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Copa Super 8

Pranchetas dinâmicas

30-01-2026 | 01:16
Por Marcius Azevedo

Pinheiros e KTO Minas se enfrentam em uma decisão que coloca em evidência o embate entre Gustavinho De Conti e Léo Costa, dois treinadores habituados a finais e respostas rápidas

Antes mesmo de a bola subir, a final da Copa Super 8 já está sendo jogada em outro ritmo. É um jogo de leitura, antecipação e resposta, em que cada posse carrega uma escolha e cada ajuste pode mudar o rumo da decisão. Pinheiros e KTO Minas chegam à final com identidades claras em quadra e com dois comandantes acostumados a pensar o jogo no limite do detalhe. Principal vencedor com quatro títulos, Gustavinho De Conti disputa sua sétima final do torneio agora em sua nova casa, após anos de sucesso com o Flamengo. Do outro lado, Léo Costa, técnico da equipe mineira desde 2019, chega à sua terceira decisão, com o título de 2022 no currículo.

Gustavinho vê a final como um organismo vivo, em constante transformação. Nada permanece igual por muito tempo dentro de uma partida decisiva. “Acho que todos esses aspectos citados estão em constante mutação durante qualquer partida, pois depende muito dos quintetos que se têm em campo e ainda dos momentos de cada jogador. Nossa equipe tem uma estrutura base, mas é uma equipe capaz de se adaptar a diversas situações táticas do jogo, assim como o Minas também”, afirmou.

Essa leitura encontra eco na visão de Léo Costa, que enxerga a decisão como um diálogo permanente entre as duas pranchetas. “Acredito que cada jogo tem uma história própria. Então, as duas equipes vão estar muito bem preparadas taticamente e esses ajustes vão acontecer, na minha opinião, dos dois lados da quadra durante os 40 minutos. Um ajuste de um treinador ou de uma equipe vai gerar uma reação do outro lado. Então, isso faz parte de jogos normais, mas principalmente num confronto decisivo”, analisou.

Gustavinho De Conti também tem um aspecto motivacional importante no seu trabalho. Foto: Ricardo Bufolin/ECP

O jogo de respostas rápidas também coloca em evidência um dilema clássico das finais: até onde ser fiel ao modelo e em que momento é preciso abrir mão de conceitos para vencer. Para Gustavinho, a decisão exige desprendimento total. “Principalmente em finais, é preciso fazer o que precisa ser feito para vencer. A vitória e o título valem muito mais do que qualquer apego tático ou modelo de jogo”, destacou.

Léo Costa continua por outro caminho, valorizando o processo construído ao longo do tempo. Para ele, identidade não se abandona na hora decisiva. “A gente construiu essa identidade durante muito tempo. Então, não tem como agora você querer reinventar todo um sistema e jogar totalmente diferente do que você vem fazendo. Claro que você precisa se adequar a algumas características do adversário, pontos que você identifica que quer neutralizar ou diminuir a efetividade e pontos que vê de fragilidade para explorar, mas sem perder sua característica própria”, explicou.

As escolhas invisíveis ao olhar do torcedor muitas vezes definem o rumo da partida. Gustavinho reforça a importância do elenco profundo e do controle físico. “As rotações são fundamentais por vários fatores, seja para mudar uma situação que não está indo bem, seja para descansar um pouco jogadores que estão com bom rendimento, mantendo a qualidade. O basquete hoje em dia é muito físico e dinâmico, então ter elenco profundo é fundamental”, ressaltou.

Léo Costa amplia essa leitura ao destacar a capacidade de resposta de todo o grupo. “Acho que a gente tem uma equipe com muitos jogadores que, independentemente de sair jogando ou não, podem se tornar protagonistas. Em vários jogos de final ou decisivos como esse, acabam surgindo jogadores que não estavam muito esperados, que se destacam e causam impacto numa vitória tão importante como essa”, pontuou.

Léo Costa aponta o caminho em tempo real para sua time em quadra. Foto: Hedgard Moraes/MTC

Mesmo com uma trajetória marcada por decisões, Gustavinho trata esta final como especial. Em sua sétima participação em uma decisão de Super 8, ele busca o quinto título, agora à frente de um Pinheiros que surpreendeu ao longo da temporada. “Já vivenciei muitas coisas, mas sempre há algo diferente a ser vivido. Dessa vez é muito especial, pois ninguém colocava o Pinheiros nesse lugar quando começou o NBB, e fomos crescendo e nos superando durante a competição. O clube merece estar aí, pois faz um trabalho sério e de qualidade, desde a diretoria, CT e jogadores. Vamos dar nossa vida para que essa taça fique no Pinheiros, mesmo sabendo que o Minas é favorito, pelo investimento e pelo trabalho sólido que faz há anos.”

Para Léo Costa, a decisão também carrega um significado especial. Depois de campanhas consistentes e finais recentes sem título, a Super 8 aparece como uma oportunidade de resposta e afirmação. “Eu vejo que, nessa temporada, temos uma missão muito clara de continuar brigando por títulos e, especialmente para mim, acho que é um momento importante, sim, nesse sentido. Fizemos duas finais no ano passado, que já não é fácil, uma final inédita de NBB CAIXA, mas ficou esse gostinho amargo de não ter levantado o troféu, então espero que a gente consiga colocar tudo em quadra e que a gente mereça esse título”, finalizou.

Entre a experiência de quem já levantou a taça diversas vezes e a convicção de um trabalho sólido e contínuo, a final da Copa Super 8 promete ser, antes mesmo de a bola subir, um jogo intenso de leitura, identidade e coragem na prancheta.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.