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NBB CAIXA

Thanks, Day!

28-09-2016 | 12:02
Por Liga Nacional de Basquete

Três Finais de NBB CAIXA, jogo diferenciado e caráter admirável: Robert Day se despede do basquete brasileiro com legado valioso dentro e fora das quatro linhas

O basquete brasileiro ficará sem um de seus maiores ícones dos últimos anos. Depois de seis belas temporadas no Brasil, o norte-americano Robert Day decidiu se aposentar das quadras e retornar aos Estados Unidos para seguir sua vida com a família. Por isso, o NBB CAIXA só tem a agradecer não só pelos serviços prestados, bolas de 3 e lances mágicos, mas também pelo legado que deixou com seu caráter.

É comum ouvir de muitos que conviveram com Robert frases como “o Day é o cara mais gente boa e mais profissional que eu já vi”. Diretores, jogadores e torcedores. Todos admiravam Day. E não é para poucos. Dono de um jeito simples, humilde, e um caráter raro de se ver, o ex-jogador criou raiz por onde passou e se tornou praticamente um brasileiro. Desde 2010 no Brasil, Day aprendeu o português e se adaptou ao país como poucos gringos.

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Em seis anos no basquete brasileiro, Day desfilou um estilo de jogo refinado e muito diferente do normal. Com uma mecânica de arremesso praticamente perfeita, o gringo se mostrou uma máquina de bolas de 3 pontos e durante muito tempo foi uma arma mortal nas equipes em que atuou – não à toa chegou à três Finais de NBB CAIXA.

Robert defendeu o Unitri/Uberlândia nas quatro primeiras temporadas e conquistou o vice-campeonato do NBB CAIXA 12/13, ano em que ganhou o prêmio de Melhor Ala da competição. Depois, rumou para o Gocil/Bauru Basket, onde foi campeão da Liga Sul-Americana 2014, da Liga das Américas 2015, duas vezes vice-campeão do NBB CAIXA e vice-campeão do Mundial de Clubes.

O início

Robert Day, do Uberlândia, e Neto e Chico, do Araraquara

Day chegou ao Brasil em 2010/2011 e teve média de 18,3 pontos em seu primeiro NBB CAIXA (Célio Messias/LNB)

Novidade do NBB CAIXA para 2010/2011, o Unitri/Uberlândia entrou na elite do basquete com um elenco poderoso, com nomes como Valtinho, Cipolini e Robby Collum. No entanto, o nome de maior destaque atendia pelo nome de Robert Day.

Vindo do basquete mexicano, o norte-americano de Oregon apresentou ao Brasil um estilo diferente de jogar, com um jogo refinado e uma mecânica de arremesso jamais vista por aqui. No auge de seus 28 anos, Day comandou o time mineiro ao sexto lugar na fase de classificação com média de 17,7 pontos por jogo.

Nos playoffs, os mineiros foram até as quartas de final e só foram eliminados pelo campeão UniCEUB/Cartão BRB/Brasília, por 3 a 2. No total dos jogos do mata-mata, Robert teve média de 22,75 pontos por partida.

Os 50 pontos

Além de suas grandes atuações nas partidas do NBB CAIXA, Robert Day chamou a atenção de fato no Jogo das Estrelas 2011. Em Franca (SP), o norte-americano estreante nas quadras brasileiras estava impossível. Com incríveis 12 bolas de 3 pontos, Day impressionou a todos ao deixar a quadra do Ginásio Pedrocão com 50 pontos.

Sob o comando do camisa 31, o NBB Mundo levou a melhor sobre o NBB Brasil no primeiro Jogo das Estrelas neste formato, pelo placar de 115 a 99. Com a atuação, Day faturou o merecido prêmio de MVP da partida e ainda cravou os recordes de pontos e de tiros de 3 pontos na história do evento, marcas que até hoje não foram superadas.

