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BCLA

Final Four

16-04-2026 | 02:39
Por Marcius Azevedo

Semifinais da BCLA acontecem nesta sexta-feira com Sesi Franca diante do invicto Nacional e o atual campeão Flamengo em busca de vaga na decisão contra o Boca Juniors em casa

O cenário está montado em Buenos Aires para a definição do melhor time das Américas. O Final Four da Basketball Champions League Americas 2025/26 começa nesta sexta-feira (17/08), no Estadio Obras Sanitarias, reunindo quatro forças que chegam por caminhos distintos, mas com ambições igualmente altas. A primeira semifinal será entre Sesi Franca e Nacional, do Uruguai, às 17h40, enquanto o segundo confronto opõe Flamengo e Boca Juniors, às 21h40, em um ambiente que promete ser intensamente favorável aos argentinos e desafiador para os brasileiros. As duas partidas terão transmissão pelo YouTube da BCLA.

Se o Sesi Franca entra em quadra sustentado por uma identidade coletiva consolidada, também carrega a responsabilidade de enfrentar um adversário que ainda não sabe o que é perder na competição. Campeão da BCLA em 2022/23, o time comandado pelo técnico Helinho Garcia, que soma seis vitórias e três derrotas nesta edição, busca o bicampeonato diante de um Nacional invicto, que soma oito vitórias na atual edição e reúne talento ofensivo e experiência internacional em seu elenco.

“O Nacional hoje é uma das grandes equipes das Américas. Não à toa chegaram ao Final Four e com jogadores que têm um potencial muito grande ofensivo. Tem alguns jogadores muito experientes, como o (Ernesto) Oglivie e o (Luciano) Parodi, que já vêm jogando pelas seleções do Panamá e do Uruguai, respectivamente, mas também outros estrangeiros que têm já uma passagem muito grande no basquete das Américas. É uma equipe que exige uma atenção muito grande. Temos de buscar uma consistência defensiva para que possamos procurar, a partir disso, ditar o ritmo da partida e, claro, buscar uma vitória”, afirmou.

A análise de Helinho aponta para o ponto central do confronto, o controle do ritmo a partir da defesa. Diante de um adversário que alia experiência internacional a talento ofensivo, incluindo destaques como James Feldeine e Connor Zinaich, o Sesi Franca terá de executar com precisão seu plano de jogo, minimizando oscilações e reagindo rapidamente a qualquer ajuste do rival.

“É um jogo que você tem de deixar tudo, tem de estar, desde o começo, muito atento às variações que são necessárias dentro da partida. As características do adversário, algum detalhe que o adversário coloque dentro do jogo, já temos de estar prontos para defendê-los. É um jogo que exige, desde o início, o foco total, intensidade total para que possamos buscar uma vitória”, explicou Helinho.

Mais do que um teste técnico, o confronto também exige maturidade competitiva em um formato que não permite margem para erro. E é justamente essa lógica que permeia também a outra semifinal da noite.

O Flamengo entra em quadra carregando o peso e a confiança de quem sabe exatamente o que é necessário para vencer esse tipo de torneio. Atual campeão da BCLA e também vencedor da edição 2020/21, o clube rubro-negro, que tem uma campanha de quatro vitórias e quatro derrotas, busca um tricampeonato que consolidaria ainda mais sua posição como uma das principais potências do basquete das Américas. Mas, como bem pontuou o técnico Sergio Hernández, o formato não permite margem para correção de rota.

“O Final Four é mata-mata. O nosso foco é o Boca Juniors, o primeiro e único adversário. Se quisermos ser campeões da BCLA, temos de ganhar do Boca. Não temos segunda opção. A mentalidade precisa ser essa. Não é como um playoff que sempre, em uma melhor de cinco, ganha o melhor. Porque você tem cinco oportunidades. Aqui é apenas um jogo. Você tem uma noite muito inspirada ou uma noite muito ruim. E, quando termina o jogo, você não pode falar: ‘Podemos jogar de novo?’ Não, já foi. Tem de estar muito concentrado.”

A fala do treinador argentino sintetiza o espírito da competição, um torneio decidido nos detalhes, na execução e, sobretudo, no controle emocional. E esse controle será ainda mais exigido diante de um ginásio que deve pulsar a favor do Boca Juniors. Hernández carrega uma bagagem singular nesse tipo de decisão. Campeão da antiga Liga das Américas com o Peñarol de Mar del Prata em 2007/08 e 2009/10 e responsável por conduzir o Flamengo ao título da última edição, em 2024/25, o técnico busca seu quarto troféu continental.

“A quadra vai estar lotada de torcida do Boca Juniors. Temos de estar frios, temos de ser inteligentes, ter muito coração. Vamos representar o Flamengo. O último campeão, o tricampeão. Joguei muitas vezes o Final Four da BCLA, quando era Liga das Américas. Ganhei, por sorte, duas vezes com o Peñarol. E eu sei o que é a glória de ser o melhor time do continente, que eu quero conseguir outra vez. Também vou para o meu tetra, já tenho três, gostaria de ter mais um”, afirmou o treinador do Flamengo.

Com seis vitórias e duas derrotas, o Boca Juniors aposta em um elenco equilibrado, liderado pelo americano Michael Smith, maior pontuador da equipe (14,4 pontos), líder de assistências (4,3) e o segundo jogador de maior eficiência (15,1). Além de nomes conhecidos do basquete brasileiro, como Martin Cuello, que defendeu o Flamengo em duas temporadas, e Santiago Scala, multicampeão com o Sesi Franca, incluindo os títulos da BCLA, da Copa Intercontinental e o tricampeonato do NBB CAIXA.