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NBB CAIXA

Coringa

18-09-2013 | 11:35
Por Liga Nacional de Basquete

Ala/pivô? Ala? Armador? Reforço do Paulistano para temporada 2013/2014 do NBB, Pilar explica detalhes e origem de sua versatilidade em quadra

Pilar em ação pelo Paulistano no Campeonato Paulista: jogador chega ao clube após boas atuações pelo Bauru (Ale da Costa/Portrait)

Poucos jogadores do basquete brasileiro conseguem desempenhar mais de uma função dentro de quadra. Atuar como armador, ala e ala/pivô é coisa pouco casual entre os atletas que disputam o NBB. Mas Pilar, reforço do Paulistano/Unimed para a temporada 2013/2104 da maior competição de basquete do país, é prova de que essa “raridade” realmente existe.

Depois de três temporadas  seguidas defendendo o Paschoalotto/Bauru, sua última equipe, o jogador provou que pode ser um verdadeiro coringa em quadra. Contratado inicialmente para jogar como ala/pivô, o atleta, de 29 anos, chegou ao time bauruense em 2010 para ser uma das opções de garrafão do técnico Guerrinha.

Mas ao poucos, Pilar mostrou que poderia ser muito mais do que um ala/pivô e foi utilizado com frequência como ala. Além disso, durante o confronto válido pelas semifinais do último NBB, diante do Vivo/Franca, o jogador chegou a desempenhar a função de armador, já que Bauru perdeu o jovem Ricardo Fischer para o duelo e contava apenas com o norte-americano Larry Taylor para a posição.

“O Ricardo se machucou e eu tive que jogar um bom tempo durante os playoffs do último NBB contra Franca como armador. Apesar de ser uma posição complicada para se jogar, fazer a função de armador é algo muito gostoso e eu me senti bem. Foi um grande desafio e tive que conter meu estilo de jogo agressivo para fazer uma atuação mais tranquila, lendo mais o jogo. Essa relação de coringa acaba trazendo algumas coisas bem positivas para mim e eu consigo ter um controle de jogo maior”, explicou o novo camisa 17 do Paulistano.

Sempre destaque nas categorias de base do Estado de São Paulo, com as camisas dos tradicionais clubes Hebraica e Continental, Henrique Macia Alves da Cruz, na época conhecido como Henriquinho no meio basquetebolístico, começou a trilhar seu caminho de coringa ainda garoto.

Ala de origem, o jogador passou a ser utilizado como armador por alguns de seus treinadores na base e isso foi fundamental para que o reforço do Paulistano para a temporada 2013/2014 do NBB chegasse ao basquete profissional com condições de atuar em mais de uma posição dentro de quadra.

“Essa característica de coringa começou lá na minha época de categoria de base, tanto na Hebraica como no Continental. Eu era um jogador alto, que atuava na posição três (ala) e também como dois (ala/armador), mas que passou a jogar de um (armador). Com isso, desenvolvi uma certa habilidade no drible e uma inteligência maior em quadra. Isso me deu essa condição de chegar no adulto e poder desempenhar mais de uma função dentro de quadra”, contou o coringa Pilar.

Pilar se posiciona para receber bola no garrafão; atuar contra rivais mais altos não é problema para o atleta (Ale da Costa/Portrait)

Porém após passar praticamente todo seu ciclo nas categorias de base e seu início de carreira entre os profissionais atuando como ala e por vezes como armador, Pilar ganhou destaque e notoriedade no cenário do basquete brasileiro em outra posição.

Por conta de sua boa capacidade atlética e de seu bom entendimento do jogo, Pilar foi puxado para a posição de ala/pivô. E deu certo. Depois de se destacar pelo Metodista/São Bernardo no Campeonato Paulista de 2010, o jogador, de 1,98m de altura, chamou a atenção do técnico Guerrinha e foi contratado pelo Bauru antes do NBB 2010/2011.

“Durante minha carreira, acabei sendo puxado para a posição quatro (ala/pivô), apesar de eu não ser muito alto, por conta do meu bom jogo de infiltração e da minha velocidade. Mesmo jogando como ala ou ala/pivô, sempre penso o jogo como um armador e isso me deu essa facilidade para jogar contra caras mais altos do que eu. Nesse desenrolar, acabei virando esse coringa. Me arrisco e não me incomodo de jogar em qualquer posição dentro de quadra”, disse.

Ala, ala/pivô ou armador? Em qual a posição o jogador se sente mais à vontade para atuar? A resposta é complicada para Pilar. Por ter atuado por um bom tempo como ala e também como ala/pivô, o atleta, que irá para sua quarta temporada consecutiva no NBB, se divide para escolher seu posto preferido dentro de quadra.

“A posição que achei que eu tive um desempenho muito bom, inclusive em São Bernardo, foi a de ala/pivô. Fisicamente estava muito bem preparado para aguentar as trombadas e brigar sempre pelos rebotes. Quer queira, quer não, essa foi a posição que me deu uma projeção maior. Mas também gosto muito de jogar como ala. Foi a posição que eu mais joguei durante toda a minha carreira e me sinto bastante à vontade. Como disse, não tenho problemas quanto a isso”, afirmou.

Mesmo sem ter ainda mostrado todo seu basquete com a camisa do Paulistano, Pilar chegou ao clube da capital paulista com a moral alta com o técnico Gustavo De Conti. Por conta de uma lesão no joelho, o jogador perdeu parte da preparação da equipe e só disputou nove das 14 partidas que o time realizou no Campeonato Paulista 2013. Mesmo assim, o comandante do esquadrão alvirrubro enalteceu as qualidades do atleta.

“Gosto muito de trabalhar com jogadores que tenham essa versatilidade e ele (Pilar) foi contratado justamente por isso. Ele atua em mais de uma posição e é um cara que produz em pontos, rebotes e em outros fundamentos também. Além disso é um jogador com bastante força e que trabalha muito bem defensivamente. Infelizmente, ele teve uma lesão no início da temporada e ainda não conseguiu um bom ritmo de jogo. Mas a gente espera que, agora recuperado da contusão, ele evolua tanto taticamente quanto fisicamente”, disse o treinador, que seguirá aproveitando a versatilidade de Pilar e utilizará o coringa nas posições de ala e ala/pivô no Paulistano.