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NBB CAIXA

La Casa deShamell

12-05-2018 | 06:37
Por Douglas Carraretto

Com “energia diferente”, Shamell faz 40 pontos e lidera épica classificação do Mogi às Finais diante de 5 mil vozes no Hugo Ramos


O dia mais importante da história do basquete de Mogi das Cruzes foi liderado por uma figura em especial: Shamell. Ídolo da torcida mogiana, o maior cestinha da história do NBB CAIXA “debulhou” diante de 5 mil pessoas no Ginásio Hugo Ramos, agora denominado como “La Casa de Shamell” (em alusão à série do Netflix ‘La Casa de Papel’), e liderou a inédita classificação da equipe à decisão da competição, concretizada com vitória sobre o Flamengo, por 89 a 72.

+Estatísticas, fotos, vídeos e matéria sobre a vitória do Mogi sobre o Flamengo

Agressivo do início ao fim, Shamell estava nitidamente determinado a sair de quadra com nada além da vaga. Dito e feito. Com mão quente nas bolas de 3 pontos (6/9), o camisa 24 mogiano chamou a torcida a todo momento, registrou inacreditáveis 40 pontos e incendiou o Ginásio Hugo Ramos com o triunfo da classificação.


“Hoje vim com uma energia diferente. Antes do jogo falei com os meus ‘neguinhos’ (os filhos Shamell Jr. e Jordan), eles falaram para mim ‘papai, você vai ganhar, acreditamos nisso’. Aí vim com uma energia diferente. Tive energia durante o jogo inteiro, chamando a torcida o tempo inteiro e acho que isso fez a diferença”, disse Shamell, que ainda citou o rubro-negro Olivinha para citar sua frequente vibração com a torcida.

O Olivinha fez isso lá no Rio. Às vezes ninguém percebe, mas o Olivinha faz a diferença quando joga daquele jeito porque ele traz a torcida. Eu quis fazer isso. Cansa bastante (risos), mas procurei não deixar ninguém quieto em momento algum, sempre pedindo mais e mais energia. Tive tanta energia que até bola quase do meio da quadra caiu (risos)”, concluiu o camisa 24 do Mogi.

A marca representou o recorde pessoal da carreira do norte-americano no NBB CAIXA – antes era de 37 pontos, em 2012 contra Franca atuando pelo Pinheiros –, o recorde da atual temporada e também da história das semifinais do maior campeonato do país, igualando a marca que era de Marcelinho Machado, no Jogo 2 da edição 2010/2011 contra Franca.

Com o feito, Shamell entrou para um seleto grupo de apenas oito atletas que já registraram 40 ou mais pontos na história do NBB CAIXA, que tem Marcelinho Machado, Manny Quezada (São José), Riddick (Vila Velha), Dedé Stefanelli (Paulistano), Marquinhos (Pinheiros), Nezinho (Brasília), Paulinho Boracini (Pinheiros) e Guillermo Araujo (Paulistano).

Motivação pré-jogo

Um dia antes da partida deste sábado, Shamell publicou um vídeo em sua rede social mostrando o tamanho de sua motivação. No vídeo, ele apontou um quadro em sua parede com a foto do Mogi campeão do Campeonato Paulista de 2016 e disse:

“Estão vendo essa foto aqui? É o que eu quero! Vamos Mogi! Não estou escutando, Mogi! Quero mais uma foto assim. De alegria, felicidade. Jogo 4 chegou. Preciso de todos aqui, no Hugo Ramos, 14 horas, sábado. Chegamos. Vamos! Nunca disputei uma final do NBB, mas eu quero. Quero todo mundo gritando, xingando, cobrando, você sabe por que? Essa continua sendo minha casa. Não esqueçam. Vai, Mogi! Vamos buscar essa final”, disse na publicação.

+Confira o post no Instagram de Shamell

O mais curioso é que Shamell vinha de uma de suas piores atuações na temporada no Jogo 3 da série, na Arena Carioca 1, em que anotou apenas seis pontos e viu o Mogi ser derrotado por 71 a 64. O resultado reduziu a vantagem mogiana para 2 a 1 e colocou uma pressão maior na equipe para o Jogo 4 no Hugão.

“La Casa de Shamell”: termo usado por torcedores do Mogi se encaixou perfeitamente na partida deste sábado (Luiz Pires/LNB)

O que? Pressão? Só se for para o Flamengo. Com clima digno de uma final, o Mogi foi empurrado por mais de 5 mil vozes que incendiaram o Hugo Ramos a cada cesta, ainda mais com as vibrações de Shamell, que a todo momento chamou os torcedores para vibrar e participar do jogo. O resultado? Vitória mogiana e 40 pontos para o maior cestinha da história do NBB.

