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NBB Caixa

Identidade criada

11-05-2026 | 10:00
Por Marcius Azevedo e Jairo Giovenardi

Em primeira participação no NBB CAIXA, Cruzeiro alcança os playoffs e mostra competitividade, reforçando o crescimento de um projeto que rapidamente tem conexão com os torcedores

Na primeira temporada de sua história no NBB CAIXA, o Cruzeiro fez mais do que apenas participar. O Cabuloso transformou um projeto estreante em uma equipe competitiva, alcançou os playoffs com 13 vitórias em 38 jogos e ainda protagonizou um clássico mineiro intenso contra o KTO Minas nas oitavas de final. Eliminado por 3 a 1 na série, o time celeste encerrou sua caminhada carregando algo ainda mais valioso para um projeto em construção: a sensação de que o basquete encontrou espaço definitivo dentro de uma das camisas mais pesadas do esporte brasileiro.

A caminhada do Cabuloso teve desafios naturais de uma equipe estreante. O elenco precisou se adaptar ao nível físico e técnico da competição, entender a dinâmica de viagens longas, sequência intensa de jogos e a exigência diária que o NBB CAIXA cobra. Ainda assim, o time mostrou capacidade de evolução ao longo da temporada, encontrou competitividade diante de adversários tradicionais e transformou a classificação aos playoffs em uma realidade construída rodada após rodada.

Túlio da Silva foi o principal nome do Cruzeiro Basquete no NBB CAIXA 2025/26. Foto: Arthur Lobo

Dentro de quadra, a equipe apresentou uma identidade baseada em entrega, intensidade e luta constante. Fora dela, passou a atrair um torcedor acostumado a ver o clube protagonista em outras modalidades, como futebol e vôlei, e que começou a enxergar no basquete mais um espaço de conexão com a camisa celeste. Gestor do Cruzeiro Basquete, Kaká Carone destacou o peso do aprendizado adquirido ao longo da primeira experiência na elite nacional.

“Por se tratar da nossa primeira temporada no NBB, o aprendizado e o conhecimento sobre o sistema de organização e disputa foram extremamente produtivos e fundamentais para nortear a sequência das próximas temporadas. Quando chegamos a uma competição nacional, uma das maiores das Américas no basquete, entendemos que, em uma temporada de estreia, o primeiro passo é pensar no planejamento diário, nas implementações e na manutenção da equipe na primeira divisão da liga nacional. Tudo isso é fundamental para consolidarmos cada vez mais o projeto de forma sólida e competitiva. Mas, ao mesmo tempo, entendemos e carregamos a responsabilidade de representar uma das maiores instituições do mundo. Somos Cruzeiro!”, afirmou.

A classificação aos playoffs acabou simbolizando justamente a aceleração desse processo. O que inicialmente aparecia como um objetivo distante passou a ser tratado internamente como uma meta plenamente possível. O Cruzeiro conquistou vitórias importantes e garantiu seu lugar entre os 16 melhores times da temporada. “Sobre playoffs, este anseio sempre esteve presente no nosso dia a dia e, ao longo da competição, analisando os resultados e observando o desempenho das outras equipes, a classificação deixou de ser apenas uma possibilidade e passou a ser uma meta totalmente factível. Nossa chegada aos playoffs representa exatamente isso: resultado construído por meio do processo e, ao mesmo tempo, reconhecimento e ambição da comissão técnica e dos atletas por entregas e conquistas ainda maiores”, afirmou Kaká.

Nas oitavas de final, o destino reservou um dos maiores desafios possíveis: o clássico mineiro contra o KTO Minas, dono da terceira melhor campanha da fase regular. Mesmo diante de um adversário consolidado, o Cruzeiro conseguiu competir em alto nível em diferentes momentos da série e ainda conquistou uma vitória importante diante do rival, evitando a varrida e reforçando sua capacidade de adaptação dentro do mata-mata.

Um dos líderes da equipe, o ala-pivô Túlio da Silva acredita que o profissionalismo implementado desde o início do projeto foi determinante para a campanha. “Desde que eu cheguei ao Cruzeiro, encontrei um ambiente totalmente profissional e voltado para que nós pudéssemos desempenhar o nosso melhor papel. Esse foi um passo importante para que pudéssemos conquistar resultados juntos.”

A equipe criou uma relação positiva com o torcedor cruzeirense durante o NBB CAIXA. Foto: Arthur Lobo

Túlio também destacou a dimensão que o projeto ganhou ao longo da temporada e a responsabilidade de representar um clube acostumado com conquistas em diferentes modalidades. “O que mais me marcou foi poder viver essa primeira temporada do Cruzeiro no NBB e perceber a grandeza do clube também dentro do basquete. Desde o primeiro momento, entendemos a responsabilidade de representar uma camisa tão vencedora. Foi muito legal ver o crescimento da equipe, o envolvimento da torcida e a forma como o projeto foi tratado com seriedade desde o início”, disse.

A evolução competitiva durante a série contra o KTO Minas também deixou marcas importantes para o elenco. Mesmo com a eliminação, o Cruzeiro mostrou capacidade de enfrentar uma equipe experiente em jogos equilibrados e intensos, cenário que serviu como aprendizado para os próximos passos do projeto. “Acredito que evoluímos principalmente na forma de competir. Enfrentamos uma equipe muito forte, consolidada e que fez uma grande campanha, mas conseguimos fazer jogos duros. O aprendizado é entender o nível de exigência dos playoffs, perceber onde precisamos melhorar e levar essa experiência para os próximos passos do projeto”, analisou Túlio.

Outro ponto marcante da campanha, segundo o ala-pivô, foi a relação construída com a torcida. Aos poucos, o basquete foi ocupando espaço dentro do universo cruzeirense, transformando jogos em experiências cada vez mais barulhentas e conectadas com a identidade do clube. “O torcedor cruzeirense sempre foi o nosso sexto jogador. Foi muito legal ver o quanto, durante os jogos, a torcida foi se apaixonando pela modalidade. Muitos nunca tinham assistido a um jogo de basquete, e o feedback que traziam para nós era sobre o quanto era legal viver essa experiência, o quanto era emocionante.”

A presença dos torcedores também chamou atenção fora de Belo Horizonte, algo que reforçou no elenco a dimensão nacional da instituição. “Eu vi uma frase nas redes sociais que dizia: ‘onde tem Cruzeiro, tem cruzeirense’. E não foi só em Belo Horizonte. Em todas as cidades em que jogamos, sempre tinha alguém com a camisa do Cruzeiro, torcendo por nós, gritando, vibrando e pedindo fotos. Isso nos ajudou bastante”, disse Túlio.

Ao fim da temporada, ficou a percepção de que o Cruzeiro conseguiu acelerar etapas importantes de sua construção. O clube entrou no NBB CAIXA buscando se estabelecer. Sai da primeira temporada carregando experiência, identidade e sinais claros de crescimento. “Sabemos que o jogo é jogado e que, no NBB, vencer ou perder muitas vezes é definido nos detalhes e nas peculiaridades de cada partida. Mas, para mim e para todos aqueles que trabalham diariamente e incansavelmente nos bastidores, fica a sensação de que isso é apenas o começo e de que ainda poderemos conquistar muito mais”, concluiu Kaká Carone.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.