HOJE
Vitória da vida
Por Marcius Azevedo
Aos 12 anos, Noa Mello supera o câncer duas vezes, emociona o Maracanãzinho e transforma um simples gesto antes do jogo em uma mensagem poderosa sobre fé e o valor de viver cada dia
Antes de a bola subir para o clássico entre Flamengo e Botafogo, na segunda-feira (29/12), pelo NBB CAIXA, o Maracanãzinho silenciou para ouvir uma história que vai muito além do esporte. Com o coração aberto e os olhos atentos, o público no ginásio conheceu uma vencedora: Noa Mello.
Aos 12 anos, ela já enfrentou batalhas grandes demais para qualquer criança. Em 2022, após perceber um caroço nas costas, veio o diagnóstico de câncer. Foram 14 sessões de quimioterapia, 10 transfusões de sangue, uma cirurgia delicada e uma internação. Uma luta dura, vencida com coragem. Dois anos depois, em 2024, a vida testou novamente sua força. Dois novos caroços apareceram no mesmo local. Uma nova batalha começou: 32 sessões de radioterapia, mais 10 sessões de quimioterapia e outras internações. Mais uma vez, Noa venceu.

Noa levou a bola do jogo antes do clássico entre Flamengo e Botafogo. Foto: Mariana Sá/CRF
Recuperada e cheia de vida, ela entrou em quadra para entregar a bola do jogo à árbitra Andreia Regina Silva. Foi aplaudida de pé. Um gesto simples, mas carregado de significado.
Pequena no tamanho, gigante na história, Noa é rubro-negra de coração, apaixonada pela vida, pelo Flamengo e por viver cada momento intensamente. E o clássico não foi escolhido por acaso. Em uma família inteira flamenguista, apenas o avô Juarez é botafoguense. Ele estava ali, nas arquibancadas, assim como a avó Inês e a mãe Shirley, testemunhando um daqueles instantes que ficam para sempre.
“Como pai, é um aprendizado maravilhoso”, contou Igor, emocionado. “Você nunca imagina que vai estar diante de uma situação dessas. Recebemos o diagnóstico e, a partir dali, foi uma luta. Agradecíamos a cada ciclo cumprido, a cada exame. Tudo que pedíamos era: Pai do Céu, coloca a mão onde não alcançamos. Se for da tua vontade, que eu tenha o privilégio de continuar sendo pai da nossa filha por muitos anos, com ela saudável, viva, podendo experimentar a vida.”

Noa com o pai Igor na comemoração do eneacampeonato nacional, conquistado pelo Flamengo no Maracanã com uma vitória sobre o Ceará. Foto: Arquivo Pessoal
E Noa experimenta. Viveu títulos, voltou para casa na Ilha do Governador diretamente do Maracanã com faixa de eneacampeão brasileiro, vibrou com conquistas e construiu memórias. “Essa aí é mais rubro-negra do que muito rubro-negro por aí afora”, brincou Igor. “Onde o Flamengo estiver, seja no Maracanã ou no Maracanãzinho, ela vai estar. Porque ela gosta muito.”
Durante todo o tratamento, a família buscou manter o que parecia impossível: a normalidade. “A força veio de tentar manter o bom humor, de brincar, de gargalhar nos momentos mais inusitados”, lembrou o pai. “Apesar de nós também termos vivenciado tudo, os efeitos colaterais, todas as mudanças que o corpo dela passou, quem teve mérito, quem teve força para acreditar, foi ela. Ela brigou muito por isso.”
A caminhada foi atravessada também por solidariedade. Amigo da família, o locutor Adriano Gaúcho deu visibilidade para uma vaquinha que garantiu tranquilidade em um dos momentos mais difíceis. “Em menos de 24 horas, arrecadamos tudo o que era necessário”, contou. O gesto permitiu que a família focasse no essencial: o cuidado, o conforto e a recuperação de Noa.
“Foi uma mobilização linda”, agradeceu Igor. “Não precisarmos nos preocupar com a parte financeira fez toda a diferença. Tudo foi direcionado para o bem-estar dela e da família. Hoje ela está bem, voltou para a escola, está vivendo, curtindo, como deve ser.”
A história de Noa é sobre dor, mas sobretudo sobre fé. Sobre medo, mas principalmente sobre amor. Sobre um caminho difícil, atravessado um dia de cada vez. “A vida é um sopro”, resumiu Igor. “Aprendemos a viver cada dia como especial, agradecer, levantar a cabeça e seguir.”
Naquela noite, antes da bola subir, Noa não entregou apenas a bola do jogo. Ela entregou uma mensagem poderosa a todos que assistiam: há batalhas duras, mas há vitórias possíveis. Há dias difíceis, mas há vida depois deles.
E quando a arquibancada explodiu em aplausos, o que ecoou no Maracanãzinho foi mais do que apoio. Foi esperança.
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