Em alta

Robert Day seguiu voando no NBB CAIXA. Em sua segunda temporada por aqui, o jogador terminou a fase de classificação da edição 2011/2012 com média de 16,5 pontos por partida e ajudou o Uberlândia a ficar com a quinta colocação.

Já nos playoffs, o time do Triângulo Mineiro perdeu o primeiro jogo das oitavas para o Tijuca, em dia pouco inspirado de Day (8 pontos). Mas nos três jogos seguintes, só deu ele. Com 26 pontos em dois duelos e 17 no confronto final, Robert liderou o Uberlândia à virada na série (3 a 1) e levou sua equipe às quartas novamente.

O adversário foi ninguém menos que o Flamengo, e a série foi de arrepiar. Logo no primeiro jogo, Day anotou 30 pontos e deu seu cartão de visitas no confronto. Depois, a equipe uberlandense não segurou o Fla e foi eliminada novamente nas quartas por 3 a 2.

Final, recorde e Melhor Ala

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Robert Day foi vice-campeão e eleito o Melhor Ala do NBB CAIXA 12/13 (João Pires/LNB)

A temporada 2012/2013 foi marcante para Robert Day. No auge de suas atuações, Day fez de tudo no NBB CAIXA e liderou o Uberlândia à sua primeira Final. Ao ficar com a quarta colocação na fase de classificação, o esquadrão do técnico Hélio Rubens foi direto às quartas de final pela primeira vez, e Day contribuiu com nada menos que 18,8 pontos por jogo de média.

Diante do então campeão das Américas, EC Pinheiros, o Uberlândia sofreu e participou de uma série memorável, na qual os visitantes venceram os quatro primeiros jogos. No Jogo 2, vencido pelos pinheirenses, Robert Day estava iluminado e registrou nada menos que 39 pontos, seu recorde pessoal. No entanto, não evitou a derrota por 103 a 97 no Sabiazinho. Mas, posteriormente, os mineiros viraram a série no Jogo 5 e avançaram à semi pela primeira vez.

Garantida entre os quatro primeiros, a equipe do Triângulo Mineiro “varreu” o Bauru na semifinal, por 3 a 0, e avançou à Final do NBB CAIXA 2012/2013, algo inédito para o time. Na HSBC Arena lotada por mais de 15.000 rubro-negros, o Flamengo dominou o Uberlândia, venceu por 77 a 70 e foi o campeão daquele ano.

Ao final da decisão, o vice-campeão Robert Day recebeu o troféu de Melhor Ala do NBB CAIXA 2012/2013, junto de Marquinhos, do Flamengo. No total da quinta edição, o norte-americano terminou com médias de 17,9 pontos (4º do campeonato) e 3,1 bolas de 3 pontos (3º do campeonato) por partida.

Em Bauru, os títulos

Depois de quatro temporadas, Robert Day deixou o Triângulo Mineiro e partiu para Bauru, onde teve grande parte de suas conquistas no basquete brasileiro. Logo em sua primeira temporada, faturou nada menos que o Campeonato Paulista e a Liga Sul-Americana, ambos em 2014, e a Liga das Américas em 2015. Mais tarde, chegou a mais uma Final de NBB CAIXA e tornou a ficar com o vice-campeonato. Além disso, disputou, contra o Real Madrid (ESP), o título do Mundial de Clubes da FIBA, no qual ficou também com o honroso vice.

Campeão da Liga das Américas 2015 pelo Bauru

Com a camisa do Bauru, Day foi campeão da Liga Sul-Americana e da Liga das Américas (foto) (Gaspar Nóbrega/FIBA Américas)

No ano seguinte, o norte-americano e a equipe bauruense tiveram mais um ano marcante. Na defesa do título da Liga das Américas, sofreu com desfalques e ficou com o vice-campeonato ao perder para o Guaros de Lara (VEN) na decisão. Já no NBB CAIXA, foi novamente à Finalíssima e, a exemplo das duas outras, ficou com o vice-campeonato, com direito a 24 pontos no Jogo 4. Portanto, o saldo de Robert Day no Bauru é:

