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NBB CAIXA

Os ingredientes

13-04-2018 | 01:02
Por Douglas Carraretto

Jogos emocionantes, duelo de estrelas e "caldeirões": confira 4 motivos para não perder a série quartas de final entre Mogi e Caxias

As quartas de final do NBB CAIXA 2017/2018 serão abertas com um duelo que promete fortes emoções: Mogi das Cruzes/Helbor (4º) e Banrisul/Caxias Basquete (5º). A primeira partida será neste sábado (14/04), no Ginásio Vasco da Gama, na serra gaúcha, às 14 horas, ao vivo na Band.

O confronto entre as duas equipes é inédito em playoffs e tem tudo para ser arrepiar. Quer saber por que? Confira quatro motivos para não perder essa série:

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), em parceria com a NBA, e conta com o patrocínio master da CAIXA, os patrocínios da SKY, INFRAERO, Avianca, Nike, Penalty e Wewi e os apoios do Açúcar Guarani e do Ministério do Esporte.

Teve (muita) emoção

Os dois times fecharam a fase de classificação do NBB CAIXA colados um no outro – Mogi em quarto e Caxias em quinto. Esse equilíbrio foi visto também nos duelos diretos entre eles: ambos foram decididos nos segundos finais e terminaram com um ponto de diferença no placar.

No primeiro turno, em solo gaúcho, o Caxias aplicou uma virada incrível no quarto período e contou com um toco salvador de Alexandre Paranhos no último segundo para levar a melhor no Vascão, por 66 a 65. Essa foi a primeira derrota do então invicto Mogi no campeonato – o que engrandece ainda mais o feito caxiense.

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“Vencemos com aquele toco meu em cima do Tyrone, um lance decisivo. Sem dúvida foi um momento marcante da fase de classificação e da minha carreira. Eles (Mogi) vinham invictos até então. Não fizemos uma grande partida como outras que fizemos na temporada, mas como sempre, mantivemos o equilíbrio e nossa entrega nos deu aquela vitória. Sem sombra de dúvidas será uma série equilibrada”, analisou Paranhos.

Já no segundo turno, no Ginásio Hugo Ramos, o Mogi segurou uma nova reação do Caxias no último quarto, deixou escapar uma vantagem que chegou a ser de 20 pontos e por pouco não foi derrotado novamente.

O “salvador da pátria” para os mogianos foi o ala Jimmy, que converteu uma bola de 3 pontos milagrosa no estouro do cronômetro e deu a vitória ao time paulista, por 76 a 75. Curiosamente, antes do arremesso, o camisa 18 vnha apagado e tinha apenas quatro pontos na partida e um aproveitamento de 0/4 nas bolas de 3. Mas, viu sua estrela brilhar no momento decisivo.

“Me lembro bem desse jogo. Lembro que o Shamell estava machucado e também que tivemos dificuldades no final do jogo. Na última bola o Tyrone infiltrou, me encontrou na zona morta e tive a felicidade de matar a bola da vitória”, disse Jimmy. “Essa série será dura, eles estão com moral, colocaram 3 a 0 contra o Botafogo e estão fazendo uma grande campanha. Com certeza a vaga será decidida nos detalhes”, completou o Melhor Defensor do último NBB CAIXA.

Shamell x Cauê Borges

Titulares no Jogo das Estrelas 2018, o ala norte-americano Shamell e o ala/armador Cauê Borges são as grandes referências de Mogi e Caxias, respectivamente, e prometem fazer um duelo de altíssimo nível, cada um com sua característica.

Aos 38 anos, Shamell é aquele pontuador nato, imparável, que põe a bola embaixo do braço e lidera sua equipe em quadra. Não à toa, é o maior cestinha da história do NBB CAIXA, com 6.446 pontos.

Com média de 15,6 pontos por jogo, o norte-americano é o cestinha do Mogi na temporada. Sua característica principal é o poder de decisão. Ele cresce nas horas decisivas e tem poder de sobra para fazer a diferença em qualquer partida.

“É claro que todo o elenco do Mogi tem muita qualidade, mas sempre que o Shamell está em quadra você tem que dar uma atenção especial a ele, sem dúvidas. Às vezes isso culmina em deixar os demais jogadores com um pouco mais de liberdade”, analisou Cauê Borges, estrela do Caxias.


