Foi um jogão. Mogi das Cruzes/Helbor e Flamengo fizeram uma grande partida na noite deste sábado, no Ginásio Hugo Ramos, na região metropolitana de São Paulo. Durante todos os 40 minutos, as equipes protagonizaram um duelo equilibrado e repleto de alternâncias no placar. E para vencer o time carioca contou com um herói improvável: Cristiano Felício. O jovem pivô, de 22 anos, foi o responsável pelo arremesso que decretou a dramática vitória rubro-negra, pelo placar de 80 a 78.

O heroico triunfo diante de um ginásio completamente tomado pela barulhenta torcida mogiana deixou os atuais campeões em vantagem na série semifinal do NBB 2013/2014. Com 2 a 1 de frente, os cariocas estão a um jogo de garantir a passagem à Final do maior campeonato de basquete do país e poderão atingir tal feito na quarta partida da série, que será realizada na próxima segunda-feira, às 19 horas (de Brasília), novamente no Hugo Ramos, com transmissão ao vivo do SporTV.

A atuação de Felício não se resumiu apenas ao arremesso salvador. O jogador saiu do banco de reservas apenas no final do terceiro quarto, mas marcou 12 pontos e foi peça-chave para o sucesso do Flamengo. Enquanto isso, o ala Marquinhos teve um grande desempenho e foi o cestinha da partida, com 27 pontos, sendo 21 deles oriundos de sete tiros de três pontos certeiros. Outro atleta que teve grande participação na vitória flamenguista foi o armador Laprovittola, autor de 14 pontos e nove assistências.

“A equipe me dá muita confiança a cada partida e hoje eu fui muito feliz. Mas não foi só a última bola que foi importante. A equipe soube aproveitar cada detalhe da partida e isso fez a diferença no final”, disse o herói Felício.

Pelo lado do Mogi, os destaques ficaram por conta do pivô Daniel Alemão, responsável por um duplo-duplo de 18 pontos e dez rebotes, e do ala Marcus Toledo, que marcou 16 pontos. Com a derrota, a equipe do técnico Paco García viu sua série de sete triunfos seguidos em casa ser quebrada e agora precisará vencer o quarto jogo para seguir vivo na série.

“Falhamos um pouco na nossa tarefa de dominar os rebotes defensivos. Demos muito segunda chance ao time adversário. Nós até conseguimos jogar na frente por boa parte do último quarto, mas infelizmente acabamos deixando eles virarem o jogo”, declarou o armador mogiano Gustavinho.

Embalado pelo barulho ensurdecedor vindo das arquibancadas, Mogi começou a partida com tudo. Toledo e Gustavinho acertaram bolas de três pontos e a equipe assumiu a ponta do placar (6 a 4). Na sequência, uma bela jogada que culminou em uma enterrada de Sidão e um contra-ataque puxado por Gustavinho levaram a diferença para seis pontos (10 a 4) e obrigaram o treinador flamenguista José Neto parar o jogo precocemente, com pouco menos de quatro minutos jogados.

A parada fez muito bem ao time carioca. Logo na volta do tempo técnico, a equipe passou a trabalhar melhor seus ataque e, com tiros de longa distância convertidos por Olivinha e Laprovittola, igualou o placar em 10 a 10. A partir de então, o equilíbrio se tornou a grande tônica do duelo. As equipes se alternaram na ponta do marcador algumas vezes, até que os visitantes, no embalo do bom desempenho de seu armador argentino, fecharam o primeiro quarto em vantagem, mas por apenas um ponto: 19 a 18.

O começo do segundo quarto foi amplamente dominado pelo Flamengo. Colocando muitas dificuldades para os Mogi pontuar, os rubro-negros tiveram mais tranquilidade para atacar e conseguiram abrir vantagem. Com destaque para Olivinha, a equipe impôs uma sequência de 9 a 2 nos minutos iniciais da parcial, elevou a diferença para oito pontos (28 a 20) e obrigou, desta vez, o técnico mogiano Paco García a parar o jogo. Assim como os adversários no primeiro quarto, Mogi melhorou seu desempenho após a parada.

Com sete pontos seguidos, Marquinhos até manteve o clube da Gávea na frente (35 a 25). Porém foi então que Mogi reagiu. Mais ligado na defesa e com boas tramas ofensivas, a equipe paulista rapidamente diminuiu o prejuízo e reequilibrou o confronto, graças à atuação do ala Toledo. Com duas bolas de três pontos seguidas e uma enterrada que inflamou ainda mais a torcida da casa, o camisa 13 foi fundamental para o esquadrão do Alto do Tietê empatar o jogo em 37 a 37. Mas, no último lance do primeiro tempo, Marquinhos voltou a aparecer e no estouro do cronômetro, com uma bola de três pontos – sua terceira na partida -, deixou os atuais campeões em vantagem: 40 a 37.

As duas primeiras cestas do terceiro quarto foram dos cariocas e vantagem foi para sete pontos (44 a 37). Mas quem mandou no início do período foi Mogi. Com destaque para a dupla de pivôs Alemão e Sidão, que além de comandar a pontuação ainda foi fundamental na briga pelos rebotes, a equipe anfitriã emplacou uma incrível sequência de 12 a 0 e virou o jogo (49 a 44). Sem se intimidar, os rubro-negros voltaram a ficar em vantagem. Recém-saído do banco de reservas, o jovem pivô Cristiano Felício converteu duas bolas de três pontos seguidas e foi crucial para nova virada dos flamenguistas, que levaram o duelo para o último período com quatro pontos de frente (55 a 51).

Os donos da casa voltaram melhor para a parcial final. Com participação ativa de Jeff Agba, os mogianos deixaram tudo igual (58 a 58). Na sequência, depois de novo erro do ataque flamenguista, veio a virada dos anfitriões: bola de três pontos de Jason Smith, 61 a 58 no placar e muito barulho nas arquibancadas. A resposta do Flamengo veio rápida e rapidamente a equipe do Rio de Janeiro voltou a figurar na liderança (62 a 61), depois de cestas de Felício e Meyinsse. A partir de então o jogo ficou ainda mais eletrizante.

Com cestas dos dois lados da quadra, as equipes se revezaram na ponta do marcador e, restando três minutos para o fim da partida, o placar apontava igualdade: 69 a 69. Marcus, pelo lado do Mogi, e Marquinhos, pela equipe visitante, chamaram a responsabilidade e o jogo seguiu empatado (76 a 76), com 1min30s para o encerramento do duelo. Sumido no jogo, Marcelinho anotou dois pontos e deixou os cariocas em vantagem (78 a 76).

Depois de erros dos dois lados, Mogi conseguiu deixar tudo igual, em uma jogada rápida com Alemão (78 a 78). Restando 11 segundos para o término do jogo, o Flamengo teve a bola nas mãos para tentar a vitória e deu certo. Laprovittola encontrou Felício, que acertou um arremesso de média distância e colocou 80 a 78 de vantagem para o clube da Gávea. Com pouco tempo para tentar a virada, Mogi tentou um tiro longo com Smith, mas o norte-americano falhou e a vitória ficou mesmo com o Flamengo.