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Vida salva

09-03-2026 | 01:21
Por Marcius Azevedo

Nossa Terra Tem Basquete: Da infância no Centro de São Paulo às medalhas olímpicas, Alessandra conta como o esporte transformou sua história e abriu caminhos para o mundo

Antes das medalhas olímpicas, do título mundial e de uma carreira que passou por 10 países, incluindo três equipes da WNBA, a história de Alessandra Santos de Oliveira começa no coração de São Paulo. Entre a Praça da República, a Praça Roosevelt e o Viaduto do Chá, lugares que ajudaram a moldar sua infância e que continuam vivos na memória. “Sou criança do centro de São Paulo”, contou. “Isso aqui é o meu jardim da infância.”

As lembranças passam pelos passeios com a mãe pelas ruas movimentadas da cidade e pelas visitas ao pai, que trabalhava próximo ao Teatro Municipal, na região da Bolsa de Valores. “Atravessar o Viaduto do Chá para ir visitá-lo era algo que ficou muito marcado. Eu achava tudo aquilo muito elegante, muito chique”, recordou. O centro paulistano, com sua mistura de cultura, trabalho e movimento, acabou se tornando parte da própria identidade da futura jogadora.

Mas a vida mudou cedo demais. Primeiro veio a perda da mãe. Pouco tempo depois, em 1988, a morte do pai trouxe uma nova realidade para a família. Alessandra tinha entre 14 e 15 anos, a irmã era ainda mais nova e o irmão mais novo ainda era criança. De repente, o futuro parecia incerto. Foi nesse momento que o basquete deixou de ser apenas um esporte da escola e passou a representar algo muito maior. “O basquete salvou a minha vida”, afirmou.

O primeiro contato com o esporte havia surgido nas aulas de educação física da escola pública. Como muitas crianças, ela praticava de tudo um pouco: vôlei, basquete, handebol e atletismo. “Os quatro esportes escolares que são os pilares”, lembrou. Ainda assim, o basquete sempre exercia uma atração especial. “Na escola, eu jogava até escondida.”

A virada aconteceu quando surgiu um teste em Piracicaba. Alessandra passou e recebeu uma ajuda de custo, algo que, naquele momento, fazia enorme diferença para a família. “Quando eu fiquei no basquete, foi também por questão social, pela ajuda de custo. Mas também porque eu gostava.”

O que começou como uma oportunidade acabou abrindo portas para o mundo. Ao longo da carreira, Alessandra jogou em 10 países diferentes, acumulando experiências que transformaram o esporte em um verdadeiro passaporte internacional. “Agora pensando… é louco. Eu vivi o mundo por meio do basquete.”

Em quadra, ela fez parte da geração mais vitoriosa do basquete feminino brasileiro, com Paula, Hortência e Janeth, ajudando a construir um legado que inclui o título mundial de 1994 e duas medalhas olímpicas, em Atlanta-1996 e Sydney-2000. Conquistas que colocaram o Brasil entre as potências da modalidade e que continuam inspirando novas gerações.

Hoje, a relação com o basquete vai muito além das lembranças da carreira. Alessandra acredita profundamente no poder transformador do esporte e na capacidade que ele tem de abrir caminhos para crianças e jovens. “Eu tento compartilhar minha experiência, minha história de vida e também meu conhecimento do basquete”, explicou.

Para ela, o esporte continua sendo uma ferramenta de mudança social. “O Brasil precisa de mudança, e o esporte pode auxiliar crianças e adolescentes.”

Ao olhar para o basquete brasileiro, Alessandra prefere enxergar evolução e novas possibilidades. Cada geração constrói sua própria identidade, e o mais importante é continuar olhando para frente sem perder o valor da história construída no passado.

No fim, uma pergunta resume tudo. “Tem basquete na sua terra?” Ela responde, com convicção. “Deveria ter mais. Mas tem, caso contrário não existiria a Alessandra.”

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.