HOJE
Desafogo externo
Por Marcius Azevedo
Se o garrafão estiver congestionado, Pinheiros e KTO Minas têm na confiança dos arremessadores do perímetro um caminho para tentar superar o adversário na final
O garrafão é território-chave e promete uma disputa física intensa na final da Copa Super 8 entre Pinheiros e KTO Minas, neste sábado (31/01), no Poliesportivo Henrique Villaboim. Mas, em jogos desse nível, quando as defesas se fecham, trocam e colapsam com agressividade, o verdadeiro desafogo ofensivo costuma vir de fora. E, nesse ponto, a decisão reúne jogadores capazes de desatar o nó defensivo com confiança e eficiência no perímetro.

O Pinheiro entra na final apoiado em um trio que alia experiência, regularidade e alto aproveitamento. Betinho, referência de liderança da equipe, é o mais letal, com impressionantes 45,6% de acerto nas bolas de três, mostrando que eficiência e tomada de decisão caminham juntas, especialmente em jogos grandes. Ao seu lado, Djalo aparece com 43,5%, enquanto Pedro Pastre completa a trinca com 39,4%, números que obrigam qualquer adversário a esticar a defesa e pensar duas vezes antes de ajudar no garrafão.
Para Betinho, no entanto, a chave não está em acelerar decisões ou forçar arremessos, mas em entender o que o jogo oferece, algo ainda mais sensível em uma final. “O espaço realmente fica menor, você vai ter que, de certa forma, se preparar mais para ter menos tempo para arremessar. O mais importante é estar extremamente atento e concentrado no que o jogo está oferecendo, nos espaços e nos momentos”, explicou.
O veterano de 37 anos reforça que mudar o estilo pode ser um erro justamente quando a margem de erro diminui. “Não acho que tenha que mudar um estilo, arremessar mais rápido ou em desequilíbrio, porque daí o percentual cai. É concentração no que o jogo está pedindo.”
Essa leitura coletiva aparece também na fala sobre o plano de jogo. Para Betinho, se o perímetro estiver bem marcado, o ataque encontra soluções em outros pontos da quadra. “Se tiver menos espaço para nós chutarmos, é porque está dando jogo de pick and roll, está abrindo espaço para o um contra um. Sempre jogar em prol da equipe, porque as bolas vão sobrar.”
Djalo adotou um discurso que passa diretamente pela confiança construída ao longo da temporada. Mesmo ciente de que a defesa do KTO Minas tende a negar arremessos confortáveis, o ala não vê a final como um fator de pressão extra. “Eles vão tentar fechar para não termos chutes livres, mas meu chute vai a partir do jogo. Se eu receber a bola confiante, eu vou chutar. Tudo depende da confiança. Independentemente de como vai ser o jogo, minha confiança vai estar sempre alta, porque eu treinei para ter essa confiança e ter um aproveitamento bom.”
Para ele, a decisão é menos emocional e mais prática. “Chegamos à final. É jogo de quem tem mais moral e mais confiança. A pressão é só psicológica. Em quadra, eu vou fazer o que o meu time está pedindo para sair com a vitória.”
Do outro lado, o KTO Minas chega com aproveitamentos ligeiramente menores no perímetro, mas com impacto direto no desempenho coletivo. Ricardo Fischer converte 38,2% das bolas de três, enquanto Erik McCree (37,9%) e Jordan Williams (37,8%) formam um trio que castiga defesas quando encontra espaço, especialmente a partir da movimentação e da leitura de jogo.
Fischer trata a final com naturalidade, buscando simplificar um contexto que, muitas vezes, pesa mais fora do que dentro da quadra. “Parece clichê, mas é pensar que é só mais um jogo. Quando você foca que é uma final, começam pensamentos de que não pode errar. E, na verdade, é o mesmo jogo de basquete”, resumiu.
Essa visão também explica sua postura em relação ao duelo direto entre arremessadores. “Meu foco é apenas ajudar a equipe da melhor maneira, porque esse é o meu papel como armador. Cada jogo a equipe adversária defende de uma maneira, então tem jogos que eu vou ter mais volume, tem outros que outro jogador vai ter mais volume, então meu foco é ler rapidamente a defesa e saber quem está bem naquele momento e precisa ter a bola. Então varia muito, não entro na quadra pensando que eu preciso arremessar.”
Jordan Williams amplia essa ideia ao destacar o peso emocional e coletivo de uma decisão. Para ele, confiança é o ponto de partida, mas não o único fator. “Final de campeonato exige muita confiança. A defesa vai saber suas jogadas, vai ter pressão, mas é só ter a confiança, acreditar em si mesmo e em seus companheiros para dar as respostas e arremessar as bolas que tiver”, afirmou.
Ciente de que o jogo não será aberto o tempo todo, o ala reforça a importância de estar pronto quando a chance aparecer.
“Quando estiver livre, tem de ter a confiança de arremessar. O jogo tem altos e baixos, mas quando o seu momento chegar, você precisa estar focado”, disse. “Esse tipo de duelo exige tanto jogadas decisivas quanto uma boa execução do plano de jogo da equipe. Também se trata de qual equipe terá a vontade de vencer e permanecer unida.”
Mais do que um duelo de aproveitamentos, a final da Copa Super 8 coloca frente a frente duas equipes que entendem o arremesso de três como consequência da execução coletiva. Em um jogo onde o espaço será disputado centímetro a centímetro, o perímetro pode não decidir sozinho, mas certamente pode inclinar a balança.
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