“Entrei no jogo e pensei ‘chega, a gente merece isso’. Ficamos dez meses trabalhando e merecemos isso. Tivemos a oportunidade mudar a história e conseguimos mudar. Eu não queria ir para o Rio de novo, e todos da equipe vieram com esse pensamento. No jogo lá no Rio o Flamengo teve uma estratégia diferente, mas eu não estava agressivo. Se eu tivesse ajudado um pouquinho do jeito que sei, a gente teria feito 3x0”, contou Shamell.

“Entramos em quadra realmente determinados a não voltar para o Rio. O Flamengo sempre é o favorito pois já ganhou várias vezes, mas chegar à minha primeira final eliminando uma grande equipe como eles é uma sensação maravilhosa, a cidade merece isso. Estamos muito felizes, mas não satisfeitos, porque quero ser campeão”, completou o norte-americano.

Conversa com Tyrone

Um dos melhores amigos de Shamell, o norte-americano Tyrone revelou uma conversa com o camisa 24 no quarto do hotel no Rio de Janeiro após a derrota no Jogo 3 para o Flamengo. O ala/pivô mogiano contou com exclusividade ao site da LNB sobre essa conversa e como ela foi refletida em quadra na tarde deste sábado.

“Depois da derrota lá no Rio a gente estava meio p…, mas aí eu e o Shamell tivemos uma conversa no quarto do hotel e ele falou: ‘desculpa, eu não joguei bem, mas pode ter certeza que em casa vamos ganhar’. Eu acredito muito no Shamell, ele que me trouxe aqui para Mogi, aprendi muito com ele, são quase quatro anos juntos. Muita gente não sabe, mas nos últimos dias o Shamell ficou aqui no Hugo Ramos o dia inteiro, sozinho, treinando, todos os dias. Eu ficava uma hora por dia mais ou menos, Shamell ficava o dia inteiro, todos os dias. Aí como vocês viram hoje, 40 pontos, isso não é para qualquer um”, revelou Tyrone.

Shamell se desculpou com Tyrone após má atuação no Jogo 3 no Rio e prometeu mudar a história no Hugão. E como mudou… (Luiz Pires/LNB)

Quando questionado sobre esse treinamento extra durante a semana, Shamell confirmou e contou que o foco estava 100% neste Jogo 4 desde o final do último duelo no Rio de Janeiro.

“Quem me conhece sabe que quando perdemos sempre acho que a culpa é minha. Minha responsabilidade é maior, a cobrança é maior, e a minha cobrança comigo mesmo é grande. Depois do Jogo 3, voltando para Mogi, eu já estava 100% focado nesse jogo de hoje. Vim aqui no Hugo Ramos todo dia durante a semana, treinei fora de hora, fiz tratamento, tudo para chegar aqui hoje e atingir o melhor resultado possível”, falou Shamell.

“Foi um ótimo jogo, uma ótima série. Hoje o ginásio estava cheio, o ginásio cheio, sem lugar para sentar, a cidade merece tudo isso. Estamos há quatro anos lutando, lutando, lutando, com dor, problemas com a família, mas deixamos tudo de lado, viemos aqui hoje e conseguimos. Agora estamos na final”, completou.

Agora é Final

No melhor jogo de sua carreira, Shamell conseguiu não só recordes, mas também o acesso à sua primeira final de NBB CAIXA na história. Em dez edições disputadas, o norte-americano havia chegado quatro vezes às semifinais (duas com o Pinheiros e duas com o Mogi), mas nunca à grande decisão.

Aos 37 anos, Shamell vai para sua primeira final de NBB CAIXA na carreira (Luiz Pires/LNB)

Agora, o experiente atleta de 37 anos, que tem no currículo os títulos da Liga das Américas, Sul-Americana e Campeonato Paulista, terá a primeira chance de disputar uma final de campeonato nacional nos quase 15 anos de Brasil. No entanto, ele prefere manter os pés no chão.

“Sempre temos que ter humildade. Podemos trabalhar para jogar melhor, mas mesmo assim podemos perder. Sempre que temos que ter o pé no chão. É aquela velha história: hoje você pode ter tudo, mas amanhã pode ter nada. Por isso temos que trabalhar com humildade. Penso desde sempre que tenho sempre que fazer mais que os outros para ter mais que os outros. Se eu venho aqui e faço zero pontos, todos falam, cobram. Não é todo dia que será assim como hoje, por isso temos que focar sempre. Vamos descansar, trabalhar duro e partir buscar o título nessa Final”, finalizou Shamell.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), em parceria com a NBA, e conta com o patrocínio master da CAIXA, os patrocínios da SKY, INFRAERO, Avianca, Nike, Penalty e Wewi e os apoios do Açúcar Guarani e do Ministério do Esporte.