HOJE
Mestre tático
Por Marcius Azevedo
Campeão da Copa América de 2009, Moncho Monsalve morre aos 81 anos e deixa legado marcado pela visão coletiva do jogo, após papel importante na reconstrução da seleção brasileira
A morte de Moncho Monsalve nesta terça-feira (28/04) encerra um capítulo importante de conexão entre o basquete europeu e o brasileiro. Aos 81 anos, o treinador espanhol deixa um legado que vai além de resultados, marcado pela formação, pela troca de conhecimento e por uma visão pedagógica do jogo que influenciou gerações dentro e fora das quadras.
Antes de se consolidar como técnico, Monsalve teve passagem relevante pelo Real Madrid, onde conquistou títulos nacionais e continentais em um dos períodos mais dominantes do clube entre 1963 e 1967, atuando 65 vezes pela seleção espanhola. A carreira como jogador, no entanto, foi abreviada por problemas médicos nos seus joelhos, o que antecipou uma transição precoce para a prancheta e acabou definindo sua contribuição mais duradoura ao esporte.

Moncho Monsalve na cerimônia de entrada no Hall da Fama do Basquete Espanhol em 2024. Foto: FEB
Como treinador, construiu uma trajetória extensa na Espanha, dirigindo diversas equipes, como Barcelona, Málaga e Múrcia, sempre com forte inclinação para o ensino do jogo. Mais do que um comandante de vestiário, Monsalve era reconhecido como um professor, alguém que valorizava o entendimento coletivo, a leitura tática e o desenvolvimento dos atletas dentro de um sistema estruturado.
Foi justamente essa bagagem que o levou ao comando da seleção brasileira masculina em um momento de transição. Em 2008, o Brasil buscava reorganização e novos caminhos e encontrou no espanhol uma figura capaz de trazer método e repertório internacional. Mesmo sem alcançar a classificação para Pequim no Pré-Olímpico daquele ano, o trabalho ganhou consistência ao longo do ciclo.
O ponto alto veio em 2009, com a conquista da Copa América, em uma equipe que tinha Anderson Varejão, Tiago Splitter, Leandrinho Barbosa, Marcelinho Huertas e Marcelinho Machado. O título recolocou o Brasil no mapa competitivo e garantiu vaga no Mundial seguinte, funcionando como um marco simbólico de retomada. Sob seu comando, a seleção brasileira apresentou sinais de identidade, com maior disciplina tática e uma abordagem mais coletiva, características associadas ao basquete europeu.
Monsalve permaneceu à frente da equipe até o início de 2010, quando deu lugar a Rubén Magnano, que daria sequência ao processo. Ainda assim, sua passagem foi determinante para pavimentar o caminho da reconstrução, em um período em que o basquete brasileiro buscava se reposicionar internacionalmente. O espanhol também foi técnico das seleções do Marrocos e da República Dominicana.
Nos anos seguintes, o espanhol manteve sua atuação como formador e referência teórica do jogo, ligado a cursos, clínicas e programas de desenvolvimento de treinadores. Em 2024, foi reconhecido com a entrada no Hall da Fama do basquete espanhol, coroando uma carreira dedicada ao estudo e à difusão do esporte.
A despedida de Moncho Monsalve não representa apenas a perda de um técnico vitorioso, mas de um pensador do basquete. Alguém que enxergava o jogo como linguagem coletiva, construída no detalhe, na disciplina e no entendimento, valores que continuam ecoando em cada equipe e profissional impactado por sua trajetória.
Basket Osasco
Bauru Basket
Botafogo
CAIXA/Brasília Basquete
Caxias do Sul Basquete
Corinthians
Cruzeiro
Flamengo
Fortaleza Basquete Cearense
Sesi Franca
KTO Minas
Mogi Basquete
Pato Basquete
Paulistano
Pinheiros
Conta Simples Rio Claro
Mr. Moo São José Basketball
Ceisc/União Corinthians
UNIFACISA
Vasco da Gama
Unoesc Basket Joaçaba
Betim América Towers
Brusque Basquete
Grupo BT/Clube de Campo de Tatuí
Fluminense
IVV/CETAF
ADRM
B.Cearense
Botafogo
Campo Mourão
Caxias
Corinthians
Flamengo
Minas
Paulistano
Pinheiros
São José Basketball
São Paulo FC
SESI Franca
Thalia/PH.D Esportes
UNIFACISA
Vasco/Tijuca