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PRANCHETA DO GUSTAVINHO – Nasce uma estrela!

22-07-2022 | 04:02
Por Gustavinho Lima

"Pós" jogador e comentarista do NBB, Gustavinho Lima lança espaço de análise no site da LNB; primeiro texto fala sobre a importância da LDB para o desenvolvimento dos jovens jogadores

Não é de uma hora pra outra que se vira jogador. O nível de exigência é altíssimo e são vários os fatores que irão determinar se um atleta vai vingar no basquete. A passagem do juvenil para o adulto sempre foi muito cruel e não é nada misericordiosa.

Nas antigas, o garoto tinha que estar “pronto” aos 18, 19 anos. Na categoria de base, grandes cestinhas ficaram pelo caminho e uma legião de craques não tiveram oportunidade ou não conseguiram se adaptar a um novo papel na equipe principal. O funil é estreito, a grande maioria abandona as quadras precocemente por uma falta de sequência entre os profissionais.

No Brasil e no mundo são raros os casos do chamado, “one and done” (um, e pronto). Termo usado nos EUA para designar que um ano é suficiente para que o jogador se desenvolva no basquete universitário antes de adentrar a NBA. Essa transição requer uma série de pré-requisitos, físicos, técnicos, táticos, mentais e mesmo assim não há receita infalível e garantia de sucesso.

O jovem precisa de tempo para maturar o seu jogo e sua principalmente sua personalidade. Aí que a Liga de Desenvolvimento do NBB surge para dar uma nova perspectiva. Estendeu em 3 anos o tempo de formação e há 11 anos, como o próprio nome já diz, tem focado em desenvolver e dar mais chances aos prospectos no território nacional.

A lista é grande dos jogadores que através da LDB puderam aprimorar seu jogo, exercer mais protagonismo e principalmente ganhar confiança para enfim poder performar entre os profissionais.

Gui Deodato e Ricardo Fischer se sagraram campeões da LDB 2012 e hoje brilham na elite do basquete brasileiro (João Pires/LNB)

Dá para montar vários timaços saídos da LDB que atualmente são jogadores incontestáveis. Ricardo Fischer, Gui Deodato, Didi, Wesley BH e Cristiano Felício, para citar rapidamente um quinteto espetacular que teve a competição como trampolim e hoje brilham em diferentes ligas do mundo. A seleção brasileira atual é formada por uma geração que também bebeu da fonte da LDB. Yago, Georginho, Lucas Dias, Léo Meindl, e Bruno Caboclo deixaram sua marca jogando entre os menores.

Outro exemplo recente e incrível é Gui Santos. Na última edição da LDB, Gui liderou a equipe do Minas Tênis Clube às semifinais do torneio e saiu como cestinha do Campeonato (21,3 ppj). Então com 19 anos, suas atuações chamaram a atenção dos olheiros da NBA e também do então técnico da seleção brasileira de basquete, Aleksandar Petrovic.

Hoje draftado pelo Golden State Warriors não é exagero dizer que a Liga de Desenvolvimento de Basquete foi sem dúvida parte fundamental nesse processo para chegar ao melhor basquete do mundo.

Em 2022 os prospectos estão à solta na Liga de Desenvolvimento. Praticamente a totalidade dos atletas do Brasil campeão do Sul-Americano e vice da Copa América Sub-18, e também da seleção que levantou o troféu da Global Jam Sub-23, vencendo os EUA na final, estarão presentes dentre os 23 times que disputam essa temporada.

Ainda é cedo para traçar previsões mas baseado em um resultado recente posso afirmar que o Paulistano é o time a ser batido nessa LDB. O CAP se vingou do desfecho da LDB 2021 em que foi superado em casa pelo fortíssimo Pinheiros campeão invicto e de maneira incontestável. Dessa vez na Final da Interligas na prévia da temporada na casa do rival, o CAP não tomou conhecimento e atropelou o Pinheiros 85 x 49.

É evidente que o tetracampeão Pinheiros pode se acertar e voltar a competir em alto nível e outras equipes também merecem um olhar mais criterioso como o sempre forte Franca, (que tem na minha visão o melhor jogador da competição, o pivô Marcião), Flamengo e Corinthians (se jogar completo) que devem competir por medalha.

Sempre investindo na base, o Paulistano, por sua vez, montou um super time com praticamente 12 jogadores que podem ser titulares. Fica difícil exaltar um só dentro do plantel.

Uma das grandes dificuldades de um treinador é juntar tantos bons jogadores e fazer com que o sistema funcione, que cada um entenda o seu papel na equipe a ponto de criar um conjunto. Na Interligas funcionou por música. Além do Pinheiros venceu sem sustos os argentinos Boca Jrs e Comunicaciones.

Todavia o campeonato é longo e essa será a missão do treinador Betão jogando como favorito durante toda a temporada.

Gustavinho Lima passou por grandes clubes sua carreira, mas não teve a oportunidade de disputar uma LDB (Divulgação/LNB)

Sou nascido em 1985, não existia a LDB na minha época, mas não estou tão velho assim, joguei contra vários que jogaram edições anteriores. Não se trata de saudosismo, mas gostaria de ter jogado e principalmente que outros companheiros de time e adversários bons de bola que ficaram pelo caminho tivessem uma dose extra de chance de tentar virar jogador.

Sou um otimista por Natureza, acredito que a LDB contribui diretamente no processo de evolução dos atletas de base do basquete brasileiro e aqui nessa coluna estarei sempre na torcida para que nosso basquete suba de produção e a maioria consiga o sonho de se firmar no basquete profissional e, se eventualmente uma luz for jogada em forma de crítica pode ter certeza que será uma luz para potencializar e nunca ofuscar.

Que nossas futuras estrelas possam brilhar mais forte!