Do outro lado, Cauê Borges é o grande destaque da campanha histórica do Caxias. O ala/armador de 27 anos faz a melhor temporada de sua carreira e certamente é um dos candidatos ao troféu de MVP da atual edição do NBB CAIXA.

Cauê é uma espécie de “faz tudo” no Caxias. Ele lidera a equipe em pontos (16,4 por jogo – 2ª maior do NBB), assistências (3,4 por jogo), roubos de bola (1,9 por jogo – 2ª maior do NBB) e eficiência (17,4 por jogo – 3ª maior do NBB), além de ser o segundo maior reboteiro do time (4,7 por jogo).

Tudo isso é motivo de preocupação para o Mogi e para Shamell, que destacou a qualidade de Cauê Borges e aproveitou para analisar alguns dos pontos fortes do atleta e do elenco do Caxias.

“O Cauê está jogando muito bem, o técnico deu a oportunidade, ele abraçou e assumiu o papel de protagonista do time. A equipe deles joga com paciência e qualidade, não têm pressa de fazer nada. Em um jogo Cafferata faz 10 pontos, no último Marcão foi o destaque, Paranhos é um cara decisivo. Ou seja, eles têm equipe, jogam na estratégia dele, com paciência”, analisou Shamell.

“Ele (Cauê) é o cara de decisão do time deles e vamos nos apegar nos detalhes do jogo dele para marcá-lo. Por exemplo, sabemos ele gosta de bater para a esquerda, então vamos direcioná-lo para a direita. São nesses pequenos detalhes que vamos focar. Sabemos da qualidade do time deles, mas temos nosso objetivo que é ir para a semifinal e depois para a final, vamos fazer de tudo para chegar lá”, completou o maior cestinha da história do NBB CAIXA.

Caldeirões

Outro fator importante dessa série são os ginásios. Mogi e Caxias têm suas casas como “caldeirões” e suas torcidas como trunfo para o sucesso de suas campanhas – cada um com sua proporção, mas a mesma importância.

Um dos maiores ginásios do NBB CAIXA, o Hugo Ramos, casa mogiana, tem capacidade para aproximadamente 6 mil pessoas e tem nada menos que a segunda maior média de público da atual temporada do NBB CAIXA, com 2.928 torcedores por partida.

O Mogi tem campanha de 11 vitórias e três derrotas jogando no Hugo Ramos (78,5% de aproveitamento). Para Shamell, o “fator torcida” é e será fundamental para os atuais vice-campeões da Liga das Américas nesses playoffs.

“Nossa torcida é muito importante para nós. Eles empurram nossa equipe, a cidade ama basquete. Tenho certeza que nesses playoffs eles virão aqui (no Hugão) e nos apoiarão do início ao fim. Eles cobram, mas nos dão uma energia muito positiva. Eles trabalham o dia inteiro, gastam o dinheiro deles para vir aqui e empurrar a gente, então o mínimo que eles merecem é 100% da nossa dedicação em quadra”, comentou Shamell.

Mogi é dono da segunda maior média de público do NBB CAIXA 2017/2018 (Antonio Penedo/Mogi Helbor)

Do outro lado, o Caxias manda suas partidas no Ginásio Vasco da Gama, que é bem menor que o Hugo Ramos, com capacidade de aproximadamente de 1.200 pessoas. No entanto, a casa caxiense lota todo jogo. O que prova isso? A equipe tem a 5ª maior média de público do campeonato, com 1.125 pessoas por jogo, mesmo com uma casa “pequena”, o que dá a eles a maior taxa de ocupação de ginásio do campeonato, com média de 83,4% da casa preenchida nas partidas da temporada.

Atuando como mandante, o clube gaúcho tem campanha de 10 vitórias e quatro derrotas neste NBB CAIXA. No entanto, duas dessas derrotas aconteceram no Ginásio do Sesi, onde a equipe mandou os jogos contra Flamengo e Minas. Ou seja, quando joga no “Vascão”, a campanha caxiense é de dez triunfos e apenas dois revezes (80% de aproveitamento).

“Nossa torcida é diferente. A cidade nos abraçou e tem sido fundamental em nossos jogos em casa, tanto que perdemos só duas partidas jogando no Vascão (Franca e Pinheiros). Sabemos da nossa força jogando com eles em casa, as equipes têm muita dificuldade em jogar aqui. Contamos muito com esse fator já para essa primeira partida”, analisou Alexandre Paranhos, ala/pivô do Caxias.

