É comum se dizer que a torcida é o sexto jogador de um time de basquete. E na noite desta terça-feira, a torcida do Mogi das Cruzes/Helbor fez jus a essa frase e teve total importância no triunfo da equipe do Alto do Tietê sobre o Pinheiros/SKY no terceiro jogo da série válida pelas oitavas de final do NBB 2013/2014. No embalo de seus animados torcedores, que literalmente lotaram as dependências do Ginásio Professor Hugo Ramos, o time comandado pelo técnico Paco García levaram a melhor sobre o clube da capital paulista, de virada, pelo placar de 85 a 81 e colocaram 2 a 1 de frente no confronto.

Diante de muito barulho vindo das arquibancadas, Mogi teve um fôlego extra para virar o jogo no último quarto. Depois de passar os três primeiros períodos atrás no placar, a equipe mostrou muita entrega dentro de quadra, assumiu a ponta do marcador logo nos minutos iniciais da parcial final e, na sequência, não deu chances para os rivais.

“A importância da torcida foi como jogar com seis (jogadores). Os torcedores ajudaram muito o time, principalmente quando as coisas estavam ruins e perdíamos por 14 pontos”, comemorou o técnico Paco García.

Se fora das quatro linhas a torcida deu um show, dentro de quadra o time da cidade de Mogi das Cruzes teve suas armas para sair com a vitória. Após passar em branco nos 30 minutos iniciais, o ala/armador Jefferson Campos fez um quarto período perfeito, marcou todos os dez pontos que tentou e foi fundamental para o êxito da equipe. Além do jovem atleta, de apenas 23 anos, os outros destaques mogianos ficaram por conta do pivô Daniel Alemão, autor de um duplo-duplo de dez pontos e 12 rebotes, e do ala Filipin e do armador Jason Smith, que marcaram 15 e 14 pontos, respectivamente.

“Basquete é confiança. No primeiro tempo eu estava um pouco preso, mas depois coloquei a cabeça no lugar. Sei do que posso fazer, meus companheiros confiam em mim e o Paco também. Então, entrei tranquilo para o último quarto e as coisas fluíram naturalmente”, disse Jefferson.

“A torcida está de parabéns. Estamos dando nosso melhor dentro de quadra para corresponder ao que eles estão fazendo nas arquibancadas. Fica muito mais fácil jogar com esse apoio todo e hoje isso funcionou muito bem para nós”, completou o camisa 10 mogiano.

Pelo lado do Pinheiros, os melhores em quadras foram os norte-americanos Shamell, cestinha absoluto do duelo, com expressivos 32 pontos, e Joe Smith, que somou dois dígitos em dois fundamentos: 11 pontos e dez assistências. Além da dupla de estrangeiros, o garoto Lucas Dias também teve boa participação e deixou a quadra com 13 pontos e cinco rebotes, todos eles ofensivos.

Agora, com Mogi na frente por 2 a 1, as equipes voltarão à quadra no Ginásio Hugo Ramos na próxima quinta-feira, às 20 horas (de Brasília), para o quarto jogo da série. Se vencer, a agremiação do Alto do Tietê se classifica para as quartas de final para pegar o Winner/Kabum/Limeira, enquanto que os pinheirenses precisam do triunfo para levar a disputa para a quinta e decisiva partida, que caso necessária, será disputada no Ginásio Poliesportivo Henrique Villaboim, em São Paulo.

O caráter decisivo da partida ficou explícito logo nos minutos iniciais. Com as duas equipes apresentando muita intensidade em quadra, o duelo começou em um ótimo ritmo e também com ambos os lados apresentando um bom aproveitamento ofensivo, principalmente nos tiros de média e longa distância. Com destaque para Filipin, pelo lado dos anfitriões, e Shamell, pela equipe da capital, o primeiro quarto foi bastante movimentado e equilibrado durante toda sua duração. Nos minutos finais, o Pinheiros se comportou melhor e fechou a parcial na frebte, mas por apenas quatro pontos: 20 a 16.

A pequena vantagem dos comandados do técnico Cláudio Mortari rapidamente atingiu dígitos duplos. Afiado em seu ataque, com direito a cinco pontos de Shamell, bolas de três pontos de Lucas e Smith e uma linda cravada de Mineiro, e contando com seguidos erros do Mogi, os representantes da cidade de São Paulo precisaram de apenas quatro minutos no segundo quarto para ampliarem a diferença no placar para 13 pontos (33 a 20). Depois de um tempo pedido pelo técnico Paco García, os donos da casa contaram com duas bolas de três pontos de Gustavinho e chegaram a esboçar uma reação. Mas, do outro lado, o Pinheiros não se abalou, seguiu no controle da partida e levou nove pontos de frente para os vestiários: 43 a 34.

O terceiro período foi eletrizante. Embalado pelo ensurdecedor barulho vindo das arquibancadas, Mogi voltou do intervalo com um bom rendimento ofensivo, graças aos bons desempenhos individuais de Jason Smith e Toledo, e tentou a todo custou diminuir a diferença no marcador. Porém o time da capital paulista mostrou muita categoria, com um ótimo jogo coletivo para esfriar a tentativa da reação dos rivais e se manter uma confortável vantagem por praticamente toda a parcial. Mas não teve jeito. Nos minutos finais, os anfitriões conseguiram enfim diminuir o prejuízo e, depois de um tiro certeiro de três pontos de Ted Simões – o primeiro do atleta na partida – nos instantes finais do quarto, a vantagem dos visitantes caiu para quatro pontos (58 a 54).

O ótimo momento dos mogianos prosseguiu no início do período final. Ainda contando com um incrível apoio de seus torcedores, a equipe conseguiu assumir a liderança do placar. Depois de boas jogadas de Jefferson Campos, a equipe mandante seguiu na cola dos adversários e a virada veio com Ted, novamente da linha de três pontos (66 a 65). A partir de então os comandados do técnico Paco García mandaram no jogo. Com Jefferson e Smith inspirados, a equipe não diminuiu sua produção. Enquanto isso, o Pinheiros tentou descontar nas bolas de três pontos, mas sem sucesso. Então, restando pouco menos de três minutos para o fim do jogo, o placar apontava 75 a 67 a favor dos donos da casa.

Sem titubear, Mogi soube conduzir a partida e confirmou a vitória para elevar ainda mais o barulho vindo das arquibancadas. O Pinheiros até tentou reagir, com o inspirado Shamell, mas não teve jeito e a festa era mesmo dos cinco, ou melhor seis, jogadores da equipe do alto do Tietê.