HOJE
Jogo Limpo
Por Marcius Azevedo
Encontro orienta atletas, treinadores, árbitros e dirigentes do ecossistema do NBB CAIXA sobre práticas responsáveis e a importância da integridade no ambiente esportivo
A Liga Nacional de Basquete promoveu nesta segunda-feira (26/01) uma palestra educativa sobre integridade esportiva e os riscos do envolvimento ilícito com apostas esportivas, reunindo jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes das equipes que fazem parte do ecossistema do NBB CAIXA. A iniciativa reforça o compromisso da LNB com a ética, a transparência e a preservação do jogo limpo dentro e fora de quadra.
O encontro foi conduzido por Tiago Horta, Head de Integridade para a América Latina da Genius Sports, parceira da LNB, e teve como principal objetivo conscientizar e orientar os participantes sobre práticas responsáveis, além de ampliar o entendimento sobre como funcionam os mecanismos de abordagem, aliciamento e tentativa de manipulação de competições.

A ação integra um conjunto de iniciativas da LNB voltadas à educação contínua e à governança esportiva, alinhadas às melhores práticas internacionais. Esse trabalho já vem sendo desenvolvido de forma consistente, tendo contemplado as equipes e os jogadores das duas últimas edições da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB).
Ao investir em informação e conscientização, a Liga reafirma seu compromisso com a integridade das competições e com a construção de um basquete cada vez mais sólido, seguro e confiável para atletas, profissionais e torcedores.
Durante a palestra, foram apresentados cenários práticos e situações reais que evidenciam os riscos aos quais profissionais do esporte podem estar expostos. Um dos pontos centrais da discussão, segundo Tiago Horta, é o impacto do vício em apostas esportivas, frequentemente subestimado no ambiente competitivo.
“O risco mais sério e ainda subestimado, quando falamos de apostas esportivas, é o vício. E talvez isso ocorra justamente porque ele não começa com cara de problema. Começa com cara de brincadeira”, explicou Tiago Horta. Segundo ele, o cenário se agrava quando a dependência se instala, afetando diretamente a tomada de decisão, a saúde emocional e a estabilidade financeira dos envolvidos.
Horta destacou que esse contexto de fragilidade abre espaço para práticas ilícitas. “É exatamente nesse ponto que aliciadores enxergam uma oportunidade. A vulnerabilidade fica exposta. Por isso, educação é a primeira linha de defesa”, afirmou.
Para o executivo, a conscientização precoce ajuda a quebrar a ilusão do ganho fácil e evidencia consequências que vão além do esporte, atingindo dimensões pessoais, psicológicas, financeiras e reputacionais.
Outro tema abordado foi a responsabilidade compartilhada na proteção da integridade das competições. De acordo com Horta, atletas e árbitros têm deveres individuais inegociáveis, como não apostar, não manipular resultados, não repassar informações sensíveis e reportar qualquer tentativa de aliciamento.
“Já ligas, clubes e parceiros passam a ser responsáveis quando o risco deixa de ser individual e vira estrutural”, afirmou, citando fatores como ausência de educação continuada, falhas de governança e canais frágeis de denúncia. Para ele, sem estrutura e prevenção, cobrar apenas responsabilidade individual pode se transformar em transferência de culpa.
A palestra também trouxe orientações práticas sobre sinais de alerta que merecem atenção no cotidiano do basquete profissional. Segundo Horta, tentativas de manipulação raramente surgem de forma explícita.
“Elas podem aparecer por meio de sinais sutis: interesse repentino por apostas, pressão financeira, aproximação de pessoas externas ao ambiente esportivo, pedidos indevidos por informações sensíveis e até padrões de jogo incoerentes com o histórico do atleta ou da equipe”, explicou, ressaltando que o risco real está na repetição e na combinação desses indícios.
Por fim, foi enfatizada a importância de fortalecer uma cultura de denúncia responsável, baseada em confiança e proteção institucional. “É fundamental que se construa um ambiente em que falar seja visto como proteção, e não como delação”, afirmou Horta.
Ele destacou a necessidade de canais seguros, processos claros, proteção contra retaliações e liderança ativa. “Denunciar não é sobre acusar alguém. É sobre proteger a modalidade e a própria trajetória profissional.”
A importância da iniciativa também foi destacada pelos atletas. Para Elinho Corazza, armador do Corinthians e um dos jogadores mais experientes do NBB CAIXA, com quase 500 partidas na competição, o encontro cumpriu um papel fundamental ao tratar de um tema sensível de forma clara e acessível. “É um tema muito importante e foi muito bem explicado na palestra. A iniciativa de juntar atletas, árbitros, técnicos e funcionários da Liga foi muito boa também”, afirmou o jogador, ressaltando o valor do diálogo coletivo para o fortalecimento da integridade no basquete nacional.
Basket Osasco
Bauru Basket
Botafogo
CAIXA/Brasília Basquete
Caxias do Sul Basquete
Corinthians
Cruzeiro
Flamengo
Fortaleza Basquete Cearense
Sesi Franca
KTO Minas
Mogi Basquete
Pato Basquete
Paulistano
Pinheiros
Conta Simples Rio Claro
Mr. Moo São José Basketball
Ceisc/União Corinthians
UNIFACISA
Vasco da Gama
Unoesc Basket Joaçaba
Brusque Basquete
Grupo BT/Clube de Campo de Tatuí
Contagem/América Towers
Fluminense
IVV/CETAF
ADRM
B.Cearense
Botafogo
Campo Mourão
Caxias
IVV/CETAF
Corinthians
Flamengo
Minas
Paulistano
Pinheiros
São José Basketball
São Paulo FC
SESI Franca
Thalia/PH.D Esportes
Vasco/Tijuca