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Seleção Brasileira

Talento geracional

28-02-2026 | 09:07
Por Marcius Azevedo

Técnico da seleção brasileira, Aleksandar Petrovic elogia o jovem Edu Santos, de 16 anos, e projeta futuro promissor ao comparar com Gui Santos: "Esse vai ser melhor do que seu irmão"

“Poucas vezes vi algo parecido.” A frase dita por Aleksandar Petrovic não é comum no vocabulário de um treinador com quase 50 anos dedicados ao basquete. Ao falar sobre Edu Santos, de apenas 16 anos, o técnico da seleção brasileira não fez um elogio protocolar na coletiva de imprensa após o jogo diante da Venezuela. Fez uma projeção de impacto.

Irmão de Gui Santos, jogador do Golden State Warriors, da NBA, o ala-pivô está participando dos treinos do Brasil em Belo Horizonte, na segunda janela pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIBA 2027 poucos dias depois de ter feito sua estreia pela equipe adulta do Pinheiros contra o Paulistano pelo NBB CAIXA.

Natural de Franca, Edu Santos cresceu em ambiente profundamente ligado ao basquete, com pais ex-atletas e vivência constante de alto rendimento. Antes de chegar ao Pinheiros, destacou-se pelo Corinthians, com uma combinação rara de estatura, coordenação e leitura de jogo. Com cerca de 2,06m, apresenta perfil moderno: mobilidade para atuar aberto, agressividade no ataque à cesta e capacidade defensiva versátil.

Petrovic deixou clara a impressão causada pelo atleta em poucos dias com o elenco principal do Brasil. “Posso falar que estou nesse esporte há muito tempo. São quase 50 anos. Poucas vezes vi algo parecido. Ele é impressionante. Impressionou nos treinos. Mas agora vem a parte mais difícil, que é estar com a cabeça limpa. Mas uma coisa que posso falar, como falei de Gui Santos lá atrás sobre jogar na NBA, esse vai ser melhor do que seu irmão”, afirmou.

A declaração carrega algumas camadas de significado. Ao afirmar que “impressionou nos treinos”, o treinador indica que o talento não é apenas projeção futura, mas rendimento já perceptível diante de atletas experientes. Ao alertar sobre a importância de manter a cabeça limpa, aponta para o desafio mais complexo de um prodígio: lidar com expectativas, comparações e o ritmo acelerado de crescimento.

A comparação inevitável envolve o irmão mais velho. Petrovic relembrou que também antecipou o sucesso de Gui Santos ainda na adolescência, quando poucos imaginavam que ele alcançaria a NBA.

“Falar de Gui Santos eu falei já em 2019, quando ele tinha 17 anos, durante um camping em Campinas. Dois meses depois, ele estava no quinteto da seleção brasileira contra o Uruguai em Montevidéu. Naquele momento, quando disse que ele iria triunfar na NBA, alguns duvidaram”, relembrou o treinador, que garantiu que o jogador do Golden State Warriors será convocado para defender o Brasil em agosto.

“É normal que ele não consiga estar presente em todos os compromissos com a seleção, mas ele estará presente em pelo menos uma janela desta Eliminatória. Ele estará conosco na janela de agosto. Gui Santos não pode estar agora, mas é um dos principais jogadores para o nosso elenco visando a Copa do Mundo e Olimpíadas.”

Ao recuperar esse episódio, o técnico reforça sua convicção e histórico na identificação de talentos. Hoje, Gui Santos vive um processo de afirmação na NBA e continua como peça importante no planejamento da seleção para os próximos ciclos. Edu, por sua vez, começa a escrever a própria história, ainda nos primeiros capítulos, mas já sob os holofotes.

Quando um treinador com quase meio século de estrada afirma que raramente viu algo semelhante e projeta um futuro ainda maior do que o de um atleta que já chegou à principal liga do mundo, todos naturalmente param para ouvir.