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NBB CAIXA

Análise:Paulistano

11-10-2018 | 10:36
Por Douglas Carraretto e Marcel Pedroza

Nova cara, características antigas e um toque de Marrelli: veja a análise sobre o Paulistano que lutará pelo bicampeonato do NBB CAIXA

Atual campeão, o Paulistano trocou metade de seu elenco e segue firme como um dos favoritos ao título (João Pires/LNB)

É difícil imaginar como um time campeão perde praticamente metade de seu elenco de uma temporada para a outra. Pois é, no caso do Paulistano/Corpore, somente seis atletas presentes na campanha do título do último NBB CAIXA ficaram no grupo – Yago, Guilherme Hubner, Du Sommer, Eddy, Victão e Alex Dória.

Parecia um daqueles “desmanches” que compromete a capacidade do clube de brigar por títulos, certo? Não. A diretoria do CAP foi ao mercado, fez reposições à altura e credenciou o clube a lutar pelo topo do basquete brasileiro novamente.

Foram contratados cinco atletas: os armadores Georginho (ex-Rio Grande Valley Vipers, da NBA G-League), e Evan Roquemore (ex-Minas), os alas Léo Meindl e Antonio (ex-Sesi Franca), e o ala/pivô Renan Lenz (ex-Sendi/Bauru), além, é claro, do renomado técnico Régis Marrelli, que estava no Universo/Vitória.

Quem ficou com a imagem daquele Paulistano de Gustavo De Conti jogando no popular “Run and Gun”, com Elinho como maestro e Deryk, Fuller, Jhonatan e Lucas Dias arremessando sem dó no melhor estilo Golden State Warriors, já está se acostumando uma equipe diferente, mas que carrega alguns resquícios do time campeão – o principal deles, a versatilidade.

Provável quinteto titular:

Yago Mateus – armador
Georginho – armador
Léo Meindl – ala
Renan Lenz – ala/pivô
Guiherme Hubner – pivô

Suplentes:

Roquemore – armador
Antonio – ala
Eddy – ala
Alex Dória – ala
Victão – ala/pivô
Du Sommer – pivô
Dikembe (Sub-20) – pivô
Beto Fagundes (Sub-20) – armador

A versatilidade, sem dúvidas, é a principal característica herdada do elenco da temporada passada. Mesmo com as perdas, o CAP trouxe atletas chave, capazes de atuar em mais de uma posição, que dão ao seu treinador variadas opções táticas, tanto no ataque quanto na defesa – essa virtude, de fato, não é todo clube que tem.

Versatilidade

Essa tal de versatilidade é uma realidade no grupo alvirrubro graças a alguns atletas chave, os chamados “polivalentes”, que podem jogar em mais de uma posição. Um deles é Georginho De Paula. Dono de uma capacidade física fora dos padrões para um armador, o esguio atleta de 1,97m de altura voltou de sua curta jornada na NBA mais forte, atlético e explosivo, além de ter agregado diversos recursos técnicos ao seu jogo.

 

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@georgelucas14 beating the buzzer!🚨🚨🚨 #AntecipeOFuturo

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Com Georginho no elenco, Régis Marrelli consegue promover uma alta rotação na armação – o garoto pode atuar ao lado tanto de Yago quanto de Roquemore, e se precisar, ao lado dos dois, fazendo as vezes de um ala “3” sem problema algum. Além disso, na defesa, o armador de 22 anos é capaz de marcar atletas de qualquer posição, sejam eles armadores, alas e até alguns pivôs – o que dificulta o adversário de levar vantagem nas trocas defensivas.

Outro polivalente de tamanha importância no grupo do CAP é Renan Lenz. O ala/pivô de 2,08m de altura é leve, atlético, e possui um ótimo arremesso de 3 pontos – teve aproveitamento de 36,5% nas bolas de 3 pontos somando suas três últimas temporadas do NBB CAIXA.

Desta forma, Renan pode ser utilizado tanto como ala/pivô “4”, mais aberto para arremessos, ou como pivozão “5”, jogando de costas para a cesta, em uma possível formação mais leve do CAP em quadra – bastante usada no Campeonato Paulista, por sinal. Na defesa, sua capacidade física o permite marcar tanto pivôs mais leves quanto mais pesados, e até mesmo segurar alguns atletas mais baixos nas trocas de corta-luzes.

Quem também é capaz de se encaixar em outras funções de acordo com as formações propostas por Marrelli são Antonio (ala “3” de 2,00m, forte, que pode atuar como ala/pivô “4”), Victão (ala/pivô “4” de 2,04m, de bom chute de fora, que se vira também como pivô “5”), e Du Sommer (pivô “5” mais leve, de pouco arremesso longo, mas incrível na defesa, o que o possibilita atuar como “4”).

Velocidade e mão quente

Outras características herdadas do time campeão do Paulista e do NBB CAIXA são a velocidade e a precisão nos arremessos de fora. Falando sobre a velocidade da equipe, praticamente todos os atletas do time são leves e capazes de correr a quadra com facilidade, inclusive os pivôs – Renan Lenz, Du Sommer, Victão e o garoto Dikembe, de 19 anos.

Somente Guilherme Hubner, que é um pivô “5” mais pesado, não ocupa a ala dos gigantes velozes, mas tem tamanha importância no grupo, principalmente na hora de defender um pivô da mesma estatura física. No ataque, seu arremesso de fora o credencia a ser um “cincão” diferente dos demais, capaz de abrir qualquer defesa e ser um fator surpresa no setor ofensivo – teve 40,6% de aproveitamento nas bolas de 3 no último NBB CAIXA.

