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Nota de falecimento|Ruy Dip

22-06-2020 | 06:57
Por Liga Nacional de Basquete

LNB lamenta profundamente a morte do ex-dirigente Ruy Dip, diretor do EC Sírio nos áureos anos de conquistas do clube no basquete

O basquete brasileiro está de luto. Diretor de basquete do Esporte Clube Sírio durante os anos áureos de conquistas do clube, o ex-dirigente Ruy Dip veio a falecer, nesta segunda-feira (22/06), aos 93 anos, depois de complicações em uma cirurgia para reparar uma fratura de fêmur, realizada na semana anterior.

Ruy atuou como diretor do Sírio desde os anos 60, quando teve no elenco de basquete atletas campeões mundiais pela Seleção, como Amaury Pasos, Wlamir Marques, Sucar, Menom e outros, que conquistaram três títulos do Campeonato Paulista, um Brasileiro e um Sul-Americano.

Já nos anos 70, o dirigente construiu talvez o elenco mais poderoso da história de um clube no basquete brasileiro. Ano a ano foram chegando mais estrelas: o capitão Dodi, Marcel de Souza, Saiani, Eduardo Agra, o técnico Cláudio Mortari, Oscar Schmidt, Marquinhos Abdalla, que foi bicampeão paulista, bicampeão Sul-Americano e, por fim, campeão do mundo em 1979.

Ruy Dip faleceu hoje (22/06), aos 93 anos de idade (Divulgação/Eduardo Agra)

Mais do que um competente diretor, Ruy Dip era um apaixonado por basquete. Era um “paizão” para seus comandados, tratava todo e qualquer atleta como filho. O discurso de quem o conhecia não muda. É impossível não exaltar a grande pessoa que era Ruy Dip.

Eduardo Agra está entre as pessoas que nunca deixarão de exaltar o dirigente e a pessoa que Ruy Dip foi. Ainda menino, com 17 anos, Ruy o acolheu dentro de sua casa na vinda do jovem jogador de Pernambuco para a capital Paulista.

“Para terem uma ideia o tipo de pessoa que ele era, ele disse ao meu pai: ‘Olha, acho que não dá para ele (Agra) morar na república, porque os meninos são mais velhos. Então vou tentar arranjar uma solução’. Ele foi para casa, falou com a esposa, dona Olga, com os filhos, Zé Carlos, Silvana e Adriana, e disse: ‘Tem um menino de Pernambuco que eu queria trazer, mas não quero trazer ele para morar na república, ele teria que morar aqui pelo menos um ou dois anos, se der tudo certo. Vocês topam?’.  A família topou, eu vim embora e tive o prazer e privilégio de conviver com esse cara espetacular, um ser humano sensacional. Ele era assim com todos, com a família, com os filhos, com a esposa, com os amigos, com as pessoas que trabalhavam com ele. Ele tinha esse amor incontestável pelo basquete”, afirmou.

Eduardo Agra lamentou a morte de Ruy Dib, que para ele foi um segundo pai (Divulgação/Twitter)

Segundo Eduardo Agra, Ruy e sua família lhe deram um segundo lar, onde pode aprender muito com a figura do dirigente e amigo, tanto na formação como atleta, mas também como homem.

“Mais importante do que o dirigente para mim, foi a pessoa. Eu cheguei menino e vi com ele, no dia a dia da sua família, e do clube, indo e voltando dos treinos todos os dias para casa com ele, as aulas da vida que ele me deu. Um homem culto, informado e que, para mim, na minha vida, teve uma grande influência. Ele se tornou a minha segunda família. Até hoje, aos 93 anos, continuávamos nos vendo, frequentando a casa. Realizávamos almoços em cada primeiro domingo do mês para vê-lo. Meu filho de 30 anos, o Pedro, o chamava de avô, e ele o tratava como se fosse um dos netos. Então, o Ruy foi uma pessoa importantíssima na minha formação, e não estou falando nem da parte esportiva, mas da parte humana, como homem. Sou eternamente grato a ele e por tudo que ele fez por mim, pela minha família e pelo basquete brasileiro”, finalizou.

