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Mentes em jogo
Por Marcius Azevedo
Campeão em 2022 e com sete participações na Copa Super 8, Léo Costa e o KTO Minas desafiam o Flamengo e Sergio Hernández, que disputa o torneio mata-mata pela primeira vez
O duelo entre Flamengo e KTO Minas na semifinal da Copa Super 8 também se desenha a partir da prancheta. Treinador de enorme bagagem internacional, Sergio Hernández vive pela primeira vez a experiência do torneio mata-mata que reúne os oito melhores do primeiro turno do NBB CAIXA. Já Léo Costa, um dos técnicos mais longevos do basquete nacional, identificado com o projeto da equipe mineira, onde chegou em 2019 e foi campeão da competição em 2022, o título mais marcante da sua carreira e da história do clube em seus 90 anos.
A trajetória recente adiciona ainda mais camadas ao confronto. Sergio Hernández chegou ao Flamengo pouco depois da conquista do tetra da Copa Super 8 sob o comando de Gustavinho De Conti, no começo de 2025, em uma final vencida justamente contra o KTO Minas. Está, portanto, em um time acostumado a decidir e pressionado a brigar por todos os títulos da temporada. Já Léo Costa reencontra o Rubro-Negro em um cenário que conhece bem: semifinal fora de casa, jogo único, ambiente hostil e a necessidade de máxima solidez emocional.

Para o argentino, o respeito ao adversário começa pelo reconhecimento do trabalho construído ao longo dos anos. “Respeitamos muito o Minas e, claro, uma das razões desse respeito é a identidade de jogo que eles constroem há muitos anos, mérito do trabalho do técnico Léo Costa”, afirmou Sergio Hernández.
Ele destaca que essa continuidade explica a presença constante do KTO Minas entre as principais forças da liga. “Uma identidade que lhes permitiu, por exemplo, conquistar a Copa Super 8 em determinado momento, o que hoje os mantém entre as principais equipes da liga e também muito bem posicionados na BCLA”. Ainda assim, o treinador rubro-negro relativiza o peso do passado. “Mas os antecedentes de cada torneio ficam para trás e começa-se a escrever uma nova história, especialmente em formatos decididos em jogo único.”
No Flamengo, a história recente impõe uma responsabilidade permanente. Hernández sabe que, independentemente do formato, a pressão acompanha a camisa. “O Flamengo chega a competições curtas ou longas sempre cercado de expectativas. O Flamengo é um clube grande, um time grande, e muitas vezes nem importa tanto o elenco que se consiga montar”, explicou.

Sergio Hernández sabe o peso que o pedido de tempo tem em uma decisão de jogo único. Foto: Paulo Reis/CRF
Para ele, o peso institucional é inevitável. “Só de vestir essa camisa, de representar esse clube, a pressão já existe”. Por isso, o critério na montagem do elenco vai além do talento técnico. “O Flamengo é inteligente na hora de contratar jogadores: busca não apenas qualidade técnica, mas também mentalidade, equilíbrio emocional e personalidade para suportar uma camisa tão pesada. E esta não será uma exceção”, completou.
A adaptação ao formato da Super 8 é outro desafio particular para Hernández, acostumado a séries longas de playoffs. Ele ressalta que, no mata-mata, a leitura em tempo real ganha um valor ainda maior. “A Copa Super 8, com esse formato de quem ganha segue, quem perde sai, em jogo único, é bem diferente do que estamos acostumados no basquete”, analisou.
Sem espaço para ajustes posteriores, tudo precisa acontecer durante os 40 minutos. “Aqui não há possibilidade de ajuste para o dia seguinte, porque não existe o amanhã. Os ajustes precisam ser feitos durante o próprio jogo”. Nesse contexto, o protagonismo em quadra se torna decisivo. “A partida ganha vida própria e é preciso ler e reagir em função do que está acontecendo em quadra. Por isso, a capacidade dos jogadores de executar acaba se tornando ainda mais importante, até mesmo, do que o próprio plano de jogo.”
Do lado mineiro, Léo Costa fala a partir da vivência. Esta é sua sétima participação na Copa Super 8, e a experiência do título de 2022 continua como referência, mas não como garantia. “Penso que cada temporada tem uma história própria”, ponderou. Ele reconhece paralelos importantes. “O que se assemelha àquele ano é a disputa da semifinal fora de casa contra o Flamengo”. Para avançar novamente, a receita passa por fundamentos claros. “Temos de ter personalidade e consistência defensiva para ganhar esse tipo de confronto. O meu papel é passar tranquilidade e confiança à equipe.”
Mesmo com mudanças de elenco e de protagonismo ao longo dos anos, o KTO Minas preserva uma identidade que, segundo o treinador, se fortalece em jogos decisivos. “Temos mantido uma característica nesses anos de defesa forte, jogo de transição e coletivo”, explicou Léo Costa.

Léo Costa costuma ser didático e assertivo na orientação dos jogadores nos tempos técnicos. Foto: Hedgard Moraes/MTC
Ele reforça que o grupo está preparado para cenários adversos. “Nossa equipe tem experiência e qualidade para enfrentar qualquer time em qualquer ginásio”. Em uma competição que reúne as melhores equipes do primeiro turno, não há atalhos. “Nenhum confronto será fácil. Mas quem busca vencer um campeonato não deve buscar o que é fácil, deve acreditar no que é possível. E podemos vencer!”, afirmou.
Questionado sobre o embate direto com um técnico de currículo internacional tão vasto, Léo Costa tira o foco da disputa individual. “Respeito muito o trabalho e a trajetória do Sérgio Hernandez. As oportunidades que tivemos de conversar e estarmos juntos sempre foram muito amigáveis”, disse Ele faz questão de reposicionar o debate. “Mas essa disputa não é sobre o Léo e o Sérgio. É um duelo de duas grandes equipes do basquete nacional”.
Para o treinador do KTO Minas, o fator decisivo será coletivo. “Quem conseguir atuar de forma mais consistente e confiante merecerá avançar para a grande final”, disse. E conclui com convicção. “Confio muito em nossa equipe e no trabalho que temos feito até aqui. Vamos em busca de disputar novamente esta final com todas as nossas forças”, finalizou.
Entre a estreia de um técnico acostumado a decisões globais e a experiência de quem já levantou o troféu da Super 8, o embate entre Sergio Hernández e Léo Costa traduz perfeitamente o espírito do torneio: identidade contra adaptação, continuidade contra novidade, tudo resolvido em um jogo que não permite ajustes para o dia seguinte.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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