2014/2015 –

Campeão Paulista
Campeão da Liga Sul-Americana
Campeão da Liga das Américas
Vice-campeão do NBB CAIXA
Vice-campeão da Copa Intercontinental

2015/2016 –

Vice-campeão da Liga das Américas
Vice-campeão do NBB CAIXA

Com 17 pontos contra o Wizards, Day se firmou como cestinha do Bauru na NBA

Após tentativa “frustrada” de NBA em 2005, Day foi o cestinha do Bauru contra Knicks e Wizards 10 anos depois (Caio Casagrande/Bauru Basket)

Na NBA, um sonho realizado

Natural de Portland e formado na Western Oregon (EUA), Robert Day bem que tentou a sorte na NBA e chegou a treinar no Portland Trailblazers em 2005, no entanto, não obteve sucesso e partiu para a carreira internacional. Mas mesmo com este cenário, teve, com a camisa do Bauru, a oportunidade de brilhar nas quadras da maior liga esportiva do mundo e realizar seu sonho de infância.

Antes de turnê na NBA, Day ganhou espaço no renomado The New York Times

Antes de turnê na NBA, Day ganhou espaço no renomado The New York Times (Divulgação)

Na turnê bauruense pela pré-temporada da liga norte-americana, o camisa 31 mostrou personalidade e foi o cestinha da equipe brasileira nos amistosos contra New York Knicks e Washington Wizards. No místico Madison Square Garden, foi o maior anotador da partida, com 19 pontos. Já na capital norte-americana, fez 17 pontos e encerrou a viagem à sua terra natal como cestinha do Dragão na NBA.

Antes dos duelos preparatórios contra Knicks e Wizards, Day ganhou espaço no renomado jornal The New York Times, um dos maiores tabloides do mundo, com uma extensa matéria sobre sua carreira no basquete. O resultado não poderia ter sido melhor: grande desempenho nas quadras da NBA e turnê finalizada com sucesso.

Um dos maiores da história

Ao final da temporada 2015/2016, Robert não teve seu contrato renovado com o Gocil/Bauru Basket e optou com encerrar sua gloriosa carreira no basquete. Desta forma, o jogador deixa o esporte da bola laranja com dever cumprido.

No NBB CAIXA foram 219 jogos, três Finais, três vice-campeonatos, cinco Jogos das Estrelas, 3423 pontos (15,6 por jogo) – 12º da história, 631 bolas de 3 (2,9 por jogo) – 3º da história e 44,1% de aproveitamento. Além disso, 972 rebotes (4,4 por jogo), 490 assistências (2,2 por jogo), 261 roubos de bola (1,2 por jogo) e 16,2 de eficiência de média.

Resultado: prêmio de MVP do Jogo das Estrelas 2011

Além de todas os troféus dentro de quadra, Day conquistou o desejado posto de ídolo no NBB CAIXA (Luiz Pires/LNB)

Mas mais do que isso, sua missão foi além da esperada de um jogador de ponta. Mais do que pontos, bolas de 3 e lances bonitos, Day conquistou um troféu que poucos atletas têm: o respeito de todos.

+Saiba mais: Robert Day se despediu do Bauru com vitória sobre o Pinheiros

Sem dúvida alguma, o basquete brasileiro e o NBB CAIXA jamais esquecerão de Robert Day. De seu carisma, simpatia, alegria, profissionalismo e caráter. Sem dúvida alguma, o camisa 31 agora faz parte de um hall que poucos estão: o dos ídolos. Por onde passou, conquistou a todos e certamente não será esquecido. Brasileiro ou norte-americano, Day marcou época em solo brasileiro.

Portanto, a Liga Nacional de Basquete (LNB) agradece, em nome de todos, ao legado deixado por Robert Day e o deseja toda a sorte do mundo em sua nova caminhada. Muito obrigado, Robert Andrew Day. Ou então, thank you very much, Day.