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Minha quadra, minha vida

29-04-2026 | 10:17
Por Marcius Azevedo

Em mais um capítulo da série Minha quadra, minha vida, conheça Sergilam Alves Bandeira, o Serginho, que trabalha no CAIXA/Brasília desde 2008 e influência diretamente nos resultados

Sergilam Alves Bandeira, o Serginho, não aprendeu o basquete dentro das quatro linhas. Aprendeu no antes, no depois e em tudo o que sustenta o jogo, sem nunca aparecer no placar. Na Arena Nilson Nelson, em Brasília, o profissional que atua como mordomo é parte da engrenagem invisível que faz o CAIXA/Brasília existir a cada partida do NBB CAIXA. E talvez por isso sua história seja menos sobre bastidor e mais sobre pertencimento.

Tudo começou em 2008, quando o Brasília vivia uma das fases mais fortes de sua história no NBB CAIXA. Ele viu o time pela televisão, num momento simples, quase casual. “Eu estava assistindo ao Globo Esporte, e vi o time, e ali chamou minha atenção de alguma forma.” A partir dali, o que era curiosidade virou caminho.

Serginho em ação no jogo do CAIXA/Brasília no NBB CAIXA. Foto: Matheus Maranhão

Antes de estar definitivamente dentro do clube, passou pela portaria do ginásio da ASCEB, local onde o time treinava, e era chamada para ser rodoboy ou ajudar Marco Bajo, o Espanha, como parte do estafe. Fez de tudo um pouco. Era presença de apoio, curiosidade em movimento. Aprendeu todos os detalhes, inclusive resolver os B.O.s com o placar de 24 segundos. Até que o convite chegou e o basquete deixou de ser observação para virar rotina de vida. “Eu fui pegando intimidade com o pessoal e surgiu uma vaga. Só que eles chamaram o meu irmão. Como tinha de viajar com o time e meu irmão era casado, ele não quis ir. Aí eu falei: Caramba, eu vou na hora, sou solteiro, então, para mim, juntou a fome com a vontade de comer.”

Hoje, essa rotina começa cedo, muito antes de qualquer atleta chegar ao ginásio. “Saio de casa umas 6h30, todos os dias, chego praticamente uma hora e meia antes de todo mundo para organizar tudo, lavanderia, aí eu pego os uniformes, vou lá, limpo a quadra, coloco água para eles”, contou Serginho, que faz questão de agradecer o supervisor Pedro Rava e o diretor Fúlvio. “Eles são fenomenais por sempre permitirem uma equipe para estar comigo, me ajudando.”

Até porque o trabalho não para. “O que tiver precisando lá na quadra, cuidar do aro ou se estourou a redinha, eu vou lá e arrumo também. Tem o café do pessoal também. É mil e uma utilidades, fazendo de tudo.”

O que parece simples é, na verdade, o que sustenta o espetáculo. E Serginho sabe disso com uma consciência muito própria, construída no dia a dia. Ele não fala de função, fala de entrega. “É minha paixão. Sou muito feliz em trabalhar com o que eu amo fazer e agradeço ao nosso bom Deus por tudo que ele me proporcionou nessa área. Espero voltarmos aos tempos de glória o mais breve possível”, afirmou.

Serginho chega cedo na Arena Nilson Nelson para deixar tudo em ordem. Foto: Matheus Maranhão

Essa relação com o basquete também teve seus momentos de ausência e dor. Quando o Brasília se afastou das competições antes de voltar com o projeto atual, o impacto em Serginho foi profundo. “Eu não conseguia assistir aos jogos de basquete. Dava saudade quando eu via meus brothers. Eu chorava de ansiedade.”

O jogo, que sempre foi rotina, tinha virado falta. O retorno trouxe não só o reencontro com o trabalho, mas com a própria história. “Quando voltei, o Jefferson William me deu um abraço tão caloroso e falou que o basquete sem minha presença não era a mesma coisa.” Um gesto simples, mas que reposiciona tudo.

Nem sempre foi certo que ele ficaria. O caminho teve dúvidas e propostas. “Se eu falar que não, eu estou mentindo. Achei que o projeto do Brasília ia acabar, recebi até proposta de outros times. Eu falei: eu vou ficar por aqui, e, graças a Deus, deu certo.”

Ficou e, ao ficar, consolidou um lugar que já era dele antes mesmo de ser formal. A estrutura também mudou o cenário ao longo dos anos. “Quando a CAIXA entrou, mudou totalmente para todo mundo, principalmente para mim, para minha vida. Foi muito bom a CAIXA ter entrado, porque nós, querendo ou não, precisamos do dinheiro para nos sustentar, para vir trabalhar, para todo mundo trabalhar feliz, para podermos honrar os nossos compromissos. Isso, para mim, é fundamental.”

No meio de tantos anos dentro do basquete, o que mais o marcou não foram troféus ou conquistas. Foram pessoas. “A minha maior conquista não foram os títulos que conquistamos, e sim as boas amizades que o basquete me deu, seja dos jogadores, técnicos, mesários, não apenas no DF, mas no Brasil todo. Onde tem time, tenho bons amigos, e essa conquista que eu mais valorizo. Tenho muito orgulho de trabalhar com essa linda equipe, que eu amo demais. Tenho uma frase que sempre levo comigo: é melhor servir do que ser servido.”

Fora da arena, Serginho se multiplica. É professor de jiu-jítsu 4º grau, o que representa ser um faixa-preta experiente, na equipe Flávio Carvalho, ao lado do irmão Jarlan, com quem criou o Instituto Viver Jiu-Jítsu. Também integra a equipe Brasília Luta Livre, trabalha como mecânico de bicicleta e, nas férias, transforma estrada em destino nas cicloviagens. Uma vida inteira em movimento, sempre em algum tipo de construção.

Mas é na Arena Nilson Nelson que tudo se encontra. É ali que o basquete acontece de verdade, mesmo antes de acontecer para quem assiste. E, enquanto a quadra se prepara, os uniformes são organizados e o jogo se aproxima do início, Serginho continua no mesmo lugar de sempre. Fazendo o invisível existir.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.