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NBB CAIXA / Seleção Brasileira

De irmão para irmão

27-06-2013 | 03:30
Por Liga Nacional de Basquete

Parceiros de longa data, técnicos José Neto e Gustavo de Conti falam sobre início de carreira juntos e comentam trabalho na Seleção Brasileira de Novos

Time juvenil do Paulistano, em 1998. José Neto (à cima) era o preparador físico, e Gustavo de Conti (em baixo) era atleta (Divulgação/FPB)

Há aproximadamente 15 anos, em 1998, no Club Ahtletico Paulistano, nascia uma parceria que, hoje, pode ser considerada de muito sucesso. Na época, José Neto era preparador físico, e Gustavo de Conti, atleta da categoria juvenil.  Hoje, eles são treinadores de Flamengo e Paulistano/Unimed  no NBB, respectivamente, e agora, sob a tutela de Rubén Magnano, comandam a Seleção Brasileira de Novos.

Logo após encerrar sua trajetória como jogador, Gustavo deu início a sua carreira no banco de reservas, como treinador, sendo assistente técnico de José Neto, que estava à frente do time adulto do Paulistano.

A união dos dois em prol do basquete continuou até o ano de 2007, quando José Neto deixou o comando do clube da capital de São Paulo e seguiu sua carreira longe de seu fiel escudeiro. Enquanto isso, De Conti continuou na equipe paulista, comandando times de categorias de base e conquistando diversos títulos com as mesmas.

“Lá no início a gente começou com uma coisa bem pequena. É claro que sempre pensando alto, mas não tão alto assim, em chegar na Seleção Brasileira nem nada. Quando começamos a trabalhar nunca chegamos a conversar sobre isso, sobre onde iríamos chegar. As coisas foram acontecendo, mas nós sempre mantivemos a amizade, mesmo ficando um tempo separados. Ele ficou um tempo sem trabalhar em clubes, depois foi para o Joinville, depois Flamengo, já também teve passagens por Rio Claro, São Bernardo e seleções de base, sempre mantivemos a amizade. É muito bacana isso, saber que a nossa carreira alavancou de uma forma muito legal”, comentou Gustavo de Conti.

Assim como Gustavo, o técnico José Neto também não imaginava que o sucesso seria tanto como é hoje. O treinador do atual campeão do NBB fez questão de frisar a evolução de seu parceiro e comemorou o salto que os dois deram em suas respectivas carreiras.

“Lá atrás nós não pensamos que estaríamos juntos numa Seleção Brasileira. Até porque ele teve uma evolução muito grande. A referência que eu tinha dele é que ele havia sido meu assistente, mas ele evoluiu demais e sem dúvidas é um dos melhores técnicos do Brasil. Não é a toa que ele está na Seleção. O ótimo trabalho dele fez com que ele chegasse à seleção. As coisas mudam muito, vão evoluindo, e ele evoluiu demais e merece estar aqui”, afirmou José Neto.

Gustavo de Conti (à esq.) e José Neto trocam informações no treino da Seleção Brasileira de Novos (Gaspar Nóbrega/Inovafoto)

Comandantes de Flamengo e Paulistano, Neto e Gustavinho mantêm a rivalidade somente dentro de quadra. Fora  das quatro linhas, eles não esquecem da parceria de sucesso que formaram antigamente e, se consideram muito mais do que simples amigos.

“O Gustavo para mim é mais do que um amigo. Nós convivemos sempre juntos. É inevitável que as nossas famílias tenham contato. Fui padrinho de casamento dele, ele presenciou o nascimento dos meus filhos. Nós temos um relacionamento extra quadra muito forte, nossa amizade realmente é muito forte”, declarou Neto.

A troca de informações é algo constante no cotidiano dos dois treinadores. Mesmo longe, um em São Paulo e o outro no Rio, eles revelaram que costumam ligar um para o outro para conversarem sobre situações ocorridas nas partidas, é claro, com um clima bem amistoso, sem revelar nenhuma informação ou tática de seus respectivos times.

“Durante a temporada sempre mantemos o contato. Nós temos a nossa maneira de trabalhar, com alguns conceitos que são muito parecidos. Procuramos sempre trocar informações sobre muitas coisas. Mas é claro, cada um tem seu jeito, cada um tem seus conceitos e maneira de trabalhar. Até pela necessidade e característica dos grupos que temos em nossos times. Mas agora é uma causa só. Temos que juntar nossas ideias, aquilo que temos de melhor e oferecer para a Seleção Brasileira”, completou Neto.

Gustavinho é técnico da equipe adulta do Paulistano desde a temporada 2010/2011 (LC Moreira/Divulgação)

Porém, nas quartas de final do NBB5, a boa relação e companheirismo ficaram de lado. Flamengo e Paulistano estavam frente a frente lutando pela sobrevivência na competição. A série melhor de cinco foi vencida pela equipe carioca, comandada por José Neto, por três jogos a zero. Independentemente do resultado, a amizade continua. O treinador do Paulistano comentou a situação que passaram no campeonato, mas ressaltou a saudável convivência entre os dois, que permanece e sempre permanecerá viva.

“No playoff contra o Flamengo não conversamos muito, é claro que não podemos misturar as coisas, pois era um momento muito importante. É meio incompatível. Mas a nossa amizade é muito grande, o Neto é como se fosse um irmão para mim. Nossas família saem juntas quando estão em São Paulo, nossos filhos são amigos apesar da diferença de idade. É uma relação de família, mas quando estamos jogando um contra o outro no basquete, não tem muito essa de ligar um para o outro, mas nós nos respeitamos muito quando somos adversários”, falou Gustavo.

Embora adversários no NBB, a bola da vez é a Seleção Brasileira de Novos. José Neto e Gustavo de Conti participam diretamente do projeto de renovação e revelação dos jovens jogadores brasileiros. Todo o conhecimento adquirido pelos dois treinadores será usado 100% em prol dos representante do Brasil .

“Sem dúvidas esse é um projeto muito interessante, estamos muito felizes de estar participando junto com o Rubén (Magnano) desse processo, já que tratando do futuro da Seleção. A ideia é somar o máximo que podemos para contribuir com o Rubén, pois ele é o ‘cabeça’ do projeto. Ele é o que nos fornece informações de como jogar, trabalhar, para fazermos uma espinha dorsal com o adulto e com as outras categorias também. Agora vamos dar o nosso melhor, usarmos tudo que aprendemos para a gente possa oferecer para a Seleção Brasileira”, finalizou José Neto.

Neto e Gustavo discutem ideias com o argentino Rubén Magnano (Gaspar Nóbrega/Inovafoto)