HOJE
De rivais a parceiros
Por Gustavo Marinheiro
Entre trajetórias distintas e sonhos em comum, Jackson Junior e Jojo Moreira se consolidam como peças-chave na LDB 2025 pelo São Paulo
Caminhos diferentes, mas com o mesmo destino. Jackson Junior e Jojo Moreira são dois dos grandes protagonistas do São Paulo no Campeonato Brasileiro Interclubes – Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) 2025. A dupla de armadores não apenas divide a responsabilidade de comandar o Tricolor em quadra, como também construiu uma sintonia que começou na rivalidade das categorias de base e hoje se transformou em parceria dentro e fora do tablado.

Jackson Junior com o seu prêmio de MVP do CBI sub-17 de 2023. Foto: Divulgação/CBB
O início de Jackson: do futebol em Natal ao São Paulo
Nascido em Natal, Jackson Junior cresceu sonhando em ser goleiro de futebol. Foi o incentivo de um professor de educação física que abriu a porta para o basquete, ainda aos 12 anos. A falta de estrutura na cidade não foi empecilho: Jackson se destacou cedo, sendo campeão brasileiro sub-14 no 3×3 e, alguns anos depois, MVP e cestinha do Campeonato Brasileiro Interclubes Sub-17, quando na época defendia a camisa do Tijuca Tênis Clube, do Rio de Janeiro. Esse desempenho abriu caminho para vestir a camisa do São Paulo na temporada seguinte.
“Não tinha ninguém na minha familia que jogava, o basquete chegou muito do nada na minha vida. Quando eu comecei eu tinha zero talento, saia correndo com a bola sem pensar muito, não tinha muita noção, mas foi o incentivo do meu professor que me fez melhorar cada vez mais. Ele brincava comigo ‘se eu te ver jogando futebol, vou tirar nota sua’, e ai fui focando cada vez mais no basquete. Lá em Natal, eu tinha idade para jogar sub-13/14 e já jogava com a galera de 18/19 anos, foi a partir desse momento que eu me destaquei mais”, disse Jackson, que completou contando sobre sua chegada no São Paulo: “Quando cheguei no Tijuca, me deparei com uma grande estrutura e apoio do clube, foi o momento que evolui muito. Ali, consegui me destacar ao ponto de me tornar MVP do CBI sub-17, e foi nesse momento que chegou o convite do São Paulo, que claro, não puder recusar”, completou.

