O Mogi das Cruzes/Helbor está entre os oito melhores classificados da sexta edição do NBB. Novamente com o Ginásio Professor Hugo Ramos completamente lotado por sua fervorosa torcida, o time do Alto do Tietê venceu o quarto jogo da série diante do Pinheiros/SKY, por 86 a 68, fechou o confronto válido pelas oitavas de final do maior campeonato de basquete do país em 3 a 1 e, agora, enfrentará o Winner/Kabum/Limeira nas quartas de final.

No controle do placar por praticamente todo o jogo, a equipe comandada pelo técnico García contou com um ótimo desempenho no último quarto para confirmar sua vitória com certa tranquilidade nos últimos minutos da partida e fazer história no NBB. Desde que o atual formato das Finais da competição foi adotado, esta é a primeira vez que a equipe que terminou a fase de classificação no 12º lugar vence o quinto colocado nas oitavas de final.

“A gente batalhou muito durante todo o campeonato. Perdemos vários jogos na fase de classificação que sabíamos que poderíamos ter ficado com a vitória, mas não abaixamos a cabeça em nenhum momento. Sabíamos que o Pinheiros tem um dos melhores jogadores do campeonato, que é o Shamell, mas nós tínhamos a força do nosso grupo”, declarou o armador Gustavinho.

“Essa série foi coisa de louco. Fizemos história no NBB e, mais do que isso, fizemos história na cidade. Os dois jogos aqui no Hugo Ramos contaram com um atmosfera incrível e isso é algo muito bom para a cidade. É difícil até de explicar a emoção que estamos sentido”, completou o armador, um dos jogadores mais identificados com a cidade de Mogi das Cruzes.

Um dos xodós da barulhenta torcida mogiana, o pivô Daniel Alemão teve uma grande atuação e foi um dos protagonistas da partida. O jogador registrou um duplo-duplo, ao somar 17 pontos e 15 rebotes, e deixou a quadra nos instantes finais do jogo muito aplaudido por todos presentes nas arquibancadas do Hugo Ramos. Além do camisa 16, o ala Ted Simões também teve atuação destacada e foi o cestinha da equipe, com 18 pontos, assim como o norte-americano Jason Smith, que marcou 14 pontos, e o armador Gustavinho, autor de oito pontos e sete assistências.

“É uma emoção difícil de descrever. Nunca tinha jogado em um ginásio com cinco mil pessoas na minha carreira e não sei nem o que dizer. Fico muito emocionado com esse carinho todo da torcida e posso dizer que me esforço muito por eles. Fizemos história e conquistamos essa classificação. Trabalhamos muito para isso e agora vamos manter este ritmo para as quartas de final”, declarou Alemão.

Pelo lado do Pinheiros, o principal pontuador foi o ala/pivô Rafael Mineiro, que também foi o cestinha do jogo, com 21 pontos. Vindo de uma temporada desgastante, em que participou de cinco competições (Copa Intercontinental, Campeonato Paulista, Liga das Américas e o próprio NBB), a equipe da capital paulista ficou de fora das quartas de final do maior campeonato de basquete do país pela primeira vez na história da competição.

“Tivemos uma temporada desgastante. Começamos a temporada com uma decisão, que foi a Copa Intercontinental. Depois, fomos para a semifinal do Paulista e fizemos duas séries de playoffs em cinco jogos. Ainda chegamos na grande decisão da Liga das Américas. Infelizmente, nosso auge não foi agora e nosso time chegou muito cansado para este confronto. Enquanto isso, Mogi teve o mérito de chegar no auge e acabaram conseguindo nos eliminar”, explicou Paulinho, que com uma séria lesão no joelho esquerdo perdeu boa parte da atual temporada do NBB, inclusive a série contra Mogi.

As duas primeiras cestas do jogo já deixaram claro como seria o primeiro quarto. Primeiro, o garoto Lucas Dias se mostrou imune ao enorme barulho vindo das arquibancadas e abriu o placar com um tiro de três pontos, após bela movimentação ofensiva do Pinheiros. Na sequência, a resposta de Mogi veio com uma linda combinação entre Gustavinho e Alemão: belo passe do armador para enterrada com força do pivô. Os bonitos lances não pararam por aí e as equipes fizeram uma parcial inicial de alto nível técnico.

Inspirado, Mineiro chamou a responsabilidade a favor dos visitantes e marcou oito pontos nos dez primeiros minutos do confronto. Mas, do outro lado, Ted estava com a mão calibrada nos tiros de três pontos. Com três acertos de longa distância em quatro tentativas, o ala foi o grande destaque mogiano no período inicial. No embalo dos dois atletas, os times se equivaleram durante o quarto e nenhum dos dois lados conseguiu abrir vantagem. Então, depois de belas jogadas, muita intensidade e com o equilíbrio como grande tônica, a primeira parcial se encerrou com os anfitriões na frente, mas por apenas dois pontos (22 a 20).

No início do segundo quarto, Mogi contou com um bom rendimento de três jogadores que saíram do banco de reservas para aumentar a diferença no marcador. Jason Smith, Jefferson Campos e Jeff Agba apareceram bem, a equipe melhorou sua defesa e rapidamente abriu sete pontos de frente (31 a 24). Porém o Pinheiros também teve um suplente atuando em alto nível e não demorou a brecar a arrancada dos rivais. Preciso nos arremessos, Jonathan Tavernari roubou a cena, marcou oito pontos seguidos e os visitantes baixaram o prejuízo para apenas um tento (33 a 32). No restante da parcial, o equilíbrio voltou a tomar conta do jogo, mas os anfitriões conseguiram manter a ponta do placar e foram para os vestiários com dois pontos de vantagem (41 a 39).

Na volta do intervalo, o Pinheiros teve a chance de virar o jogo, mas não conseguiu. Com o placar em 48 a 47 para os donos da casa, os visitantes tiveram três arremessos para assumirem a ponta do marcador, mas falharam. Na sequência, no embalo de boas atuações individuais de Gustavinho, Toledo e Alemão, Mogi aproveitou para estender sua vantagem. Sem dar espaços aos rivais e com um ritmo muito intenso, os comandados do técnico Paco García se comportaram melhor nos minutos finais do terceiro quarto e levaram sete pontos de frente para os dez minutos finais do jogo: 61 a 54.

O nervosismo por conta da proximidade do fim do jogo tomou conta das equipes no último quarto. Mas a vantagem construída na parte final da parcial anterior fez toda a diferença para Mogi vencer o jogo e conquistar a inédita vaga nas quartas de final. Então, mesmo sem apresentar um bom rendimento nos minutos iniciais do quarto período, os donos da casa tiveram caminho livre para triunfar. Já nos minutos finais do confronto, os mogianos aproveitaram seguidos erros do Pinheiros para ampliar ainda mais a margem de pontos a seu favor para a festa de sua fervorosa e barulhenta torcida.