HOJE
Emoções cruzadas
Por Marcius Azevedo
Agora no Flamengo, Franco Baralle reencontra o KTO Minas em um momento simbólico da carreira, depois de atravessar um difícil processo de recuperação: "Vai ser um mix de sensações"
O reencontro com o KTO Minas, nesta terça-feira (23/12), marca muito mais do que um simples jogo para Franco Baralle. Agora defendendo o Flamengo, o armador argentino encara o clube que foi sua porta de entrada para o basquete brasileiro, onde brigou por títulos, em um momento simbólico, carregando na bagagem não só uma memória afetuosa das duas temporadas do NBB CAIXA pela equipe de Belo Horizonte, mas também após atravessar um dos períodos mais difíceis de sua carreira.
Atropelado por uma moto quando ia de bicicleta para o treino, Baralle passou quatro meses afastado das quadras logo no início de sua trajetória no Rubro-Negro. Entre dores físicas, desafios emocionais e um processo intenso de reabilitação, o armador precisou reaprender a lidar com o jogo e consigo mesmo, até voltar a se sentir pronto para competir em alto nível.

Franco Baralle em ação em seu primeiro jogo pelo Flamengo no NBB CAIXA. Foto: Mariana Sá/Flamengo
De volta às rotações e ainda em fase de readaptação ao ritmo do NBB CAIXA, o argentino projeta um impacto construído passo a passo no Flamengo, com liderança, leitura tática e personalidade nos momentos decisivos. Diante do KTO Minas, o sentimento será de gratidão e respeito, mas em quadra o foco é claro: competir, desfrutar do ambiente e ajudar o Flamengo a sair vencedor de um confronto que promete ser intenso e carregado de significado.
Como foi lidar com esse processo de recuperação logo no começo da sua trajetória no Flamengo? E o que esse período difícil de recuperação ensinou a você, tanto como atleta quanto como pessoa?
Foi difícil assimilar que eu ficaria fora de quadra por causa de algo externo, não por uma lesão em quadra. Foi difícil, de verdade. Foram dias sombrios. Mas eu sempre tentei me apoiar na minha família, na Julia (Kudiess), que esteve sempre ao meu lado. Havia muitas pessoas do meu lado que estavam me ajudando. Também tentei me afastar um pouco do basquete. Procurei fazer outras coisas diferentes que talvez eu estivesse postergando. Comecei a fazer essas coisas para manter a cabeça ocupada. Mas foi um processo difícil. Trabalhei muito na reabilitação, mentalmente, com um psicólogo, em muitas frentes. E também na alimentação e no descanso. Acho que, além de me tornar um profissional melhor, isso também me tornou uma pessoa melhor.
Após quatro meses parado, como tem sido esse processo de readaptação às partidas e à intensidade da equipe?
Comecei a trabalhar de forma gradual, sempre cuidando da parte física, porque, por mais que o pé já estivesse recuperado e o tornozelo já estivesse bem, eu também precisava cuidar da parte física em termos de condicionamento aeróbico e da parte muscular. E foi gradativo, indo aos poucos. Comecei a me sentir bem e coloquei um foco de que eu iria jogar no Uruguai. Sempre que conversava com os treinadores, os fisioterapeutas e o médico (Cláudio Prado) Cardone, eu dizia: Uruguai. Esse era o meu objetivo. E eu consegui alcançá-lo. Fiz apenas um treino de cinco contra cinco antes da viagem, então ainda falta um pouco de ritmo, mas estou indo aos poucos, não tenho de ter pressa.
Que tipo de impacto você acredita que pode trazer para o Flamengo agora que já está de volta?
Eu ainda não sei qual impacto vou ter, porque preciso me adaptar. Preciso encontrar o meu lugar na equipe. Mas vou tentar ter um impacto de liderança no time. Jogar um basquete tático. Gosto que o time atue de forma organizada, de passar confiança aos meus companheiros. Também me sinto muito confiante para tomar decisões. Sou uma pessoa que gosta de decidir. Também gosto de momentos difíceis. Mas sempre entendendo o meu momento em quadra e dentro do time. Isso vai sendo ajustado, sendo construído com os jogos e os treinamentos.
É possível você e Alexey atuarem juntos? Como você enxerga a convivência e o entrosamento entre vocês dois na armação?
Na maioria dos times, sempre joguei com outro armador do meu lado. Na quadra, tenho uma adaptação fácil, eu consigo jogar de spot-up. Até eu me sinto também muito mais confiante jogando com dois armadores, por uma questão de que os dois têm versatilidade para subir a bola, para ordenar o time. Vai ser muito bom, os dois vamos nos complementar bem, e, no final das contas, o mais importante é que o time jogue bem, e que o Flamengo ganhe.

Franco Baralle em ação no último jogo pelo KTO Minas, na final do NBB CAIXA 2024/25. Foto: João Pires
Como imagina que será o reencontro com o KTO Minas?
Vai ser um mix de emoções e sensações. O Minas foi o primeiro time que me escolheu para jogar fora do meu país. A minha primeira experiência internacional. Desde o primeiro dia, eu me senti parte do clube. Tenho um carinho e um apreço muito grandes. Vivi muita coisa no Minas, como todo mundo sabe. Vai ser uma sensação diferente, estranha, mas o que eu quero é desfrutar do jogo, do ambiente. Será um jogo disputadíssimo, importante. Vou desfrutar esse momento e também vai ser muito bom rever meus ex-companheiros.
É sua terceira temporada no Brasil. Está ajudando na adaptação do Alex Negrete?
No começo foi um pouco difícil porque o time viajou muito, eu machucado. Não consegui passar muito tempo com ele, mas agora, nas viagens, mesmo aqui no Rio, estou ajudando. Ele é um cara extrovertido, se relaciona bem, se leva bem com os caras, com os companheiros. Ele é jovem, está na primeira experiência fora da Argentina, tem muita coisa para evoluir. Além disso, tem muito potencial, é um cara que dá para jogar em umas ligas maiores, mas ainda tem de cumprir o prazo de evoluir seu jogo dentro da quadra. O Flamengo é o melhor lugar para ele crescer.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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