HOJE
Pontos nas mãos
Por Marcius Azevedo
Contratado por Gustavinho para momentos mais difíceis, Betinho resolve com menos minutos no Pinheiros, lidera um elenco jovem e revê o Corinthians, rival de um Game Winner memorável
Há jogadores que constroem carreiras pelo volume, outros pela regularidade. Betinho pertence a uma categoria mais rara: a dos que têm pontos nas mãos. Aqueles que são chamados quando o jogo aperta, quando a posse pesa e a decisão precisa de coragem e frieza. Foi exatamente por isso que Gustavinho De Conti pediu sua contratação para o Pinheiros. O técnico necessitava ter alguém no elenco capaz de resolver em momentos específicos, quase sempre sob pressão.
O roteiro se cumpriu. Mesmo vivendo, aos 37 anos, a temporada de menor tempo em quadra no NBB CAIXA, o sexto maior cestinha da história do campeonato mantém impacto direto. A média geral de 7,3 pontos praticamente dobrou nos últimos jogos, chegando aos 14 pontos por partida, justamente no período em que o Pinheiros cresceu de produção e ascendeu à liderança da competição.

Betinho tem sido importante para o Pinheiros ao entregar pontos ao sair do banco. Foto: Gabriella Garbim/ECP
Nada disso é acaso. Para Betinho, o jogo começa muito antes de pisar na quadra. No banco, esperando uma chance para entrar, ele observa, estuda, mantém o cérebro em frenético funcionamento. “Penso que tudo é um modo de como você se prepara para o jogo. Preciso estar pronto para, nos momentos difíceis, corresponder tomando as melhores decisões. Eu uso o tempo que estou no banco sempre ativo, tentando ajudar os meninos dentro de quadra e os apoiando. Assim vou me sentindo dentro do jogo para conseguir entrar na rotação de intensidade que o jogo pede”, explicou.
“E assim também consigo ver o que o jogo está nos dando e daí fazer as melhores leituras. Sei que o Gustavo, com a comissão técnica, confia muito em mim para esses momentos e, com isso, tenho a tranquilidade para entrar e fazer o meu papel da melhor forma possível”, completou.
A confiança da comissão técnica encontra eco em um elenco jovem, que vê em Betinho não apenas um finalizador, mas uma referência diária. Dentro e fora de quadra, o experiente jogador exerce um papel de liderança natural, construída no diálogo, na vivência e na exigência certa.
“Não é difícil liderar esses meninos, eles gostam que falem com eles e são inteligentes para o jogo. A qualidade técnica deles é muito grande e isso tudo acaba facilitando bastante. Claro que às vezes tem um puxão de orelha ou outro, mas sempre muito tranquilo. Eu vejo uma margem de evolução gigante para todos e, por isso, tento passar uma mentalidade de jogador grande para eles, para que eles não se contentem nunca e não relaxem em nenhum momento”, afirmou.
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Neste domingo (21/12), às 11h, Poliesportivo Henrique Villaboim, o cenário ganha ainda mais simbolismo. O adversário é o Corinthians, rival direto na parte superior da tabela e um velho conhecido de Betinho em momentos decisivos. É impossível falar desse confronto sem voltar no tempo, mais precisamente ao dia 9 de dezembro de 2019, quando ele cravou um game winner emblemático na história do NBB CAIXA, justamente contra o rival alvinegro, no triunfo por 82 a 81.
Uma bola que atravessou o tempo e permanece viva na memória do jogador. “É uma recordação fantástica, lembro como se fosse hoje. Foi um jogo muito duro em que eu não estava em um dos melhores dias em aproveitamento, mas no fim fui premiado com esse arremesso que nos deu a vitória! Bolas assim nos trazem os melhores sentimentos sempre”, comentou.
“Até hoje me arrepio quando vejo e com aquela narração que nos empolga ainda mais. É uma memória que me traz coisas boas, que me dá uma energia boa. Penso que essa é a influência, nada além disso. Foi há alguns anos, outro time, outras situações. Mas, por menor que seja a influência para o meu desempenho, é sempre muito bom e sempre me tira um sorriso quando assisto”, acrescentou.
O tempo passou, os contextos mudaram, mas a essência permanece. Quando o jogo pede decisão, Betinho continua pronto. Com menos minutos, mas com o mesmo peso. Com menos volume, mas com a mesma responsabilidade. Porque alguns jogadores não precisam estar o tempo todo em quadra. Basta estar quando a bola queima nas mãos.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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