HOJE
Solidez Oriental
Por Marcius Azevedo e Bruno Ribeiro
Atual MVP das Finais do NBB CAIXA, Didi Louzada reencontra equilíbrio na carreira no Japão, faz balanço positivo da temporada pelo Sun Rockers Shibuya e projeta os seus próximos passos
Entre treinos intensos e uma sequência quase ininterrupta de partidas na B. League, o Japão apresentou a Didi Louzada um cenário diferente de tudo o que viveu desde que deixou o Espírito Santo rumo ao basquete profissional. Em um país de civilização milenar, marcado pela disciplina e pela admirável capacidade de reconstrução, o último MVP das Finais do NBB CAIXA desbravou muito mais do que um novo mercado. Foi um aprofundamento de sua maturidade e uma nova maneira de enxergar a própria carreira.
Depois do título do NBB CAIXA conquistado com o Sesi Franca na temporada passada, o ala de 26 anos atravessou o mundo para defender o Sun Rockers Shibuya, uma das equipes da conferência leste da liga japonesa. Como toda mudança, o ciclo na Terra do Sol Nascente trouxe novos desafios, como uma cultura completamente diferente e um calendário extremamente exigente. Dentro de quadra, porém, a adaptação aconteceu de forma natural.

Didi Louzada passou por um processo de amadurecimento importantes no Japão. Foto: Sun Rockers Shibuya
“A B. League é muito competitiva e disciplinada taticamente. Eles correm muito mais. A gente joga sempre de quarta, sábado e domingo. Quarta, sábado e domingo, sem parar. Então essa carga de jogos foi uma das primeiras coisas às quais tive que me adaptar”, contou o jogador. Acostumado ao mais alto nível de jogo por conta de sua passagem pela NBA e pelo status de uma das principais promessas recentes do basquete brasileiro, o capixaba também reconheceu o cenário de expansão que encontrou por lá. “É uma liga que está crescendo muito, com muitos jogadores de alto nível internacional. Então isso exige um foco diário”, comentou. Ele fechou a temporada 2025/26 com médias de 14 pontos, 4,1 rebotes e 2,2 assistências, além de 36,5% de aproveitamento nos arremessos do perímetro.
Mais do que a intensidade física, a experiência exigiu uma transformação pessoal. Afinal, a barreira da língua, a distância do Brasil e a necessidade de sair da própria zona de conforto ampliaram a dimensão da temporada vivida no mundo oriental. “Os hábitos, a comida… tudo é muito diferente. A língua foi o mais difícil, embora tenha aprendido algumas frases e palavras importantes para o dia a dia. Posso dizer que consegui me adaptar, porque consegui aproveitar muita coisa com a minha família, como restaurantes e pontos turísticos”, citou Didi.
Resiliência
No meio da temporada, porém, o caminho, que já não era fácil, ganhou mais um obstáculo: o retorno da hérnia de disco. Após passar por cirurgia, o camisa 0 do Sun Rockers ficou 100 dias afastado das quadras. A recuperação aconteceu longe da família e em meio às viagens constantes da equipe japonesa, transformando o período em um momento que exigiu equilíbrio mental. “Quando o time estava na cidade, os fisioterapeutas me ajudaram bastante. Mas foi uma época com muitos jogos fora de casa. E minha família também não estava aqui. Foi difícil, mas ficava em casa focado em me recuperar o mais rápido possível”, disse. E o retorno não poderia ter sido mais simbólico.
Pouco antes da reestreia, o brasileiro brincou com membros da comissão técnica e da fisioterapia que anotaria 20 pontos em apenas 20 minutos. A previsão parecia exagerada para alguém que ainda teria limitações após tanto tempo afastado. Mas Didi está acostumado a superar as expectativas: em sua reestreia, o ala anotou 22 pontos e foi eleito o MVP da partida. “Eu brincava com o fisioterapeuta que faria isso, mas não imaginava que conseguiria ter essa resposta logo no primeiro jogo”, confessou o ala.
A atuação serviu como reafirmação para um atleta que alternou, nos últimos anos, momentos de enorme expectativa internacional com interrupções provocadas por lesões e mudanças constantes de cenário. Hoje, aos 26 anos, a relação com a própria carreira parece menos acelerada e mais consciente. “Vivo dia após dia. Estou feliz aqui”. Mas isso não significa que ele não esteja antenado ao que se passa em outros contextos.
Pertencimento e evolução
Mesmo do outro lado do planeta, o NBB CAIXA continua presente na rotina de Didi. Principalmente quando o assunto envolve o Sesi Franca, clube onde foi formado e fez história. “Estou sempre de olho. Deixo meu comentário de apoio nas redes sociais, mando mensagem para o George, para o Lucas Dias, ligo para o Helinho, para o Paulo, o preparador físico… acompanho bastante”, revelou. Na reta decisiva dos playoffs, o palpite também não esconde o vínculo construído ao longo dos anos. “Franca vai ganhar novamente, com certeza. E o George é o favorito para levar o MVP. O Lucas também merece, mas acho que esse ano é do George”, cravou o ex-companheiro da dupla.

Didi Louzada colecionou boas atuações na B. League na temporada 2025/26. Foto: Foto: Sun Rockers Shibuya
Ao olhar para trás, o título conquistado na temporada passada aparece como um ponto importante na retomada de confiança e na reabertura do mercado internacional. Mais do que um troféu, representou a oportunidade de alcançar um nível de atuação que, na visão do próprio jogador, talvez ainda estivesse pendente desde os primeiros anos de carreira. “Era uma coisa que faltava no meu currículo. E ganhar o título justamente no clube onde praticamente me formei como profissional vale muito para mim. O MVP das Finais aumentou muito minha confiança também. Sou muito grato e feliz de saber que Franca foi o time que me ajudou a atingir esse nível.”
O sentimento de pertencimento também aparece quando o assunto é seleção brasileira. Fora das últimas convocações por causa da lesão, o ala revelou que manteve contato frequente com a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) e acredita em um possível retorno já nas próximas janelas. “Tenho consciência de me preparar e batalhar para um possível retorno. É o sonho de todo jogador representar o seu país no mais alto nível. Quero muito contribuir com a seleção brasileira.”
O próximo passo
Com a temporada encerrada no Japão, o foco agora está longe de decisões imediatas. Antes de pensar no próximo contrato, o brasileiro quer matar a saudade de seu país depois de meses marcados por distância, recuperação física e uma rotina intensa do outro lado do mundo. A permanência na B. League aparece como possibilidade concreta. No entanto, outros mercados internacionais também surgem no horizonte. Desta vez, porém, sem a ansiedade que acompanhou diferentes momentos da carreira desde os tempos de prospecto da NBA. “Não fico pensando em um possível retorno para lá. Se acontecer de uma forma natural, é porque era para ser. Mas não estou focado nisso. O importante agora é curtir minha família, meus filhos e minha esposa. Depois vou sentar com meu empresário para estudar as possibilidades.”
Enquanto o próximo capítulo ainda aguarda definição, fato é que o ciclo asiático deixou aprendizados em um dos talentos mais explosivos produzidos recentemente pelo basquete tupiniquim. Sem a preocupação de provar algo ao mundo, Didi Louzada encerra a temporada com algo que todo atleta busca ao longo da carreira: consistência, confiança e a maturidade de lidar com o próprio processo.
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