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Personalidades negras
Por Kauã Campos
LNB dá prosseguimento às ações realizadas pelo Tratado Antirracista pela Diversidade da LNB e apresenta Abdias Nascimento, no primeiro capítulo da série Personalidades Negras
A Liga Nacional de Basquete dá prosseguimento às ações realizadas pelo Tratado Antirracista pela Diversidade da LNB com o primeiro capítulo da série Personalidades Negras. Conhecer personagens históricos brasileiros negros faz parte do importante processo de letramento racial. Além disso, mensalmente, um jogador negro do NBB CAIXA fará uma indicação de livro, filme, peça de teatro, ou uma manifestação artística que tenha a cultura negra como tema principal.
Abdias do Nascimento
Poeta, dramaturgo, escritor, artista visual, professor Emérito da Universidade de Nova York, deputado federal, senador da República, secretário do governo do Rio de Janeiro, fundador do Teatro Experimental do Negro e do projeto do Museu de Arte Negra. O multitalento de um homem em prol de uma causa: a emancipação da população negra no Brasil. O filosofo Pan-africanista (ideal que surgiu de um sentimento de solidariedade e consciência de uma origem comum entre os descentes de africano no mundo), ressignifiou por meio da arte a figura da população negra na sociedade e a sua história, foi o primeiro a propor leis afirmativas para negros.
Nascido em 14 de março de 1914, na cidade de Franca, interior de São Paulo, Abdias Nascimento é uma referência muito importante para a história da luta antirracista e da solidariedade Pan Africanista. Autor de inúmeros livros, Abdias relata em Memórias do Exílio, publicado em 1976, que sua primeira percepção de um ato pan-africanista foi quando sua mãe, Dona Josiana, se irritou com uma mulher branca agredindo um menino negro e interviu a situação. Assim se deu o início de sua trajetória defendendo e lutando por contra o racismo. Tempos depois, o jovem conseguiu um trabalho como guardador de livros em uma fazenda, em Franca. Em seu primeiro dia, o condutor da carroça que o levaria para o serviço, pediu que ele ficasse na parte de trás do veículo, junto com os animais e as cargas, o que lhe incomodou muito. Após essa situação, recusou o trabalho e decidiu se alistar no exército, se mudando para São Paulo.

Abdias do Nascimento protagonizou inúmeros movimentos importantes para a história do povo negro no Brasil. Foto: Célio Azevedo
Abdias foi preso três vezes em sua vida, a primeira prisão foi por conta de sua resistência contra atos racistas do exército e a segunda foi após criticar a forma de política no governo de Getúlio Vargas. Livre depois de dois anos de prisão, o poeta viajou por diversos países da América Latina e pode presenciar vários tipos de discriminação, principalmente nas artes cénicas, onde os artistas brancos pintavam o rosto com tinta preta para interpretarem personagens negros, ato que hoje é denominado como Blackface. Ao voltar para o Brasil, o dramaturgo foi preso no Carandiru, onde fundou o Teatro do Sentenciado e o Nosso Jornal, espaços em que os presidiários podiam se expressar de forma artística.
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Um ano após sua absolvição, em 1944, Abdias protagonizou inúmeros movimentos importantes para a história do povo negro no Brasil. No mesmo ano em que foi solto, fundou o Teatro Experimental Negro, que contou com diversos artistas negros em sua realização, como Ruth Souza, Léa Garcia e Agnaldo Camargo. Com o sucesso do Teatro, feitos importantes foram acontecendo após deixar questionamentos sobre as condições das mulheres negras e pobres na sociedade brasileira, como a peça ser exibida no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi a primeira vez que um espetáculo produzido por pessoas negras havia subido ao palco. Graças a obra de arte, foi criada a Associação das Empregadas Domésticas e o Conselho Nacional de Mulheres Negras, concursos voltados para as pessoas negras foram criados, como Boneca de Pixe e a Semana do Negro.
Abdias era filiado ao Partido Trabalhista dos Brasileiros (PTB), o maior opositor do governo autoritário que estava no poder e foi exilado do país por 13 anos. Após voltar ao Brasil, fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, esteve envolvido na criação do Fundação Cultural dos Palmares, em 2006 tornou-se um dos instituidores do Brasil de Direitos Humanos, em 2010 foi indicado para o prêmio Nobel da Paz e faleceu no ano seguinte, 23 de maio de 2011, aos 97 anos.
Toque cultural NBB CAIXA

Kauan Raymundo, atleta do Corinthians. Foto: Divulgação/Corinthians
Atleta do Corinthians no NBB CAIXA 2024/25, o pivô Kauan Raymundo sugeriu como indicação o filme O Ódio que você semeia, lançado em 2018 e dirigido por George Tillman Jr. A obra é baseada no livro homônimo de Angie Thomas, que traz o relato da vida de Oscar Grant, um negro de 22 anos morto em 2009, em uma abordagem policial em Oakland, Califórnia.
“É um filme muito bom baseado em fatos reais e que passa uma mensagem forte sobre questão racial. Uma jovem presencia o seu amigo ser morto após um policial confundir um pente com uma arma e depois dessa situação o policial ser julgado e declarado inocente. Mas o que eu mais gosto do filme é o fato da personagem lutar pela vida do seu amigo e não deixar isso como se fosse só mais um caso isolado”, afirmou Kauan Raymundo.