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NBB Caixa

Equilíbrio Necessário

09-01-2026 | 04:52
Por Marcius Azevedo

Jelena Todorovic detalha os desafios impostos pelas lesões, o processo de adaptação ao NBB CAIXA e a construção de uma identidade competitiva no Fortaleza Basquete Cearense

Equilibrar paciência e urgência tem sido um dos principais desafios da técnica Jelena Todorovic no comando do Fortaleza Basquete Cearense. Após os primeiros meses de trabalho no NBB CAIXA, ela destaca um processo marcado por adaptação, construção diária e superação de adversidades que vão além do resultado imediato em quadra. O segundo turno começa para o Carcalaion neste sábado (10/01), às 16h, em casa, contra o Flamengo, um dos líderes da competição. A equipe soma quatro vitórias e luta, ao mesmo tempo, para chegar aos playoffs e se afastar da zona de rebaixamento.

Em entrevista exclusiva ao site da Liga Nacional de Basquete, a treinadora sérvia de 32 anos detalha o impacto das lesões ao longo do primeiro turno, os ajustes constantes na rotina de treinos e no planejamento da equipe, além do processo de construção de uma identidade competitiva em uma liga que exige intensidade, disciplina e consistência em todos os jogos, independentemente do adversário ou do momento da temporada.

Jelena Todorovic analisa o trabalho no comando do Fortaleza Basquete Cearense. Foto: Carlos Roosewelt/FBC

Você inicia agora o segundo turno do NBB CAIXA. Olhando para esses primeiros meses à frente do Fortaleza Basquete Cearense, quais foram os maiores desafios do dia a dia e o que exigiu mais adaptação da sua parte?
O maior desafio tem sido lidar com as lesões e, ao mesmo tempo, com o processo natural de conhecer melhor os jogadores, a comissão técnica e a própria liga. A capacidade de adaptação se tornou essencial. Da minha parte, o principal ajuste foi aprender a equilibrar paciência e urgência, respeitar o processo de construção de algo novo, mas competindo todas as noites em uma liga extremamente exigente. Entender o ritmo e a mentalidade do basquete brasileiro, as demandas das viagens e o lado emocional do grupo também exigiu uma adaptação rápida.

A equipe enfrentou um número significativo de lesões ao longo da primeira metade da temporada. De que forma essa situação impactou o planejamento dos treinos, o desenvolvimento coletivo e até a implementação das suas ideias de jogo?
As lesões tiveram um impacto muito grande no nosso planejamento. Muitas vezes fomos obrigados a ajustar escalações, rotações e até a intensidade dos treinos diariamente. Isso naturalmente atrasou o desenvolvimento coletivo e a continuidade, especialmente no aspecto tático. Alguns conceitos precisam de repetição e estabilidade para se tornarem automáticos, e isso foi um desafio. Ao mesmo tempo, a situação nos forçou a ser criativos, a simplificar certas ideias e a dar oportunidades para que jogadores assumissem novos papéis. Nesse sentido, também fortaleceu o grupo mentalmente.

Apesar desses obstáculos, você sente que já conseguiu colocar sua filosofia de trabalho em prática? Em quais aspectos do jogo o time mais se aproxima daquilo que você idealiza?
Sim, mesmo com limitações, sinto que minha filosofia começa a ganhar forma. A escola sérvia de basquete é baseada em detalhes, disciplina e na leitura do que o jogo oferece. Misturada à fisicalidade e à criatividade brasileiras, estou tentando encontrar um bom equilíbrio e juntar tudo isso. Defensivamente, o time tem mostrado comprometimento, competitividade e disposição para lutar um pelo outro. Isso é inegociável para mim. Ofensivamente, nossa movimentação de bola e tomada de decisão evoluíram quando conseguimos ter mais saúde e estabilidade. O maior progresso está na mentalidade: jogar com responsabilidade, disciplina e confiança. Ainda há muito a evoluir, mas a base está construída. Temos alguns meses longos pela frente e confio na minha equipe.

Na sua avaliação, esse início foi mais difícil do que você imaginava ao aceitar o desafio no Fortaleza Basquete Cearense, ou a realidade do NBB CAIXA confirmou expectativas que você já tinha?
Foi desafiador, mas não surpreendente. Eu já sabia que o NBB CAIXA seria uma liga extremamente competitiva, física e bem treinada. O que tornou o cenário mais difícil foi o acúmulo de lesões em um período curto. Ainda assim, desafios fazem parte da profissão, e essa experiência confirmou minhas expectativas sobre a seriedade e o nível da liga. Também reforçou minha convicção de que trabalho de longo prazo, estabilidade e saúde são fatores-chave para o sucesso aqui.

Vivenciando o basquete brasileiro pela primeira vez, qual tem sido sua impressão sobre o nível do NBB CAIXA, a cultura do basquete no Brasil e o país fora das quadras?
Minha impressão tem sido muito positiva. O NBB CAIXA é uma liga forte, com jogadores talentosos, técnicos apaixonados e jogos intensos a cada rodada. A cultura do basquete brasileiro valoriza criatividade, intensidade e emoção, o que torna a competição muito viva. Fora das quadras, o Brasil tem sido extremamente acolhedor. As pessoas, o calor humano e a paixão pelo esporte fazem do país um lugar especial para trabalhar. É um país com uma conexão profunda com o basquete, e sou grato por estar vivendo essa experiência de perto.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.