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Copa Super 8

Choque estratégico

24-01-2026 | 08:40
Por Marcius Azevedo

Duas trajetórias e um único jogo para decidir, Helinho Garcia e Dedé Barbosa sabem que leitura, ajuste e controle emocional são determinantes entre Sesi Franca e CAIXA/Brasília

A Copa Super 8 coloca frente a frente, neste domingo (25/01), no Pedrocão, duas figuras que representam momentos distintos de trajetória, mas que se encontram no mesmo ponto de tensão competitiva. Multicampeão e dono de dois títulos da própria competição, Helinho Garcia, técnico do Sesi Franca, enfrenta Dedé Barbosa, comandante do CAIXA/Brasília, que lidera um projeto de reconstrução esportiva e busca devolver o clube ao protagonismo traduzido em conquistas.

Em um torneio de eliminação direta, não há espaço para correções tardias. Cada detalhe vira decisão, cada posse carrega peso ampliado. Helinho define esse cenário como um exercício permanente de controle. “Temos de minimizar a chance de erro. Então, todo cuidado com tudo, seja com a logística, com a preparação, como mapear a outra equipe, o treinamento, nem ser menos nem passar da conta”, explicou. Para ele, a Copa Super 8 exige equilíbrio absoluto: intensidade máxima sem extrapolar, foco total sem perder clareza. “Tudo aquilo que está no nosso controle, nós temos de procurar estar bem focados para que possamos fazer o nosso melhor a cada jogo.”

Do lado do CAIXA/Brasília, Dedé Barbosa parte da mesma premissa, mas sob a ótica de quem encara o torneio como oportunidade de consolidação. “A preparação passa a ser ainda mais específica. Cada detalhe ganha peso: leitura do adversário, controle emocional e execução do plano de jogo como combinado”, afirmou. Em um contexto de jogo único, ele reforça que a capacidade de decidir bem sob pressão se torna determinante. “Tomada de decisão segura e adaptação à partida”, completou.

Helinho Garcia pede tempo para os ajustes necessários durante o jogo. Foto: Marcos Limonti/SFB

O confronto também carrega um duelo de propostas. O Sesi Franca chega respaldado por um elenco acostumado a decisões, enquanto o CAIXA/Brasília aparece como uma equipe em crescimento, mais confiante e ofensivamente agressiva. Helinho reconhece esse avanço do adversário e aponta onde pretende intervir. “Brasília é uma equipe que cresceu muito ao longo da temporada, é uma equipe que detém um poder ofensivo bastante grande, bastante forte, com jogadores que podem decidir uma partida”, analisou. A estratégia passa por reduzir esse impacto. “A princípio, vamos procurar minimizar o volume de jogo de jogadores importantes que vêm construindo o placar deles, para que possamos, obviamente, buscar a vitória e a conquista da vaga na semifinal.”

Dedé enxerga o mesmo jogo pelo prisma do equilíbrio. Para ele, não há margem para oscilações prolongadas. “O principal desafio está no controle do ritmo e na eficiência nos momentos-chave. O jogo tende a ser decidido nos detalhes”, disse. Em um ambiente de pressão máxima, pequenas vantagens táticas ou emocionais podem inclinar o resultado.

Apesar do peso decisivo da competição, Helinho não altera a essência do processo de preparação. A diferença está na execução. “A preparação para as partidas é praticamente igual ao que sempre fazemos. Seja mapeando adversários, seja passando vídeos, seja colocando nos treinamentos aquilo que nós vamos estar procurando fazer no jogo”, explicou. O ajuste fino vem na intensidade e no foco. “A partir disso, procuramos fazer o nosso melhor com toda intensidade em busca da vitória neste campeonato de tiro curto.”

Dedé Barbosa quer levar o CAIXA/Brasília novamente ao papel de protagonista. Foto: Wilian Oliveira/Foto Atleta

Já Dedé contextualiza o momento do CAIXA/Brasília como parte de um caminho mais amplo. “Falando por mim, estamos em um projeto que representa crescimento, com identidade e confiança no processo”. A Copa Super 8 surge, assim, como teste e afirmação.

Quando o jogo entra em sua fase mais crítica, a leitura à beira da quadra ganha protagonismo. Helinho aponta que, após um turno inteiro de NBB CAIXA, quase nada é surpresa. “As duas equipes estão muito a par das suas funções, das táticas de cada jogador, dentro daquilo que tem de característica, dentro daquilo que a equipe tem de repertório tático”, afirmou. O diferencial está na capacidade de ajustar. “Mudando no próprio jogo aquilo que é necessário em busca de um crescimento durante a própria partida, visando buscar as suas vitórias.”

Dedé concorda e reforça o peso das decisões durante os 40 minutos. “Ajustes, trocas e mudanças no ritmo podem alterar completamente o cenário da partida”, disse, ressaltando que o contexto agora é outro em relação ao primeiro turno. “Maior pressão, menos margem para erro e um ambiente de decisão que exige respostas imediatas”, finalizou.

No Pedrocão, o duelo entre Helinho Garcia e Dedé Barbosa vai além do histórico ou da ambição. É o encontro entre a segurança de quem já conquistou tudo e a fome de quem ainda quer colocar troféus na estante, um embate onde preparação, leitura e coragem para ajustar podem ser tão decisivos quanto qualquer jogada desenhada na prancheta.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.