HOJE
Quadra ocupada
Por Marcius Azevedo
Nossa Terra Tem Basquete: Grupo liderado por Andreza Carmo ocupa o local que antes era do futebol às quintas-feiras e transforma o airball de quinta em símbolo de resistência no Recife
Em uma cidade onde a bola costuma rolar mais pelos pés do que pelas mãos, Andreza Carmo escolheu fazê-la quicar. Recifense, ela transformou inquietação em movimento e uma simples noite de quinta-feira em território fixo do basquete. Assim nasceu o airball de quinta, mais que um racha, um símbolo de resistência, ocupação e pertencimento na Rua da Aurora, no Centro do Recife, um dos cenários mais charmosos e históricos da cidade, às margens do Rio Capibaribe.

Antes da bola laranja, foi o futebol que marcou sua trajetória. “Eu jogava muito futebol, passei um bom tempo da minha vida jogando.” Mas tudo mudou quando, ao correr pelo bairro, viu uma turma jogando basquete. Ficou olhando até ouvir o convite de um amigo: “Bora, eu te ensino”. Ela foi. Gostou. E sentiu que ali havia algo diferente.
“O basquete mexe mais com a cabeça. Mexe muito com o corpo, com a alma e o espírito.” Para Andreza, não era só esporte. Era intensidade emocional, raciocínio rápido, conexão coletiva.
O desafio era simples e enorme: espaço. “Aqui no Recife tem muitas quadras, mas tudo relacionado ao futebol”, contou. Conseguir uma tabela foi “uma guerra”. E, mesmo com a quadra, o horário era disputado. “Às vezes os meninos vinham, jogavam uma peladinha e a gente tinha de ir embora por causa do futebol. Isso me deixava muito nervosa.”
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Foi quando ela passou a repetir: “A gente tem de fazer algo diferente.” Testaram quarta, sexta, até fixarem a quinta-feira. Vieram semanas seguidas ocupando o mesmo dia. Durante a pandemia, ganharam mais tempo de quadra. Depois, negociaram. “Teve atrito, mas eles começaram a sair mais cedo para a gente jogar.” Até ouvir a frase que selou a conquista: “Essa quinta aí vai ser tua e vamos mudar para outro local.”
Virou compromisso. Virou identidade. Virou o airball de quinta.
Com amigos como MD e Ítalo, criaram Instagram, gravaram vídeos, chamaram gente. “Eram quatro pessoas… quando eu vi, tinha mais de cem rodeando a quadra.” O crescimento surpreendeu até quem começou. A quinta deixou de ser apenas um dia da semana e virou ponto de encontro.
Para Andreza, a mensagem é direta em relação ao espaço para o basquete. “Se a gente não correr atrás, se a gente não lutar, a gente não tem espaço. Tem de fazer barulho, muito barulho. Não existe aquele ditado que o calado vence.”
E qual é o sentimento quando pisa na quadra? “Silêncio”, resumiu. “Quem joga basquete entende. Parece que não tem problema, parece que não tem nada. Você pisou, já era.”
É alívio. “Eu me sinto viva. O basquete vive em mim.”
No Recife do futebol, Andreza Carmo fez da quinta-feira um território do basquete e mostrou que, quando alguém insiste o suficiente, a cidade aprende a dividir espaço.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
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