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NBB Caixa

Abordagens estratégicas

20-12-2025 | 07:40
Por Marcius Azevedo

Pinheiros, de Gustavinho, aposta no rebote ofensivo para gerar segundas chances e aumentar o volume de jogo, e o Corinthians, de Jece Leite, prioriza o fechamento do próprio garrafão

Pinheiros e Corinthians chegam ao confronto direto no NBB CAIXA 2025/26, neste domingo (21/12), às 11h, no Poliesportivo Henrique Villaboim, sustentados por identidades muito bem definidas, especialmente na forma como cada equipe lida com os rebotes. Mais do que um fundamento estatístico, a disputa pelo aro revela escolhas estratégicas conscientes de dois treinadores que enxergam o jogo por prismas distintos, e que moldam, a partir disso, o ritmo, o volume e a dinâmica de suas equipes ao longo da temporada.

Pinheiros, de Gustavinho De Conti, enfrenta o Corinthians, de Jece Leite. Foto: Ricardo Bufolin e Willian Oliveira

Sob o comando de Gustavinho De Conti, o Pinheiros construiu uma proposta clara de agressividade ofensiva. A equipe figura como a segunda que mais captura rebotes ofensivos no campeonato, com média de 12,8 por jogo, atrás apenas do Mogi Basquete. O dado não é isolado: o time também aparece como segundo melhor em rebotes gerais, com 41,6, o que evidencia um domínio territorial consistente e uma clara intenção de ampliar o número de posses.

Essa abordagem está diretamente ligada à ideia de jogo do treinador. Para Gustavinho, o rebote de ataque é uma ferramenta para gerar segundas e até terceiras chances, compensar o alto grau de fisicalidade da liga e sustentar um volume ofensivo constante, mesmo contra defesas bem estruturadas.

“Essa questão dos rebotes ofensivos é uma característica das minhas equipes, desde o início do meu trabalho, desde que eu trabalhava com categorias de base, eu precisava muito dos rebotes de ataque por causa do volume. Hoje em dia o jogo está bem físico, então é difícil jogar cinco contra cinco, então você tem de, na minha opinião, tentar fazer contra-ataques ou tentar ter mais chances ofensivamente”, afirmou.

Agapy lidera o Pinheiros no NBB CAIXA, com 6,1 rebotes por jogo, sendo 2,6 ofensivos. Foto: Gabriella Garbim/ECP

O diferencial do Pinheiros nesta temporada está na forma como essa agressividade foi refinada taticamente. A busca pelo rebote de ataque passou a caminhar junto com uma preocupação clara com o balanço defensivo, reduzindo o risco de contra-ataques e mantendo o equilíbrio após o arremesso. Um acréscimo de Bruno Porto, auxiliar de Gustavinho, ao estilo que o treinador sempre carregou ao longo da carreira.

“Nessa temporada, eu conheci mais profundamente uma maneira de ir no rebote de ataque e já estar bem posicionado para o balanço defensivo, para o equilíbrio defensivo. Conheci por meio do Bruninho, meu assistente, que é uma coisa que o Pinheiro já fazia. Aliamos essas duas coisas, essa minha questão dos rebotes ofensivos que eu já fazia há algum tempo com essa questão técnica e tática que o Pinheiro já fazia”, explicou Gustavinho.

O resultado é um time que pressiona o aro adversário sem se expor em excesso, algo raro em equipes que apostam tão alto no rebote ofensivo. Mesmo sem liderar o ranking, o impacto é evidente. “Talvez nós não sejamos o time que mais pega rebotes de ataque no campeonato, mas estamos entre os que mais pegam e tem sido um fator importante para os nossos jogos.”

Do outro lado, o Corinthians apresenta uma leitura quase oposta. A equipe do técnico Jece Leite prioriza o controle do próprio garrafão, apostando no rebote defensivo como base para ditar o ritmo e reduzir o volume ofensivo dos adversários. O time é o terceiro melhor da liga em rebotes defensivos, com 29, ficando atrás apenas de KTO Minas e Paulistano, e ocupa a quinta posição em rebotes gerais, com média de 39,8.

Lucas Cauê lidera o Corinthians com média de 5,8 rebotes por jogo, sendo 4,4 deles defensivos. Foto: Beto Miller

Essa escolha revela uma estratégia clara: proteger a tabela, limitar segundas chances e transformar cada posse em um ativo valioso. Ao fechar o garrafão com eficiência, o Corinthians força ataques mais longos, desgasta o adversário e cria condições para um jogo mais controlado, menos exposto e mais próximo do ritmo que lhe convém.

“Tentamos ao máximo não dar segundas chances ao adversário, tentamos melhorar isso em todos os jogos, sabemos que tem times que jogam muito em cima de volume, independentemente de aproveitamento de arremessos, no volume mesmo, e um dos caminhos são os rebotes ofensivos. A outra forma são as bolas de dois pontos, mais próximas do aro, que têm um aproveitamento maior e são decorrentes, às vezes, de um rebote de ataque, além das infiltrações de um contra 1, jogos de pick and roll. Buscamos na defesa nos comunicar e nos posicionar melhor e com bastante energia para evitar ao máximo que essas ações nos machuquem”, afirmou o técnico Jece Leite.

Assim, o confronto ganha uma camada tática evidente. De um lado, um Pinheiros que acelera o jogo a partir do rebote ofensivo, amplia posses e pressiona continuamente a defesa rival. Do outro, um Corinthians que busca neutralizar esse volume fechando o espaço próximo ao aro e impondo uma lógica mais paciente e defensiva.

Mais do que números, trata-se de um choque de conceitos. Quem vencer a batalha dos rebotes não estará apenas garantindo bolas extras ou evitando segundas chances. Estará, sobretudo, impondo sua identidade e conduzindo o jogo para o terreno estratégico que mais lhe interessa.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.