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Adeus, gigante!

22-03-2026 | 10:43
Por Liga Nacional de Basquete

Multicampeão por clubes, medalhista com a seleção e primeiro brasileiro draftado pela NBA, Marquinhos Abdalla construiu uma das carreiras mais vitoriosas da história do basquete brasileiro

O basquete brasileiro se despediu neste domingo (22/03) de um de seus nomes mais emblemáticos. Morreu Marcos Antônio Abdalla Leite, o Marquinhos Abdalla, aos 73 anos. Dono de uma carreira marcada por títulos expressivos, protagonismo internacional e pioneirismo, ele foi peça central de uma geração que manteve o Brasil entre as principais forças da modalidade nas décadas de 1970 e 1980.

Nascido no Rio de Janeiro, Marquinhos despontou ainda muito jovem como um pivô de características raras para a época. Com 2,08m, aliava força física, técnica apurada no jogo de costas para a cesta e grande capacidade de leitura tática. Era dominante no rebote, eficiente no ataque posicional e tinha personalidade forte, traço que o transformou em liderança natural nas equipes que defendeu.

Sua trajetória em clubes é extensa e vitoriosa. Revelado pelo Fluminense, conquistou múltiplos títulos estaduais no início da década de 1970 e rapidamente se consolidou como um dos principais jogadores do país. A transferência para o Sírio marcou o auge da carreira. No clube paulista, integrou um elenco histórico e acumulou conquistas: títulos paulistas, campeonatos brasileiros, taças sul-americanas e o inesquecível título mundial interclubes de 1979, um dos feitos mais importantes da história do basquete nacional.

Marquinhos também vestiu a camisa do Flamengo, onde voltou a ser campeão estadual e manteve o protagonismo. Ao longo de sua carreira, somou ainda passagens pelo basquete italiano, onde defendeu Athletic Genova e Virtus Bologna, experiência que ampliou sua vivência internacional em um período em que poucos brasileiros atuavam na Europa.

Pela seleção brasileira, construiu uma trajetória longa e consistente. Disputou três edições dos Jogos Olímpicos, em Munique-1972, Moscou-1980 e Los Angeles-1984, além de quatro Campeonatos Mundiais, conquistando uma medalha de prata em 1970, na antiga Iugoslávia, e uma de bronze nas Filipinas, em 1978. Foi campeão da AmeriCup em 1984, campeão sul-americano em diferentes oportunidades e ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1971. Durante parte desse ciclo, exerceu a função de capitão e foi referência de competitividade em quadra.

 

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Pioneiro na NBA

Em 1976, entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro escolhido no Draft da NBA, selecionado pelo Portland Trail Blazers. O reconhecimento internacional ao seu talento aconteceu em um momento em que a presença estrangeira na liga era limitada. Embora não tenha atuado na NBA, o feito simbolizou a qualidade do basquete brasileiro e abriu caminho, ainda que de forma pioneira, para futuras gerações. Antes disso, ele já havia construído destaque ao jogar no basquete universitário dos Estados Unidos, defendendo o time da Universidade Pepperdine durante três anos, quando registrou médias de 18,7 pontos e 10,3 rebotes.

Depois de encerrar a carreira como jogador, Marquinhos permaneceu ligado ao esporte. Atuou como dirigente e participou de iniciativas voltadas à formação e ao desenvolvimento da modalidade, além de manter voz ativa em debates sobre estrutura, gestão e fortalecimento da modalidade no país. Sua experiência acumulada ao longo de anos de alto rendimento o transformou em figura respeitada nos bastidores, sempre disposto a contribuir com opiniões firmes e olhar crítico sobre os rumos do basquete brasileiro.

A morte de Marquinhos Abdalla representa a despedida de um personagem fundamental na construção da identidade vencedora do basquete nacional. Multicampeão em clubes, líder da seleção e pioneiro no cenário internacional, ele deixa um legado que ultrapassa estatísticas e troféus. Seu nome permanece associado a uma era de conquistas, personalidade e grandeza, pilares que continuam sustentando a história do basquete brasileiro até hoje.