Jojo Moreira (ao centro, com o troféu) comemorando o título do CBI sub-16 de 2022. Foto: Arquivo Pessoal
O caminho de Jojô: influência familiar e rivalidade na base
Já Jojo conheceu o basquete através da família. O tio, Jefferson William, foi um jogador histórico do NBB, e o pai, sempre ligado ao esporte, foram fundamentais na escolha. Depois de deixar o futebol para trás, cresceu dentro do Palmeiras, onde começou a sua jornada no basquete de base, aos 12 anos. Quando chegou no Pinheiros para a disptua do sub-16, conseguiu se destacar no cenário paulista de basquete ao ponto de ganhar o MVP de sua categoria. Em uma de suas grandes finais na base, durante a decisão do CBI sub-17, enfrentou justamente Jackson, ainda em lados opostos – Na ocasião, quem levou a melhor foi o Pinheiros do Jojo.
“Era impossível eu não entrar para o mundo do esporte. Também jogava futebol quando mais novo, mas teve um dia que meu primo, que jogava basquete no Palmeiras, me chamou pra fazer um treino junto com ele e de cara eu já gostei. Meu pai, que sempre gostou de jogar basquete, fez questão de me ajudar a treinar e de me desenvolver”, afirmou Jojo, que também comentou sobre o momento em que decidiu se juntar ao Jackson no Tricolor paulista “Nós nos enfrentamos nesse CBI onde ele foi destaque, eu vi do que ele era capaz e desde esse primeiro momento eu já coloquei na minha cabeça que gostaria de jogar com ele. Estar ao lado de jogadores talentosos como ele, Isaque, Igor, e tantos outros, foi de fato uma grande motivação”, completou.
De adversários a dupla de confiança
A relação entre os dois começou antes mesmo do São Paulo: Jackson e Jojo já dividiram a quadra na seleção brasileira sub-17. Esse contato fez a rivalidade virar respeito e, mais tarde, amizade. Hoje, no Tricolor, a dupla é vista como peça-chave do time. Enquanto Jackson é decisivo em momentos de pressão, Jojo é apontado como o organizador, a mente por trás das jogadas.
“Nós jogamos juntos, na seleção, e desde então admiro o estilo de jogo do Jackson. Ele é muito inteligente em quadra, sei que se ele tá com a bola, vai sair cesta ou ele vai encontrar alguém livre. Sem dúvidas, ele é um cara que não tem medo, que se o momento é de decisão, ele vai pra cima”, disse Jojo, que também foi descrito por seu companheiro.
“Jojo sempre foi muito falado na base, impossível não conhecer ele. Gosto muito da maneira que ele pensa o jogo, que ele consegue controlar as ações do time, ele é muito calmo e inteligente, o tipo de jogador que todo time precisa. Fora que, além de um companheiro de time, eu ganhei um irmão, ele é um cara alto astral.”, completou Jackson.
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Se em quadra a química é evidente, fora dela a relação é ainda mais leve. Jojo descreve Jackson como um cara animado, sempre pronto para levantar o astral do grupo. Já Jackson, vê em Jojo um irmão, alguém que combina bom humor com competitividade. Essa conexão também se reflete na liderança do vestiário: ambos são vozes ativas na motivação da equipe, especialmente nos momentos mais difíceis. Na LDB, cada um já teve sua grande atuação. Jackson brilhou em um jogo contra o Corinthians, quando passou dos 30 pontos. Já Jojo foi fundamental no duelo contra o Thalia, que garantiu a classificação para a Série Ouro.
“Nós conversamos bastante durante o jogo. Conseguimos enxergar o momento que o outro tá vivendo, se eu tenho que pegar a bola, se é ele quem tem que decidir, nos comunicamos muito bem”, disse Jojo, que ainda teve a fala completada pelo Jackson “Tem dias e dias, as vezes um não tá bem e deixa a bola com outro e vice-versa. Fora que existe muito um trabalho de dar a confiança para o outro, de tentar colocar no jogo, sabe?”, completou Jackson.

Em 2024, Jojo e Jackson, jogando pelo São Paulo, foram campeões da Série Prata da LDB. Foto: Geremias Orlandi/LNB
O que vem pela frente
Com a Série Ouro pela frente, a dupla deixa claro que o objetivo é grande: levar o São Paulo à final e provar que a juventude do elenco não é obstáculo para competir de igual para igual com equipes mais experientes.
“A experiência conta muito, é fato. As vezes erramos, tomamos decisões falhas dentro de quadra, mas se estamos na Série Ouro, é por que somos capazes. Estamos na LDB para impactar, isso é basquete. Somos homens da mesma forma e sabemos que podemos deixar uma marca. Queremos chegar na final, sabemos que a série ouro tá muito nivelada, mas vamos mostrar o que podemos fazer”, finalizou Jackson.
“Sabemos que somos novos, mas é justamente por isso que estamos jogando na LDB. Na primeira fase batemos de frente com todo mundo e vamos dar o nosso máximo para seguir tomando o nosso lugar. Estamos treinando muito e eu confio muito no nosso time. Queremos chegar longe!”, finalizou Jojo Moreira.
A LDB é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete com patrocínio máster da Caixa Econômica e Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball e patrocínios oficiais Penalty, Universidades Cruzeiro do Sul, UMP, Whirlpool e apoio oficial Infraero, IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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Flamengo
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Pinheiros
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