HOJE
Legado Construído
Por Marcius Azevedo
Elinho entra para o seleto grupo de 16 atletas na história com 500 jogos no NBB CAIXA e celebra uma trajetória marcada por regularidade, protagonismo e herança dentro e fora de quadra
A noite de segunda-feira (09/02), no Ginásio Wlamir Marques, ganhou um significado especial para além do resultado em quadra. Diante da Unifacisa, vestindo a camisa do Corinthians, Elinho Corazza alcançou a marca de 500 jogos na história do NBB CAIXA, um feito que o coloca em um grupo raríssimo da competição: apenas 16 jogadores em 18 edições conseguiram chegar a esse número. Um recorte que, por si só, já ajuda a dimensionar a longevidade, a regularidade e o peso de sua trajetória no basquete nacional.
Quando olha para essa marca redonda, Elinho não esconde o impacto pessoal do número. “Nossa, representa muita coisa. Lá atrás, eu nunca imaginei chegar a 500 jogos com essa carreira que eu estou construindo, da minha história. É fora da realidade, assim, para mim”, afirmou. A fala carrega o tom de quem construiu tudo passo a passo, atravessando 16 temporadas no NBB CAIXA e defendendo camisas pesadas do cenário nacional, como Paulistano, KTO Minas, Mogi Basquete, Sesi Franca, São Paulo e, agora, o Corinthians.

Pelo Corinthians, Elinho completou 500 jogos na história do NBB CAIXA diante da Unifacisa. Foto: Beto Miller / Corinthians
Dentro dessa caminhada extensa, Elinho não apenas permaneceu em alto nível como também deixou sua marca de forma definitiva na identidade da Liga. Dono de uma leitura de jogo refinada e de um entendimento coletivo raro, o armador é hoje o líder de assistências do NBB CAIXA de todos os tempos, um dado que traduz em números aquilo que sempre foi sua principal virtude dentro de quadra: fazer o jogo fluir e potencializar quem está ao seu redor.
E ele próprio reconhece o quanto essa característica foi fundamental para sustentar tamanha regularidade. “Pesa muito. Essa sempre foi uma característica minha, desde a categoria de base, essa leitura de jogo. O meu estilo sempre foi muito formado, assim, todo mundo sabe qual é o meu estilo. Isso ajuda muito, pela leitura, pelos atalhos, por conhecer bastante os companheiros, que também é uma coisa que eu tento saber o que cada um gosta de fazer, a bola que o cara gosta. Isso aí ajuda muito a continuar competitivo, a continuar em alto nível”, explicou, reforçando que entender pessoas e contextos é tão importante quanto entender sistemas e jogadas.
Entre esses 500 jogos, alguns ganham contornos ainda mais simbólicos. E, certamente, a partida histórica disputada contra o Paulistano, em 5 de novembro de 2024, ocupa um lugar especial nessa galeria pessoal. Não apenas por ter se tornado ali o maior jogador em número de assistências, mas pelo significado emocional de alcançar a marca diante de um clube que faz parte de sua própria formação como atleta e de sua história no NBB CAIXA, um daqueles encontros em que passado e presente se cruzam em quadra.
A carreira, porém, também foi moldada por momentos de ruptura e reconstrução. Um deles, decisivo, veio em 2015, quando sofreu uma grave lesão no joelho direito, atuando pelo Mogi Basquete. “Sempre foi uma característica minha, essa liderança, digamos, de cobrar, de falar bastante. Eu sempre tive essa característica desde a base. Mas eu acho que uma chavinha que eu posso falar que mudou na minha carreira, assim, foi depois da lesão em 2015. Tive uma lesão do ligamento cruzado do joelho. Depois disso, eu consegui subir de patamar, digamos”, relembrou. A lesão, que poderia ter sido um freio, acabou se transformando em um ponto de virada, amadurecendo o jogador e o líder que passou a comandar equipes dentro de quadra com ainda mais consciência.
Ao longo dessas quase duas décadas, Elinho também foi testemunha direta da transformação do próprio NBB CAIXA. E faz questão de reconhecer o salto estrutural e cultural da Liga. “A Liga evoluiu em tudo. Nós, como atletas, evoluímos muito. A mentalidade de profissional evoluiu. A Liga evoluiu muita coisa. Transmissões, quadra, tabelas, padronizou muita coisa, os árbitros. Se você olhar lá atrás, no primeiro NBB, no segundo NBB, todo mundo consegue ver a transformação que o basquete teve. Em nível nacional, o quanto o basquete cresceu com o NBB mudou a vida de muita gente”, analisou, situando sua própria trajetória dentro de um processo coletivo de crescimento do basquete brasileiro.
Se os 500 jogos ajudam a contar a história de Elinho, eles também servem como plataforma para o que ele mais valoriza hoje: deixar legado. Especialmente para os mais jovens que chegam à Liga cheios de sonhos. “O negócio que eu prezo muito aqui, em qualquer time que eu passei, é tentar ajudar os mais novos, ajudar o máximo de gente que eu conseguir no elenco. Um conselho? O conselho que eu posso dar é para todo mundo se dedicar ao máximo, é viver isso daqui. Eu vivo 100% basquete, é minha vida. A programação da minha vida é perante o time, o treino. Se tem treino, no outro dia eu não vou fazer nada, eu vou descansar. Vou comer direito, tudo o que eu faço é para mim”, contou, escancarando o nível de entrega exigido para sustentar uma carreira longa.
E ele vai além, traduzindo essa dedicação em algo prático, quase cotidiano. “Esse é um conselho bom para a criançada, tem de se dedicar 100%. É gostar do que você faz. Tem aqueles dias que você não quer ir, que você não está 100%, mas, nesses dias, é o grande diferencial de você dar o seu máximo. Pode ser que não seja o máximo de todos os dias, mas se for, você está 20%, mas, se você der o seu máximo de 20%, eu acho que você evolui, você sai melhor, o dia está pago”, completou.
O jogo de número 500 de Elinho, portanto, não é apenas uma marca estatística. É o retrato de uma carreira construída com leitura, resiliência, liderança e generosidade em quadra, coroada pelo posto de maior assistente da história do NBB CAIXA. Um símbolo de permanência em uma Liga que mudou, cresceu e se profissionalizou, e que teve, em Elinho, um de seus personagens mais constantes e determinantes ao longo dessa história.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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