E por falar nisso, o arremesso de 3 segue sendo uma das grandes armas do CAP, mas de um jeito diferente. Se antes a tônica era o “Run and Gun”, com saída rápida e open bar de chute no contra-ataque, agora o time de Régis Marrelli arremessa de forma um pouco mais cadenciada, mas sem abandonar tanto a antiga volúpia.

 

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Olha o estrago que o monstrinho faz.😈🔥 @yagomateus02 #AntecipeOFuturo

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O time de Régis Marrelli acertou 10,8 bolas de 3 em 30,5 tentativas por jogo (36% de aproveitamento) no Campeonato Paulista 2018. Enquanto isso, no último NBB CAIXA, o Paulistano de Gustavo De Conti teve uma média de 12,1 arremessos certos em 33,9 tentativas por partida (35,8% de aproveitamento). É claro que são competições de proporções diferentes, mas deu para sentir que a herança da bola de 3 segue viva no CAP, mas com um toque mais cerebral do novo treinador.

Novos cestinhas

O Paulistano da temporada passada tinha um poder de fogo absurdo. Não à toa, foi campeão com o melhor ataque do NBB CAIXA (84,0 pontos por jogo), maior média de bolas de 3 pontos (12,0 por jogo). Essa artilharia era comandada por Elinho, Fuller, Deryk, Lucas Dias, Jhonatan, Nesbitt e Cia – todos saíram. Mas agora, o CAP tem novas referências ofensivas, que atendem pelos nomes de Yago Mateus, Evan Roquemore e Léo Meindl.

Yago, aos 19 anos, parece estar mais maduro a cada temporada e pronto para assumir um papel de liderança no grupo. Ele é titular absoluto e o grande motor do ataque alvirrubro. Sua habilidade e assustadora velocidade fazem dele o grande fator de desequilíbrio sobre as defesas adversárias. É praticamente impossível pará-lo no 1×1. Quando há situações de trocas na defesa adversária, então, nem se fala.

 

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@yagomateus02 He got sauce! 🌶🌶🌶🔥🔥🔥 #NoDaysOff #Monstrinho02

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Portanto, quando ele está em quadra, é difícil demais marcar o ataque do Paulistano, pois mesmo que hajam as ajudas defensivas nele, quase sempre sobrará alguém livre. Com essa liderança nas mãos, Yago foi o cestinha e líder em assistências do CAP no Estadual, com respectivas médias de 16,0 pontos e 2,7 servidas por jogo, com incríveis 48% de aproveitamento nas bolas de 3.

Evan Roquemore chegou ao Brasil no ano passado, atuando pelo Minas Tênis Clube, e já pousou no time campeão do país. O norte-americano, que é recordista de assistências na Universidade de Santa Clara, onde atuou ninguém menos que a lenda Steve Nash, teve seu lado “garçom” deixado de lado no NBB CAIXA e tem atuado diretamente como cestinha.

Na temporada passada pelo Minas, Roquemore somou médias de 13,2 pontos e 3,2 assistências por partida e foi o maior anotador do time no ano. Agora, com a camisa do Paulistano, ele funciona como um desafogo no ataque da equipe. No Paulista 2018, somou médias de 9,7 pontos e 38% de aproveitamento nas bolas de 3, além de algumas aparições decisivas, como no vídeo abaixo.

 

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Roque St🌟r! Jogo empatado, última posse de bola, @eroq22 foi decisivo mais uma vez. #GoCAP #VegasBaby

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E por fim, o ala Léo Meindl é outro que chegou com a função de colocar a bola no barbante e ser uma referência do time alvirrubro. O jogador, titular de Aleksandar Petrovic na Seleção Brasileira, tem vários recursos ofensivos que o credenciam a ser um líder no ataque do CAP, como o excelente arremesso de fora, infiltrações precisas e um timing infalível nos rebotes ofensivos.

No Campeonato Paulista 2018, o ala de 2,00m foi importantíssimo na campanha do título e colaborou com médias de 13,3 pontos e 4,8 rebotes, com direito a 35% de aproveitamento nas bolas de 3. Ele é uma das peças chave no setor ofensivo do time do técnico Régis Marrelli e, assim como Yago e Roquemore, promete dar trabalho às defesas adversárias no NBB CAIXA.

 

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Aula de euro-step.🌎☝🤓 @leomeindl #GoCAP

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O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), em parceria com a NBA, e conta com o patrocínio master da CAIXA, os patrocínios da SKY, INFRAERO, Avianca, Nike, Penalty e Wewi e o apoio do Açúcar Guarani.

Calendário do mês

13/10 (Sábado)

13h35 – Paulistano/Corpore x Mogi das Cruzes/Helbor – ao vivo na Band e na ESPN

19/10 (Sexta-feira)

21h10 – Corinthians x Paulistano/Corpore – ao vivo no Fox Sports

22/10 (Segunda-feira)

20h – Paulistano/Corpore x Basquete Cearense – ao vivo no Facebook

24/10 (Quarta-feira)

19h – Paulistano/Corpore x Minas Tênis Clube – ao vivo no Facebook

30/10 (Terça-feira)

20h – Botafogo x Paulistano/Corpore

+Tabela completa de jogos do Paulistano no NBB CAIXA

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