io, Penalty, EMS e UMP e apoio IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.