Mesmo com ginásio menor, Caxias tem a 5ª melhor média de público e a maior taxa de ocupação do NBB CAIXA (Matheus Magnani/Caxias Basquete)

Históricos

Mogi e Caxias entrarão em quadra carregando históricos distintos em playoffs do NBB CAIXA. Mas apesar de diferentes, ambos são fatores de extrema motivação para as equipes, e você entenderá o porquê.

Em seu sexto playoff em sete temporadas no NBB CAIXA, Mogi já foi a três semifinais na história (entre 2013/2014 e 2015/2016). No entanto, na temporada passada, a equipe foi eliminada nas quartas de final pelo Universo/Vitória, por 3 a 2, mesmo com mando de quadra. Com isso, ficou de fora da semi e teve sua sequência interrompida – o que motiva a equipe a mudar a história.

“O NBB está cada vez mais equilibrado. Do 5º ao 12º está tendo prorrogação, vitórias fora de casa e etc. Agora imagine entre os oito primeiros? Vencer o primeiro jogo fora de casa não decide nada, já tivemos essa experiência ano passado com o Vitória. Aquela eliminação com certeza nos serviu de lição para sempre manter o foco”, disse o técnico do Mogi, Guerrinha.

“Nossa vida, pessoal e profissional, é construída de erros e acertos. Tivemos duas eliminações de playoffs, uma para o Paulistano no Campeonato Paulista e outra para o Vitória no último NBB. Elas deixaram um gosto amargo, mas os dois times tiveram méritos. O Paulistano acabou campeão e o Vitória fez uma temporada brilhante e terminou em terceiro. Mas quando você é competitivo, quer algo a mais, você faz algo para mudar. Isso com certeza nos motivou a manter o foco e reverter essa história nessa temporada”, concluiu o comandante do time mogiano.

Guerrinha destacou o foco da equipe para evitar o ocorrido nas quartas da temporada passada (Antonio Penedo/Mogi Helbor)

Enquanto isso, o Caxias foi aos playoffs somente uma vez no NBB CAIXA. Foi na edição 2015/2016, quando terminou a fase de classificação em 11º e acabou eliminado nas oitavas de final pelo Brasília, sexto, por 3 a 1.

Mas um fato impressiona: na temporada passada, a equipe da serra gaúcha terminou a fase de classificação na última colocação e por pouco não foi rebaixada – permaneceu na elite devido às saídas de Brasília e Macaé.

Agora, a história é outra: o time caxiense terminou a fase de classificação em quinto (melhor campanha de sua história) e não só foi aos playoffs como “varreu” o Botafogo nas oitavas de final (3 a 0). Com isso, foi às quartas de final e garantiu um lugar entre os oito melhores times do país, com possibilidade de conseguir uma vaga na próxima Liga Sul-Americana – se terminar entre os cinco primeiros.

“Tudo que vem acontecendo com a gente é fruto de muito trabalho e dedicação de todos da nossa equipe. Isso nos motiva a fazer cada vez mais coisas e nos motiva a alcançar lugares mais altos na competição, mesmo tendo consciência do grande adversário que teremos e do tamanho do desafio. Acreditamos, sim, que é possível, mas precisamos pensar jogo a jogo para alcançar os resultados necessários”, analisou o técnico do Caxias, Rodrigo Barbosa.

Caxias, do técnico Rodrigo Barbosa, acredita na classificação contra o Mogi (Antonio Penedo/Mogi Helbor)

Calendário da série

Jogo 1 – 14/04 (sábado), às 14 horas, no Ginásio Vasco da Gama, em Caxias (ao vivo na Band)
Jogo 2 – 18/04 (quarta), às 19h30, no Ginásio Hugo Ramos, em Mogi (ao vivo no SporTV)
Jogo 3 – 20/04 (sexta), às 21 horas, no Ginásio Hugo Ramos, em Mogi (ao vivo no Twitter)
Jogo 4* – data e horário a definir, no Ginásio Vasco da Gama, em Caxias
Jogo 5* – data e horário a definir, no Ginásio Hugo Ramos, em Mogi

*se necessário