HOJE
Duelo geracional
Por Marcius Azevedo
Entre aprendizado pela convivência e respeito mútuo, Franco Baralle e Lucas Rodríguez protagonizam um duelo simbólico na semifinal da Copa Super 8 entre Flamengo e KTO Minas
A relação construída no KTO Minas é o ponto de partida para entender o peso simbólico do duelo entre Franco Baralle e Lucas Rodríguez na semifinal da Copa Super 8. Foram duas temporadas dividindo o mesmo vestiário com o jogador do Flamengo de 26 anos, exercendo um papel de referência e liderança natural, enquanto o uruguaio de 18 anos dava seus primeiros passos em alto nível. Agora, nesta terça-feira (27/01), no Maracanãzinho, ex-companheiros se enfrentam em lados opostos em um jogo único, onde passado e presente se cruzam em 40 minutos sem margem para erro.

Baralle acompanha a evolução de Rodríguez desde o início e garante que o crescimento do jovem nunca foi surpresa. “O crescimento do Lucas não me surpreende. Conheço-o desde que cheguei ao Minas. Sabia muito do potencial dele. Ninguém está descobrindo nada”, afirmou. Para o argentino, a maturidade explica a titularidade precoce. “Ele é um jogador com muita personalidade para a idade que tem. E tem muita autoridade para jogar de armador e, por isso, está sendo o titular”. O orgulho extrapola o duelo imediato e projeta o futuro, embora o jogador do KTO Minas ainda não tenha definido qual seleção defenderá, apesar de ter nascido em Montevidéu. “Só estou esperando o chamado do Uruguai para ele ser o armador. Ele com certeza vai ser o armador da seleção do Uruguai por muito tempo.”
Do outro lado, Lucas reconhece que grande parte da segurança que demonstra hoje passa pela convivência com Baralle. “Sem dúvida, ter dividido o vestiário com um jogador como o Franco é uma experiência que me ajudou muito e me ajuda até hoje”, disse. Entre os principais aprendizados, ele destaca o controle emocional. “O jeito de manter a cabeça fria a todo momento para poder tomar as melhores decisões durante o jogo é algo que aprendi com ele e tento replicar na quadra”. A leveza é herança direta. “Também tento desfrutar o jogo, jogar leve, me divertindo, e fazendo o que eu gosto. Ele sempre me transmitiu essa ideia.”
Vivendo um novo estágio da carreira, Lucas encara a Copa Super 8 como mais um capítulo de um sonho em construção, mesmo com apenas 18 anos. Ele ganhou espaço como titular na rotação do técnico Léo Costa nos últimos jogos. “Às vezes, eu perco a noção do lugar onde estou e o espaço que estou tendo aqui com 18 anos. É realmente um sonho sendo realizado a cada dia”, afirmou. Essa postura ajuda a afastar a pressão de um jogo eliminatório. Dentro de quadra, ele sabe onde pode ser decisivo. “Sou um jogador com muita energia dentro de quadra, tanto na defesa quanto no ataque, e gosto de transmitir essa energia para o time o tempo inteiro. É algo importante para jogos decisivos.”
Enquanto Lucas vive a afirmação, Baralle atravessa um momento distinto no Flamengo. Em retorno gradual após lesão que o afastou por quatro meses, com minutos controlados, ele destaca a necessidade de ajustar o mental para um torneio curto. “A Super 8 não tem amanhã, são jogos únicos, pode acontecer qualquer coisa e isso faz com que seja um torneio curto, o primeiro torneio do ano, que dê um título”, analisou. Ainda assim, o armador ressalta a importância da serenidade: “Mas, ao mesmo tempo, ter tranquilidade porque sabemos que tem coisas para ganhar os jogos e para ganhar a Super 8.”
O reencontro com o KTO Minas, clube onde atuou recentemente, não traz sensação de vantagem para Baralle em um duelo eliminatório. Pelo contrário. “Conheço bem o Minas, conheço a estrutura, conheço o treinador, mas é um time diferente do que eu estava. Tem jogadores novos, é totalmente diferente”, afirmou. Para ele, o passado pouco pesa. “Não adianta nada que eu tenha jogado ano passado lá. Esse ano é um time novo, é um Minas novo e um Flamengo novo, não tem como conhecer outro time.”

Lucas Rodríguez e Franco Baralle se enfrentam pelo primeiro turno do NBB CAIXA. Foto: Hedgard Moraes/MTC
No Flamengo, a cobrança por protagonismo é inevitável, mas Baralle reforça que as decisões passam pelo coletivo. “Todo mundo sabe que quem joga no Flamengo, que é um clube onde todo mundo quer estar, a cobrança vai ser maior”, disse. Ainda assim, ele relativiza o papel individual. “Todos somos inteligentes e todo mundo pode ter essa bola decisiva. Sempre vamos procurar o cara que está jogando bem, que está sendo o destaque ofensivo”, completou.
Pelo lado do KTO Minas, Lucas sabe que o desafio contra o Flamengo exige precisão máxima desde o início. “Sabemos que não vai ser um jogo fácil e que vai ser uma grande disputa durante os 40 minutos”, projetou. A chave, segundo ele, está na execução. “Precisamos executar o plano de jogo sem erros e conseguir impor nosso ritmo desde o começo”.
Em um duelo marcado por história, aprendizado e respeito, a relação construída no passado entre Franco Baralle e Lucas Rodríguez agora serve apenas como pano de fundo para uma semifinal que não permite amanhã.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
Basket Osasco
Bauru Basket
Botafogo
CAIXA/Brasília Basquete
Caxias do Sul Basquete
Corinthians
Cruzeiro
Flamengo
Fortaleza Basquete Cearense
Sesi Franca
KTO Minas
Mogi Basquete
Pato Basquete
Paulistano
Pinheiros
Conta Simples Rio Claro
Mr. Moo São José Basketball
Ceisc/União Corinthians
UNIFACISA
Vasco da Gama
Unoesc Basket Joaçaba
Brusque Basquete
Grupo BT/Clube de Campo de Tatuí
Contagem/América Towers
Fluminense
IVV/CETAF
ADRM
B.Cearense
Botafogo
Campo Mourão
Caxias
IVV/CETAF
Corinthians
Flamengo
Minas
Paulistano
Pinheiros
São José Basketball
São Paulo FC
SESI Franca
Thalia/PH.D Esportes
Vasco/Tijuca