HOJE
Adeus, Mão Santa
Por Marcius Azevedo
Morre Oscar Schmidt, aos 68 anos, um dos grandes ídolos do esporte nacional que marcou gerações com protagonismo pela seleção brasileira e recebeu o reconhecimento mundial
A história do basquete brasileiro se confunde com a trajetória de Oscar Schmidt. Dono de um talento raro, de uma obsessão quase artesanal pelo arremesso e de uma competitividade que atravessou décadas, ele construiu uma carreira que transcende números. Sua morte nesta sexta-feira (17/04), aos 68 anos, representa o fim de uma era, mas também reafirma a dimensão de um legado que dificilmente será replicado.
Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Oscar começou a trilhar seu caminho no basquete ainda jovem, mas foi em São Paulo que moldou sua identidade como jogador. Alto, técnico e incansável, rapidamente se destacou pela capacidade de pontuar em qualquer circunstância. Seu arremesso, de execução rápida e precisão quase mecânica, se tornou sua assinatura e lhe rendeu o apelido que atravessaria gerações, o “Mão Santa”. Mais do que um dom, era resultado de repetição, disciplina e uma ética de trabalho que o acompanharia por toda a carreira. “Mão treinada”, como ele costumava dizer.

Oscar Schmidt na final histórica final contra os Estados Unidos no Pan-Americano de 1987. Foto: Arquivo
Ao longo de 28 anos como profissional, Oscar construiu uma marca que por muito tempo pareceu inalcançável, com 49.973 pontos somados entre clubes e seleção. Trata-se de um dos maiores registros da história do esporte mundial, reflexo direto de sua longevidade e regularidade em altíssimo nível. Em competições olímpicas, seu nome também é permanente. Com 1.093 pontos, ele continua como o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, tendo participado de cinco edições, de Moscou-1980 a Atlanta-1996, sempre como protagonista da seleção brasileira.
História na seleção
A relação de Oscar com a seleção brasileira, aliás, é um dos capítulos mais emblemáticos de sua carreira. Em 1984, ele foi escolhido no Draft da NBA, o mesmo de Michael Jordan, pelo New Jersey Nets na 131ª posição, mas tomou uma decisão que definiria seu destino. Recusou a oportunidade de jogar na principal liga do mundo para seguir defendendo o Brasil. Naquele contexto, atletas da NBA eram impedidos de atuar por suas seleções, e Oscar não abriu mão de algo que sempre foi motivo de orgulho. Foi uma escolha que o afastou dos holofotes da liga americana, mas o aproximou definitivamente da identidade do basquete brasileiro.
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Se há um momento que sintetiza o impacto de Oscar, ele aconteceu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Contra os Estados Unidos, jogando dentro de casa, o Brasil protagonizou uma das maiores viradas da história, vencendo por 120 a 115 após estar perdendo por 20 pontos de diferença, e conquistando a medalha de ouro. Liderada por Oscar, que anotou 46 pontos na decisão, aquela equipe não apenas venceu, mas impôs um estilo, quebrou paradigmas e mostrou ao mundo novamente a força do basquete brasileiro. Aquela atuação permanece como um dos feitos mais simbólicos do esporte nacional.
Além daquele ouro inesquecível, Oscar foi campeão sul-americano em três oportunidades: 1977, 1983 e 1985. Sua presença também foi constante em grandes torneios internacionais, com destaque para a medalha de bronze no Campeonato Mundial de 1978, nas Filipinas, além de outras três participações em 1982, 1986 e 1990. No plano individual, sua dominância era evidente. Ele liderava pontuações com frequência, acumulava prêmios de cestinha e encerrou sua trajetória com a camisa da seleção como seu maior pontuador histórico, superando a marca de sete mil pontos. Mais do que os títulos, sua influência foi determinante para manter o Brasil relevante no cenário internacional durante anos, sempre sustentado por sua capacidade de decidir jogos e assumir protagonismo.
Títulos por clubes

Oscar Schmidt na época do Sírio, quando foi campeão do Mundial Interclubes de 1979. Foto: oscarschmidt14.com.br
Nos clubes, Oscar construiu uma carreira igualmente marcante, tanto no Brasil quanto na Europa, acumulando também conquistas relevantes. No início, brilhou no Palmeiras. Depois, no Sírio, foi peça fundamental na conquista do Mundial Interclubes de 1979. Em território nacional, levantou troféus por equipes também por Corinthians e Flamengo, consolidando seu protagonismo em diferentes gerações. Já na Europa, especialmente na Itália, transformou-se em um dos maiores pontuadores de sua época, sendo cestinha de competições nacionais e continentais por diversas temporadas.
O reconhecimento internacional pela carreira veio de forma incontestável. Oscar foi incluído no Hall da Fama da FIBA, em 20 de agosto de 2010, e também no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos, em 8 de setembro de 2013, um feito reservado a lendas do esporte. Sua presença nesses espaços consolida o que já era evidente. Sua grandeza ultrapassou fronteiras, sendo respeitada em todos os lugares.
Outro reconhecimento simbólico de sua trajetória veio com a inclusão no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. A honraria, concedida a nomes que marcaram de forma definitiva o esporte nacional, reforça o peso de sua história dentro do movimento olímpico. Ele teve sua carreira eternizada também nesse espaço de memória e excelência, consolidando sua condição de referência máxima do basquete brasileiro e de um dos maiores atletas que o país já produziu.
Batalha fora das quadras
Fora das quadras, Oscar também demonstrou a mesma coragem que o caracterizou como atleta. Em 2011, enfrentou um câncer no cérebro e iniciou uma batalha dura, pública e inspiradora. Mais uma vez, não se escondeu. Falou abertamente sobre a doença, encarou o tratamento com franqueza e se tornou exemplo de resiliência. Sua postura diante da adversidade reforçou a imagem de um homem que nunca fugiu dos desafios.
Seu legado permanece vivo em cada geração que cresceu assistindo aos seus arremessos, em cada atleta que encontrou nele uma referência e em cada momento em que o basquete nacional se reconhece em sua própria história. Ele não foi apenas um grande jogador. Foi um marco, um símbolo e uma inspiração permanente. Alguns atletas acumulam títulos. Outros transformam o jogo. Oscar fez ambos.
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