Agra sempre visitava Ruy Dip nos primeiros domingos de cada mês (Divulgação/Eduardo Agra)

O Sírio de Ruy Dip foi um dos grandes responsáveis por tornar o nome do Brasil para os quatro cantos do mundo do basquete na década 70. Por isso, o nome do ex-dirigente deve ser sempre lembrado como referência e honra por toda a história. Para Marcelo Vido, dirigente do Flamengo e campeão com o Sírio ao lado de Ruy Dip, o dirigente é o maior GM que o basquete brasileiro já teve.

“Ele com certeza tem o papel dele. É o maior GM da história do Brasil. Bom lembrar que ele não era remunerado, era paixão pura. Ele fazia parte de uma época do basquete que tinha pessoas como ele no dia a dia pela paixão, pelo clube e pelo carinho com os atletas. Tínhamos uma relação muito boa com ele, como se fosse nosso segundo pai, vamos dizer assim. Mesmo não sendo remunerado ele tinha uma paixão, uma liderança perante todo grupo, inclusive comissão técnica que era algo, impressionante. Ele era um verdadeiro líder”, afirmou o dirigente do rubro-negro carioca.

Hoje dirigente, Marcelo Vido comentou sobre como Ruy Dib foi um exemplo para ele (Divulgação/Flamengo)

Um dos maiores técnicos da história do basquete brasileiro, e também companheiro de Sírio na época em que Ruy Dip era figura atuante no clube, Cláudio Mortari relembrou o amor do dirigente pelo esporte da bola laranja. Segundo ele, o legado que Ruy deixa é um dos mais belos possíveis, o do amor incondicional pelo basquete.

“Acho que foi basicamente o amor das coisas que ele fazia (legado que deixou). O amor ao Sírio, o amor ao basquete. Não era fácil fazer nesse clube uma equipe profissional, de competição de disputa, e ele nunca negou nenhum esforço para que a gente conseguisse. O legado dele é essa confiança, amizade, a hierarquia que ele manteve sem posição de liderança nem nada, mas fundamentada na fraternidade. Tivemos um dos melhores ambientes que o basquete poderia proporcionar. Realmente ele é o grande responsável pela ascensão do Sírio. Pela manutenção também, juntamente com outros dirigentes, mas ele sempre foi o cara do dia a dia, do contato direto”, disse o atual treinador do São Paulo.

Cláudio Mortari falou sobre o legado que Ruy deixa para o basquete (Rubens Chiri/SPFC)

Presidente em exercício da LNB, Nilo Guimarães também teceu algumas palavras sobre o dirigente. Para ele, Ruy Dip é um exemplo que ele tenta seguir na gestão esportiva, especialmente no quesito de como tratar bem o seu produto.

“Eu jogava pelo Tênis Clube de São José, e a gente tinha uma equipe muito competitiva, mas o Sírio tinha uma equipe formidável. O basquete era diferente no sentido das rivalidades, então jogar no interior de São Paulo, jogar competitivo o Campeonato Paulista era muito duro, era uma guerra. E o que eu estranhava muito era que quando íamos jogar no Sírio éramos recebidos como não éramos em lugar nenhum. Com frutas no vestiário e até suco. Isso chamava a atenção, porque eles nos tratavam muito bem, faziam o que tinham que fazer. Perdíamos quase sempre para eles, já que eram uma equipe muito forte”, afirmou Nilo Guimarães, que completou:

“De qualquer maneira, éramos bem recebidos, e o que a gente busca hoje na Liga é esse receber, tratar bem o adversário e tratar bem o nosso produto, e ele já tinha essa visão muito forte naquela época. Isso retrata bem o Doutor Ruy Dip. É uma perda muito grande para nós, que Deus abençoe toda a família. Ficamos tristes, mas os seus exemplos seguem conosco”, finalizou.

Nilo Guimarães ressaltou que toma algumas atitudes de Ruy Dip como exemplo (Divulgação/Daniel Carvalho)

Durante o Jogo das Estrelas 2017, os heróis do título mundial do Sírio, entre eles Ruy Dip,  foram homenageados diante do Ginásio do Ibirapuera completamente lotado.

A Liga Nacional de Basquete lamenta profundamente o falecimento desse ícone fundamental na história do basquete brasileiro e deseja paz a todos os amigos e familiares. O esporte da bola laranja só tem a agradecer.

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