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Copa Super 8

Território-chave

30-01-2026 | 10:01
Por Marcius Azevedo

Energia jovem do Pinheiros e mescla do KTO Minas se enfrentam no garrafão, espaço mais disputado da quadra, onde rebotes e pontos de segunda chance podem definir o título

A final da Copa Super 8 entre Pinheiros e KTO Minas neste sábado (31/01) se desenha como um confronto em que o jogo interno pode determinar o rumo da partida. Em um duelo de equipes organizadas, bem treinadas e com identidades claras, o garrafão aparece como ponto de tensão permanente, onde não basta apenas executar: é preciso sustentar intensidade, ler o jogo e competir. O controle da área pintada costuma ser decisivo para ganhar confiança e ter mais volume ofensivo.

Os números ajudam a explicar por que esse duelo ganha tanto peso. O Pinheiros é o terceiro time que mais pega rebotes (41,3 por jogo) e o segundo em rebotes ofensivos (12,7) do NBB CAIXA, sustentando boa parte do seu ataque a partir de segundas chances e pressão constante na tabela adversária. Do outro lado, o KTO Minas aparece como o segundo no total de rebotes (42,1) e líder absoluto nos defensivos (30,4), pilar de um modelo que começa pela proteção do aro e pelo controle das posses.

A semelhança também se reflete na eficiência ofensiva perto da cesta: 56,41% de aproveitamento nos arremessos de dois pontos para o Pinheiros (3º) contra 54,98% do Minas (4º), números que reforçam a importância do jogo físico e das leituras no interior do garrafão.

Dentro desse cenário estatístico, o confronto ganha rostos e discursos bem definidos. O Pinheiros aposta na energia de um garrafão jovem, com Agapy e Afonso assumindo protagonismo pela intensidade e pela capacidade de sustentar volume. “Sabemos que vai ser um jogo muito físico. Precisamos impor nosso ritmo desde o início e jogar com a mesma intensidade de sempre”, projetou Agapy, conectando o plano de jogo à postura competitiva do time. Nas quartas de final, ele bateu o recorde de rebotes da Copa Super 8 em um único jogo, com 16.

Titular na semifinal, Afonso vai na mesma linha, mas adiciona confiança no que o Pinheiros tem apresentado ao longo da temporada. “Nós sabemos da qualidade que o Minas tem no garrafão, mas estamos mostrando que temos capacidade de competir e nos impor contra qualquer adversário.” Para ele, a final apenas amplifica uma característica já consolidada. “Nossa equipe já tem como uma das principais características a briga pelos rebotes, mas em uma final isso se intensifica. Precisamos, mais do que nunca, seguir essa nossa identidade.”

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O KTO Minas responde com uma mescla clara de experiência e juventude, representada por Alexandre Paranhos e Wini Silva, que oferecem leituras complementares do mesmo desafio. Paranhos trata o duelo como algo que vai além da força bruta. “A parte física é importante para ter imposição no garrafão, mas não só isso. As leituras dos momentos de atacar, de como defender e neutralizar os caras… é um jogo de xadrez”, analisou, deixando claro que a batalha será também mental.

O pivô de 34 anos ainda aponta o rebote como chave para tirar o Pinheiros da zona de conforto. “Temos de fazê-los pegar menos rebotes, brigar mais que eles, não deixar eles ganharem volume dessa forma, que é a forma que eles se sentem bem jogando. Temos de tentar tirar isso deles e também fazê-los marcar os nossos pontos fortes. Precisamos também ter personalidade dentro do jogo, porque eles também vão ter coisas para poder nos neutralizar. É um confronto muito interessante e temos de estar prontos para jogar dos dois lados da quadra, defendendo e atacando.”

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A visão é compartilhada por Wini Silva, que reconhece o desgaste que o confronto promete impor. “Será difícil jogar contra eles, mas nossa equipe tem tudo para se sair bem nos rebotes e nos pontos dentro do garrafão”, afirmou. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de limitar o impacto adversário. “O time deles briga muito no rebote, então vamos ter que fazer um bom trabalho para eles não terem tantos pontos de segunda chance para conseguirmos impor nosso ritmo de jogo.”

Com estatísticas próximas, discursos conscientes e perfis distintos se chocando no mesmo espaço, a final se constrói como um duelo direto de identidades no garrafão. Energia contra experiência, volume ofensivo contra controle defensivo. Em uma decisão tão equilibrada, quem conseguir transformar essa disputa física em vantagem tática pode dar o passo definitivo rumo ao título da Copa Super 8.

O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo Federal, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.